Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
26 Jan, 2026 - 18:00

10 Sinais de que pode ser a altura de mudar de emprego

Cláudia Pereira

Descubra os principais sinais que indicam que chegou o momento de procurar novas oportunidades profissionais. Guia prático para avaliar a sua carreira em 2026.

Sente-se esgotado todas as manhãs? O domingo à tarde já lhe traz ansiedade? O salário deixou de fazer sentido comparado com o esforço? Se respondeu sim a alguma destas questões, pode estar na altura de mudar de emprego.

Quase metade dos profissionais em Portugal está a considerar dar esse passo. Os números do Employee Sentiment Study 2025 da Aon, que inquiriu mais de 9.200 colaboradores em 23 países (incluindo Portugal), revelou uma tendência clara: 46% dos trabalhadores nacionais admitem estar à procura de novas oportunidades nos próximos meses. Ao nível global, esse número sobe para 60%. Mas como saber se é o momento certo para dar esse passo?

A resposta não é igual para todos. Enquanto alguns profissionais enfrentam situações que gritam por mudança, outros hesitam entre a zona de conforto e o receio do desconhecido. O segredo está em reconhecer os sinais que o corpo e a mente enviam quando algo já não está a funcionar.

1.

Sinais físicos de burnout

O primeiro indicador surge muitas vezes de forma física. Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono não é normal. Dores de cabeça frequentes, tensão muscular nos ombros e pescoço, alterações no apetite ou problemas para dormir podem ser manifestações de um problema maior.

Quando existe desmotivação com as tarefas atuais, estagnação na carreira e um sentimento persistente de frustração, pode ser o momento de procurar novas oportunidades. O stress pontual faz parte de qualquer trabalho; o problema surge quando se torna crónico e o corpo entra num estado permanente de alerta.

mulher ao computador com mãos na cara de cansaço
Veja também Burnout e teletrabalho: saiba como evitar um esgotamento
2.

Quando a segunda-feira parece uma sentença

Sentir um aperto no estômago ao domingo à tarde não é apenas ansiedade. É um sinal de alarme que merece atenção. Se o simples pensamento de ir trabalhar provoca irritação, ansiedade ou uma vontade inexplicável de fugir, o corpo está a pedir uma mudança.

A Síndrome de Burnout, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como doença ocupacional, afeta milhares de portugueses. Os sintomas incluem exaustão constante, cinismo em relação ao trabalho e sensação de ineficácia profissional.

3.

A estagnação é um alerta vermelho

Quando foi a última vez que aprendeu algo novo no trabalho? Se a resposta demora a chegar, pode estar perante um problema de estagnação profissional. A falta de oportunidades de crescimento e desenvolvimento surge como um dos principais motivos para procurar novos desafios.

Os dados são claros: segundo o estudo da Gi Group Holding, 71% dos jovens portugueses valorizam as oportunidades de formação contínua nas empresas. Profissionais que sentem que já não evoluem, que as suas funções se tornaram demasiado repetitivas ou que não existem perspetivas de progressão na carreira tendem a procurar novos horizontes.

A estagnação não afeta apenas o desenvolvimento técnico; quando o trabalho deixa de ser desafiante, a motivação evapora e a produtividade cai. Este é um ciclo perigoso que pode levar a avaliações negativas e, paradoxalmente, dificultar ainda mais uma possível promoção.

Veja também Formação profissional e inovação tecnológica: empregos qualificados e competitividade
4.

O salário já não corresponde ao esforço

Falar de dinheiro no trabalho continua a ser tabu em muitas empresas portuguesas. Mas a verdade é que a remuneração é um fator determinante na satisfação profissional. Se sente que o seu salário não reflete o valor que entrega, o trabalho extra que faz ou as responsabilidades que assume, pode estar na altura de explorar o mercado.

O mercado de trabalho português mantém-se com uma taxa de desemprego relativamente baixa, o que favorece os candidatos nas negociações salariais. Setores como tecnologia, engenharia e saúde enfrentam escassez de competências, o que se traduz em propostas mais competitivas.

Além do salário base, há outro aspeto que pesa: a transparência salarial. Estudos recentes mostram que 33% dos colaboradores em Portugal sentem-se desvalorizados, um valor 20 pontos percentuais acima da média global. A perceção de injustiça salarial corrói a motivação mais rapidamente do que se imagina.

5.

Cultura empresarial tóxica

Valores desalinhados entre colaborador e empresa criam um desgaste silencioso mas constante. Se os princípios da organização entram em conflito com os seus, se a forma como a empresa trata as pessoas não corresponde ao que foi prometido ou se a liderança age de forma inconsistente com o discurso oficial, está na presença de bandeiras vermelhas.

A cultura organizacional manifesta-se de formas subtis: desde a maneira como as reuniões são conduzidas até à forma como os erros são tratados. Um ambiente tóxico, marcado por intrigas ou favoritismo, prejudica o desempenho profissional e a saúde mental.

O equilíbrio entre vida profissional e pessoal surge como prioridade para 70% dos profissionais portugueses. Empresas que não respeitam os limites dos colaboradores, que esperam disponibilidade permanente ou que penalizam quem recusa trabalhar fora do horário estão fora de sintonia com as expectativas atuais.

6.

A produtividade está em queda livre

Tarefas simples que antes levavam minutos agora consomem horas. A concentração foge, a memória falha e a sensação de ineficiência torna-se constante. Esta queda na produtividade raramente é preguiça ou falta de competência. Frequentemente, é o resultado de um desalinhamento profundo entre a pessoa e a função que desempenha.

Quando o trabalho perde o sentido, quando a pessoa já não se identifica com o que faz ou quando sente que as suas contribuições não são valorizadas, o rendimento cai naturalmente. Este sintoma é particularmente preocupante porque cria um ciclo vicioso: a baixa produtividade gera stress, o stress reduz ainda mais a capacidade de trabalhar bem, e assim sucessivamente.

7.

O reconhecimento nunca chega

Fazer um bom trabalho e não receber qualquer feedback positivo desgasta. Quando os sucessos passam despercebidos mas os erros são rapidamente apontados, quando as ideias são ignoradas ou apropriadas por outros, quando o esforço extra nunca é reconhecido, a motivação desaparece.

O reconhecimento não se resume a elogios, passa também por oportunidades de crescimento, por envolvimento em projetos importantes ou por ser consultado em decisões relevantes. A ausência destes sinais indica que a empresa pode não valorizar verdadeiramente o contributo do profissional.

Veja também Como planear objetivos de carreira para 2026
8.

As relações profissionais estão deterioradas

Conflitos pontuais fazem parte de qualquer ambiente de trabalho. Mas quando as relações se tornam consistentemente tensas ou quando a comunicação se torna difícil ou hostil, o ambiente deixa de ser saudável.

Passar oito ou mais horas diárias num ambiente onde se sente desconfortávele constantemente em conflito tem um custo elevado. A irritabilidade aumenta, o stress acumula e a qualidade de vida deteriora-se. Nestes casos, mesmo que o trabalho em si seja interessante, o ambiente pode tornar insustentável a permanência.

9.

A empresa está em declínio

Sinais de instabilidade financeira, reestruturações constantes, saída de talentos em massa ou mudanças estratégicas erráticas podem indicar que a empresa enfrenta dificuldades. Permanecer num barco que está claramente a afundar raramente é boa estratégia.

Não se trata de abandonar o navio ao primeiro sinal de turbulência, mas quando os problemas se acumulam ou quando os cortes começam a afetar as condições de trabalho, pode ser prudente começar a explorar alternativas antes de ser apanhado numa situação de despedimento coletivo.

10.

O mercado está a acenar

O mercado de trabalho português apresenta oportunidades interessantes. As empresas do Grande Porto, Região Centro e Grande Lisboa mostram as intenções de contratação mais fortes. Setores como saúde, tecnologia e serviços especializados procuram ativamente novos profissionais.

Receber contactos de recrutadores com frequência, ver anúncios de vagas que correspondem perfeitamente ao seu perfil ou ser abordado por headhunters são sinais de que o mercado valoriza as suas competências. Ignorar estas oportunidades por medo ou inércia pode significar deixar passar a janela ideal para uma mudança.

Veja também Profissões mais procuradas em 2026 em Portugal: onde estão as oportunidades?

Como decidir se é o momento certo de mudar de emprego

A decisão de mudar de emprego não deve ser tomada num momento de raiva ou frustração, pois, merece reflexão cuidada e planeamento estratégico. Para tomar a melhor decisão, considere estes passos fundamentais:

Faça uma autoavaliação honesta. Quantos dos sinais acima se aplicam à sua situação atual? Um ou dois podem ser circunstanciais e passageiros, mas se identificou cinco ou mais sinais, a mudança pode ser não apenas desejável, mas necessária para a sua saúde e desenvolvimento profissional.

Tente resolver internamente primeiro. Antes de entregar a carta de demissão, explore as possibilidades dentro da empresa. Agende uma conversa franca com o seu superior sobre progressão na carreira, negocie melhores condições ou solicite mudança de equipa. Por vezes, a solução está mais perto do que imagina.

Prepare a transição com estratégia. Não saia de um emprego sem preparação. Atualize o currículo, fortalecer a rede de contactos profissionais no LinkedIn e noutras plataformas, e comece a explorar o mercado sem pressão. Uma mudança consciente e planeada tem muito mais probabilidade de sucesso do que uma decisão impulsiva.

Considere o timing certo. Tenha uma reserva financeira que cubra pelo menos três a seis meses de despesas, certifique-se de que as suas competências estão atualizadas e compreenda as tendências do setor. O mercado português oferece oportunidades, mas estar preparado aumenta exponencialmente as suas hipóteses de fazer uma transição bem-sucedida.

Mantenha-se informado sobre o mercado de trabalho. As tendências mudam rapidamente. Subscreva a newsletter do Ekonomista para receber novidades sobre o mercado de trabalho português e dicas de progressão na carreira.

Veja também