Share the post "Siri abre a porta a serviços de inteligência artificial externos"
A próxima geração da Siri deverá representar a maior transformação desde o seu lançamento.
Mais do que uma atualização incremental, fala-se de uma reformulação estrutural que aproxima o assistente de um verdadeiro sistema de inteligência artificial conversacional.
As mudanças deverão começar a ser apresentadas em breve, com impacto direto nas próximas versões do iOS, iPadOS e macOS.
Uma das alterações mais relevantes é a abertura da Siri a serviços de inteligência artificial externos. Em vez de depender apenas das capacidades da Apple, o assistente passará a integrar chatbots de terceiros como ChatGPT, Gemini ou Claude.
Na prática, isto significa que a Siri poderá encaminhar pedidos mais complexos para diferentes motores de IA, consoante a preferência do utilizador.
Será possível escolher qual o serviço a utilizar através de um sistema de “extensões”, criando uma espécie de ecossistema dentro do próprio assistente.
Isto resolve um problema antigo, ou seja, quando a Siri não sabia responder, simplesmente… não respondia bem. Agora, terá ajuda.
Uma Siri mais parecida com um chatbot
Outra mudança importante é a evolução da Siri para um formato mais próximo dos chatbots modernos. A Apple está a testar uma aplicação dedicada, com interface de conversa, histórico de interações e possibilidade de alternar entre voz e texto.
Este novo formato permite interações mais longas e contextuais, algo que até agora era limitado. Em vez de comandos isolados, a Siri poderá manter uma conversa contínua, compreender contexto e responder de forma mais natural.
Basicamente, deixar de parecer um assistente preso em 2015.
Um “agente” que controla o sistema
A nova Siri deverá funcionar como um verdadeiro agente digital integrado no sistema operativo. Isso inclui acesso a aplicações, emails, mensagens e ficheiros, permitindo executar tarefas mais complexas com base no contexto do utilizador.
Por exemplo, será possível pedir à Siri para organizar compromissos com base em emails recebidos ou realizar ações entre diferentes aplicações sem intervenção manual.
Este nível de integração aproxima a Siri de uma assistente pessoal real, e não apenas de um sistema de comandos por voz.
Apple Intelligence e a aposta em IA

Estas mudanças, que serão oficialmente apresentadas na WWDC 2026 (entre 8 e 12 de Junho, no Apple Park) fazem parte de uma estratégia mais ampla, centrada na plataforma Apple Intelligence, que combina processamento local com recursos na cloud para melhorar desempenho e privacidade.
Além disso, a Apple tem vindo a colaborar com modelos externos, incluindo o Gemini, para reforçar as capacidades da Siri e acelerar o desenvolvimento.
A ideia é recuperar terreno face à concorrência e tornar o iPhone uma plataforma central no ecossistema de inteligência artificial.
Mais personalização e controlo para o utilizador
Outra novidade relevante é o aumento do controlo por parte do utilizador. Será possível decidir quais os serviços de IA utilizados, configurar preferências e adaptar o comportamento da Siri às necessidades individuais.
Isto marca uma mudança importante na filosofia da Apple, tradicionalmente mais fechada, ao permitir uma maior flexibilidade dentro do seu ecossistema.
Lançamento com ambição e alguma pressão

Apesar do entusiasmo, estas mudanças surgem também num contexto de pressão. A Apple tem sido criticada por atrasos no desenvolvimento da nova Siri e por ficar atrás de concorrentes no campo da IA.
O lançamento previsto para 2026, possivelmente com o iOS 27, será por isso decisivo. Não se trata apenas de melhorar a Siri, trata-se de redefinir o papel da Apple na corrida pela inteligência artificial.
No entanto, resta saber se tudo isto vai funcionar como prometido ou se será mais um caso de ambição tecnológica a meio caminho da execução.
Porque, sejamos honestos, a Siri já nos habituou a grandes expectativas… e a respostas ligeiramente menos impressionantes.