Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
08 Fev, 2026 - 20:30

Seguro ganhou as presidenciais: quem é o novo Presidente da República de Portugal

Cláudia Pereira

António José Seguro vence as presidenciais de 2026, derrotando André Ventura. Conheça o novo Presidente da República e o que muda em Portugal.

Portugal elegeu este domingo, 8 de fevereiro de 2026, um novo Presidente da República. António José Seguro venceu a segunda volta das eleições presidenciais com valores entre 67% e 73% dos votos, segundo as projeções à boca das urnas. André Ventura, líder do Chega, ficou-se pelos 27% a 33%.

Esta foi a primeira segunda volta em eleições presidenciais desde 1986. Na primeira volta, realizada a 18 de janeiro, Seguro obteve 31,11% e Ventura 23,52%, valores que não permitiram uma vitória à primeira. A abstenção ficou entre os 42% e os 48%, valores semelhantes aos registados na primeira volta.

Da primeira à segunda volta: o que mudou

Entre as duas voltas, o cenário político alterou-se. Os partidos à esquerda do PS (PAN, LIVRE, PCP e Bloco de Esquerda) declararam apoio explícito a Seguro. À direita, PSD, CDS e Iniciativa Liberal abstiveram-se de apoios formais, embora algumas figuras destes partidos tenham manifestado intenção de voto no candidato socialista.

A campanha para a segunda volta foi curta e marcada pelas consequências das tempestades que assolaram o país. As depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram mortos e danos em dezenas de concelhos, relegando a campanha eleitoral para segundo plano. A votação foi adiada em 16 freguesias e três assembleias de voto.

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Quem é António José Seguro

António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, vila onde este domingo obteve 81,82% dos votos. É licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa e mestre em Ciência Política pelo ISCTE.

Começou a carreira política na Juventude Socialista, que liderou entre 1990 e 1994. Foi deputado à Assembleia da República, eurodeputado (1999-2001) e ocupou vários cargos governativos nos executivos de António Guterres, incluindo secretário de Estado da Juventude e ministro adjunto do primeiro-ministro.

Entre 2011 e 2014 foi secretário-geral do PS. A liderança terminou após a derrota nas eleições primárias contra António Costa, numa disputa que dividiu o partido. A decisão de se abster na votação do Orçamento do Estado de 2014 foi particularmente controversa.

Década afastado da política

Depois de 2014, Seguro dedicou-se à docência na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Durante dez anos manteve-se praticamente ausente do debate político público, recusando convites para comentário.

Em novembro de 2024 aceitou um espaço semanal de comentário na CNN Portugal. A candidatura presidencial foi anunciada em junho de 2025, sem apoio inicial do PS. O partido apenas formalizou o apoio quatro meses depois, tornando Seguro no quarto candidato presidencial com suporte socialista (depois de Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre).

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O contexto da vitória

Os resultados colocam Seguro entre os presidentes eleitos com maior percentagem de votos num primeiro mandato. Os valores finais dependerão ainda do apuramento completo, incluindo os círculos da emigração e os concelhos onde a votação foi adiada.

Para o Chega, apesar da derrota, a passagem à segunda volta representa um marco. Nas legislativas de maio de 2025, o partido tinha igualado o PS em número de deputados (58 cada). A eleição presidencial mostra, contudo, limites ao crescimento eleitoral quando confrontado com uma mobilização mais alargada.

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, afirmou que a eleição de Seguro “é a vitória da esperança sobre o ressentimento, a vitória das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos”.

Prioridades anunciadas

Seguro prometeu uma presidência “de todos e para todos”, com menos intervencionismo político do que Marcelo Rebelo de Sousa. Defende um papel mais institucional e menos mediático para o chefe de Estado.

A saúde foi identificada como prioridade do primeiro ano de mandato. O candidato criticou a falta de um pacto alargado para o Serviço Nacional de Saúde e prometeu convocar os partidos para discutir o tema após tomar posse.

Marcelo Rebelo de Sousa, que completa o segundo mandato, afirmou que o sucessor terá “uma tarefa mais difícil” devido às “guerras e à instabilidade económica, política e social” no mundo.

António José Seguro será o décimo Presidente da República no período democrático pós-25 de Abril. A tomada de posse deverá ocorrer em março de 2026.

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