Miguel Pinto
Miguel Pinto
12 Fev, 2026 - 12:00

Reparação da A1 pode demorar semanas. Por onde circular?

Miguel Pinto

Depois do desabamento, a reparação da A1 não vai ser rápida. Os danos são significativos e há que saber a alternativas para circular.

reparação da A1 vai demorar

Um troço da principal auto-estrada do país desabou ao quilómetro 191, junto a Coimbra, na sequência do rompimento de um dique do Mondego, mas a reparação da A1 pode demorar semanas.

Segundo a Brisa Concessão Rodoviária (BCR), a rutura resultou de um débito excecional de água que ultrapassou os 2.100 metros cúbicos por segundo, causando a escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego.

As águas violentas do Mondego foram cavando progressivamente por baixo da estrutura da autoestrada até provocarem o abatimento da placa sobre o aterro que dá acesso ao viaduto.

A situação estava a ser monitorizada há vários dias pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), mas a força e velocidade das águas tornaram inevitável o colapso. A Brisa implementou medidas preventivas atempadamente, cortando o trânsito na A1 cerca de três horas antes do abatimento efetivo.

Quanto tempo vai demorar a reparação da A1

As perspetivas para a reabertura do troço afetado não são animadoras e serão necessárias semanas para que a A1 volte a estar operacional naquele segmento. O principal obstáculo à reparação é o próprio rio Mondego. Enquanto o caudal se mantiver elevado, torna-se impossível realizar a intervenção de fundo necessária.

As equipas estão a recorrer ao enrocamento (blocos de rocha compactados) como solução temporária para estabilizar a estrutura e prevenir o alargamento dos danos. Estavam mobilizados 15 camiões com enrocamento para reforçar a zona afetada, com mais viaturas previstas para reforçar os trabalhos. Contudo, esta é apenas uma medida paliativa.

A verdadeira reconstrução só poderá avançar quando as águas baixarem e permitirem acesso seguro à área danificada. Existe ainda a preocupação de que a fissura no sentido norte-sul possa alastrar para o sentido contrário, o que complicaria ainda mais os trabalhos de recuperação e prolongaria o período de encerramento.

A1: as alternativas para os automobilistas

cheias no Mondego

Face ao corte total da A1 entre o nó de Coimbra Norte (km 198) e Coimbra Sul (km 189), nos dois sentidos de circulação, a Brisa recomenda duas alternativas principais aos condutores.

Opção 1: Corredor A8/A17/A25

Esta alternativa permite contornar a zona afetada através de um percurso mais extenso, mas inteiramente em autoestrada.

  • A8 (Autoestrada do Oeste)
  • A17 (ligação a Aveiro)
  • A25 (Autoestrada das Beiras Litoral e Alta)

Embora represente um desvio considerável em termos de quilómetros, esta opção mantém características rodoviárias adequadas para viagens de maior distância.

Opção 2: IC2 (Itinerário Complementar 2)

O IC2 constitui a alternativa mais direta, sendo também a via sugerida pela GNR. Esta estrada nacional paralela à A1 atravessa o centro de Portugal e permite evitar a zona de Coimbra afetada pelo colapso.

No entanto, é importante ter em conta que o IC2, sendo uma via nacional, apresenta características diferentes de uma autoestrada, com travessias de localidades, rotundas, cruzamentos e limites de velocidade mais reduzidos.

Os condutores devem prever tempos de viagem significativamente superiores e redobrar a atenção, especialmente em zonas urbanas.

Recomendações para quem viaja

A concessionária Brisa apela aos automobilistas que planeiem as suas viagens com antecedência, consultando o estado do tráfego e optando por horários menos congestionados sempre que possível. A utilização massiva das vias alternativas pode resultar em congestionamentos, sobretudo nas horas de maior movimento.

Quem necessite de viajar entre o Norte e o Sul do país deve contemplar tempos de viagem superiores ao habitual e considerar eventuais pausas, tendo em conta que os percursos alternativos são mais longos e exigentes.

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Reparação da A1: tempestades anunciaram desfecho

O colapso do troço da A1 não é um incidente isolado, mas sim mais uma consequência do temporal severo que tem assolado Portugal nas últimas semanas. A passagem sucessiva das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou já 16 mortes em território nacional, para além de centenas de feridos e desalojados. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo têm sido as mais afetadas pelas intempéries.

Os danos materiais são extensos, com destruição total ou parcial de habitações e empresas, queda de árvores e estruturas, encerramentos de estradas, escolas e transportes públicos, além de cortes prolongados no fornecimento de energia elétrica, água e comunicações.

O Governo português prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que pode atingir 2.500 milhões de euros, destinado a apoiar as populações e atividades económicas afetadas.

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