A Roménia não costuma aparecer nas primeiras escolhas quando se pensa numa viagem pela Europa. E talvez isso seja a melhor coisa que lhe podia ter acontecido. Aqui ainda não há a sensação de destino gasto. Há espaço, tempo e uma certa honestidade nos lugares.
Viajar pela Roménia é aceitar contrastes. Cidades grandes com marcas claras do passado recente. Regiões rurais onde a vida segue outro ritmo. Montanhas que não pedem licença para impressionar. E paisagens onde não há nada para fazer além de olhar e ficar.
Não é um país feito para consumo rápido. Nem tudo está preparado para turistas. Mas quase tudo compensa o esforço.
A comida é simples, os preços são acessíveis e a sensação de descoberta é real. E isso hoje em dia não é assim tão comum.
Roménia: uma viagem de descobertas
Este é um roteiro para quem gosta de viajar sem pressa e sem guião fechado. Para quem prefere perceber os sítios em vez de os colecionar. A Roménia não se explica num fim de semana. Mas começa a fazer sentido logo nos primeiros dias.
Bucareste confusa e intensa

Bucareste não tenta agradar. E isso nota-se logo. A cidade é grande, barulhenta e por vezes caótica. Mas também é viva. O Palácio do Parlamento domina a paisagem e ajuda a perceber a escala do antigo regime. É pesado, quase opressivo. E convém vê-lo para perceber de onde o país vem.
Depois há o centro histórico, com ruas estreitas, edifícios recuperados e uma vida noturna que surpreende. Cafés simples durante o dia. Restaurantes e bares à noite.
Nada de excessivamente turístico, o que é raro numa capital europeia. O Ateneu Romeno mostra outro lado da cidade. Mais clássico. Mais calmo. Um bom contraponto ao resto.
Bucareste não é amor à primeira vista. Mas cresce com o tempo. E isso diz muito.
Transilvânia: muito mais do que castelos

A Transilvânia carrega um peso mítico que nem sempre joga a favor. O Castelo de Bran é o exemplo clássico. Toda a gente vai. E sim, vale a visita. Mas não é aí que a região brilha mais.
Brașov tem um centro histórico bem preservado, rodeado de montanhas. É uma boa base para explorar a região. Sibiu é ainda mais tranquila. Praças largas, fachadas coloridas, um ritmo quase doméstico. Dá vontade de ficar mais um dia sem razão concreta.
Sighișoara merece destaque. É uma das poucas cidadelas medievais ainda habitadas na Europa. Ruas de pedra, casas antigas, silêncio. Aqui sente-se mesmo a história, sem encenação.
À volta das cidades surgem aldeias pequenas, igrejas fortificadas e campos agrícolas. A vida rural ainda está presente. E não como atração turística, mas como realidade.
Montanhas dos Cárpatos

Os Cárpatos atravessam o país e mudam completamente o cenário. Aqui a Roménia fica grande. Estradas de montanha, florestas densas, aldeias isoladas. A Transfăgărășan é a estrada mais conhecida. Não é marketing. É mesmo impressionante. Curvas fechadas, vistas amplas e aquela sensação de estar longe do mundo.
Para quem gosta de caminhar, o Parque Nacional Retezat é um dos segredos mais bem guardados. Trilhos pouco concorridos, lagos glaciais e natureza quase intocada. Não há infraestruturas exageradas. Convém ir preparado. Mas é isso que faz a diferença.
Delta do Danúbio: outra Roménia, outro ritmo
No extremo oposto do país, o Delta do Danúbio oferece uma experiência completamente diferente. Aqui tudo é água. Canais, ilhas, juncos. A deslocação faz-se de barco. As aldeias são pequenas. O silêncio é real.
É um paraíso para observação de aves e para quem precisa de abrandar. Não há grandes hotéis nem atrações organizadas. Há natureza e tempo. E nem toda a gente sabe lidar com isso.
Mar Negro, a costa a não perder

A costa do Mar Negro é menos conhecida fora da Roménia, mas Constanța merece atenção. Tem herança romana, influência otomana e uma frente marítima interessante. Não é um destino de praia clássico. É mais urbano. Mais histórico.
Regiões como Maramureș mostram um país ainda mais tradicional. Casas de madeira, igrejas antigas, costumes vivos. Aqui percebe-se como a Roménia rural continua a existir, apesar da modernização.
Comer bem sem complicações
A gastronomia romena é direta. Sopas fortes, pratos de carne, legumes bem cozinhados. O sarmale aparece muitas vezes. O papanasi também.
São pratos simples, feitos para alimentar e aquecer. Não para impressionar no Instagram. E isso sabe bem.
Como ir à Roménia a partir de Portugal
Os voos diretos de Lisboa para Bucareste aparecem com bastante regularidade com companhias como a Wizz Air e outras opções com escala.
Os preços variam bastante consoante a altura do ano e antecedência da reserva, mas em geral é possível encontrar bilhetes de ida e volta por algo entre cerca de 90 € e 200 € se pesquisar com alguma antecedência e flexibilidade de datas.
Se estiver no Porto, também há voos directos para Bucareste, e frequentemente para outras cidades como Cluj-Napoca.
Em algumas alturas do ano as tarifas promocionais começam perto dos 58 € ida e volta, ainda que valores médios mais comuns rondem os 110 € a 150 € dependendo da época e do aeroporto.
Além de Bucareste, há voos desde Portugal para outras cidades romenas como Cluj-Napoca ou Timisoara, e isso pode ser útil se o seu roteiro inclui mais do interior ou Transilvânia. Nesses casos os preços podem ser parecidos ou ligeiramente abaixo dos voos para a capital, especialmente em low cost.
Normalmente um voo entre Portugal e a Roménia demora entre 4 e 6 horas dependendo de escalas e companhias, e muitas vezes faz sentido reservar com um pouco de antecedência se quiseres mesmo preços baixos.
Por isso, saiba que quem procura autenticidade, espaço e uma Europa menos filtrada costuma sair da Roménia conquistado. Quem espera um postal perfeito pode estranhar. O país não pede pressa. Pede tempo. E alguma curiosidade. Quem dá isso, recebe muito mais do que estava à espera.