Share the post "Seguro automóvel mais caro em 2026: jovens e interior pagam a fatura mais pesada"
Os seguros automóveis em Portugal registaram uma subida média de 11,4% entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, mas há quem esteja a pagar uma fatura bem mais salgada. Jovens condutores e residentes no interior do país lideram os aumentos, com valores que chegam aos 16%.
Os dados foram revelados pela MUDEY, mediadora digital que analisou apólices renovadas de várias seguradoras portuguesas. A análise confirma o que já se temia: o seguro automóvel está cada vez mais caro, mas não está a afetar todos os bolsos da mesma forma.
Quem paga mais pelo seguro automóvel?
A média esconde desigualdades significativas. Enquanto alguns condutores viram os prémios subirem pouco acima dos 9%, outros enfrentam agravamentos superiores a 15%. A idade, a localização geográfica e a forma de pagamento fazem toda a diferença.
Os jovens adultos entre os 25 e os 29 anos são os mais penalizados pelo aumento de preços. Nesta faixa etária, os prémios subiram cerca de 16%, muito acima da média nacional. A explicação passa pelo perfil de risco: menor experiência ao volante traduz-se em prémios mais elevados aos olhos das seguradoras.
Mas há um fator agravante. Este grupo etário tende a optar por pagamentos mensais ou trimestrais, em vez do pagamento anual. A escolha parece prática, mas sai cara: quem fracciona o pagamento viu o seguro subir 16%, contra os 11% de quem paga de uma só vez.
Os condutores com mais de 65 anos também não escaparam. Neste grupo, os aumentos rondaram os 15%, reflexo dos fatores de risco associados à idade avançada.
Interior do país paga mais que o litoral
A geografia também conta na hora de calcular o prémio. No interior de Portugal, os aumentos médios chegaram aos 15%, enquanto os distritos do litoral continental registaram subidas mais próximas da média nacional.
Aveiro destaca-se como o distrito com o aumento mais contido, fixando-se nos 9%. Já nas regiões insulares, a pressão foi menor: os Açores viram os prémios subirem cerca de 7%, e a Madeira registou um aumento de 9%.
A diferença entre regiões reflete variações na sinistralidade, densidade de tráfego e custos de reparação locais. O interior, com estradas mais isoladas e maior dependência do automóvel, acaba por apresentar um perfil de risco distinto.
Quanto custa o seguro automóvel em Portugal?
Apesar das subidas, a maioria dos portugueses ainda paga valores relativamente controlados. A análise da MUDEY mostra que os consumidores pagam, em média, 344 euros por ano pelo seguro automóvel. Mais de 77% das apólices analisadas ficam abaixo dos 400 euros anuais.
Ainda assim, o aumento acumulado começa a pesar nos orçamentos familiares. Para quem já tinha um prémio de 300 euros, uma subida de 11,4% representa mais 34 euros por ano. Nos casos mais penalizados, com aumentos de 16%, a fatura sobe mais de 50 euros.
O que explica a subida dos seguros?
Ana Teixeira, cofundadora da MUDEY, aponta três fatores principais para o aumento dos prémios. O primeiro é conhecido: os custos de reparação dispararam. Os automóveis são cada vez mais tecnológicos, com sensores, câmaras e sistemas de assistência que encarecem qualquer intervenção na oficina.
O segundo fator prende-se com a sinistralidade. Mais acidentes significam mais indemnizações pagas pelas seguradoras, que acabam por transferir esse custo para os prémios.
Mas há um terceiro elemento menos visível: o custo da assistência em viagem. “Este tem sido pressionado pela subida dos custos dos prestadores, motivado também pelo aumento no preço dos combustíveis, assim como pela menor manutenção dos veículos”, explica Ana Teixeira.
A lógica é simples: com os orçamentos familiares mais apertados, muitos condutores adiam revisões e manutenções. Resultado? Mais avarias, mais chamadas para assistência e, consequentemente, mais custos para as seguradoras.
A tendência vai continuar?
Não há sinais de alívio no horizonte próximo. A cofundadora da MUDEY é clara: “Esta tendência não deverá reverter-se no curto prazo.” Os fatores estruturais que estão a pressionar os prémios continuam presentes.
Os combustíveis mantêm-se caros, a tecnologia nos automóveis não vai ficar mais barata e a pressão nos orçamentos familiares tende a manter-se. Enquanto os portugueses adiarem a manutenção dos carros, a utilização da assistência em viagem continuará elevada.
Para os consumidores, a mensagem é clara: comparar seguros nunca foi tão importante. Com plataformas digitais como a MUDEY, que agregam ofertas de mais de 20 seguradoras, é possível encontrar diferenças significativas entre apólices com coberturas semelhantes.
Vale a pena pagar anualmente?
Os números não mentem. Quem pode juntar o dinheiro e pagar o seguro de uma só vez poupa, em média, 5 pontos percentuais no aumento. Numa apólice de 350 euros, isso representa cerca de 17 euros de diferença.
Para os mais jovens, que enfrentam os aumentos mais agressivos e tendem a fraccionar o pagamento, o impacto é ainda maior. Optar pelo pagamento anual pode representar uma poupança superior a 20 ou 30 euros por ano.
Claro que nem todos têm liquidez para pagar de uma vez. Mas para quem consegue planear-se, o benefício compensa o esforço.
O futuro dos seguros automóveis em Portugal
A digitalização do setor está a mudar a forma como os portugueses contratam seguros. Nos últimos anos, surgiram várias plataformas digitais e mediadoras online que permitem comparar dezenas de propostas em minutos, sem telefonemas nem reuniões presenciais.
A aposta na tecnologia e na desmaterialização de processos permite comparar, subscrever e gerir apólices sem sair de casa. Para um consumidor que enfrenta aumentos anuais, ter acesso rápido a várias propostas competitivas pode fazer a diferença no bolso.
E com a pressão nos prémios a continuar, a capacidade de comparar ofertas e trocar de seguradora com facilidade torna-se cada vez mais relevante. O mercado está mais competitivo, e quem se der ao trabalho de procurar pode encontrar poupanças significativas.
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