O início de 2026 traz alterações significativas no setor das telecomunicações em Portugal, com a subida a entrar em vigor, em alguns casos, já este mês.
Com três das quatro principais operadoras a anunciarem aumentos de preços, os consumidores portugueses preparam-se para ver as suas faturas mensais subirem.
As operadoras justificam estas atualizações com os crescentes custos operacionais, incluindo despesas com energia, transporte, equipamentos de rede e serviços fornecidos pelos seus parceiros comerciais.
As atualizações anunciadas encontram-se previstas nos contratos dos clientes e seguem a taxa de inflação esperada para 2025, que deverá situar-se em torno dos 2,1% a 2,2%, segundo projeções do Banco de Portugal.
Os aumentos das telecomunicações são legais? Sim. As atualizações
anunciadas pelas operadoras estão previstas contratualmente e
baseiam-se na taxa de inflação, sendo consideradas legais. Não
constituem justa causa para rescisão do contrato por parte do consumidor.
Todos os clientes vão ser afetados pelos aumentos? Não. Existem
exceções em cada operadora, incluindo contratos recentes,
tarifários específicos (como pré-pagos e submarcas) e promoções especiais.
É importante verificar as condições específicas do seu contrato.
Posso mudar de operadora sem custos? Sim. Desde novembro
de 2025, as operadoras estão proibidas de cobrar qualquer valor
pela portabilidade, ou seja, pela mudança de operadora
mantendo o mesmo número.
A DIGI vai manter os preços durante todo o ano? Até ao momento,
a DIGI não anunciou aumentos para 2026. No entanto, convém
acompanhar as comunicações da operadora ao longo do ano.
Como posso saber se o meu tarifário vai aumentar? As operadoras
são obrigadas a comunicar aos clientes qualquer alteração de preços.
Deve receber uma notificação por carta, email ou através da área de cliente, conforme previsto no seu contrato.
Telecomunicações: operadoras que sobem preços
Embora estas atualizações estejam previstas contratualmente e sejam legais, não constituindo justa causa para rescisão do contrato, os consumidores devem estar informados e ativos na gestão dos seus serviços.
MEO: atualização prevista contratualmente
A MEO confirmou que irá proceder à atualização de preços contratualmente prevista, baseada nos valores da inflação.
Esta revisão anual está normalmente contemplada nos contratos dos clientes, permitindo à operadora ajustar as tarifas de acordo com as condições económicas.
No entanto, os tarifários das submarcas Uzo e Moche ficam de fora dos aumentos de preços, mantendo-se inalterados durante 2026.
Esta decisão protege principalmente os segmentos digital e jovem, que beneficiam de ofertas mais económicas através destas marcas.
NOS: atualização após ano de contenção
A NOS optou por não refletir os efeitos da inflação nos preços durante 2025, absorvendo internamente o aumento dos custos.
No entanto, face ao contexto de revisões significativas de preços em diversos mercados e ao agravamento contínuo dos custos do setor, a operadora decidiu avançar com atualizações em 2026.
Os novos preços da NOS entram em vigor a 1 de fevereiro de 2026 e aplicam-se aos seguintes serviços:
- Pacotes com televisão
- Tarifários móveis pós-pagos
- Tarifários fixos sem televisão (clientes particulares)
- Pacotes empresariais
- Tarifários móveis empresariais
- NOS Central Pro
A atualização dos preços incide sobre as mensalidades dos serviços e sobre as tarifas extra plafond, sendo calculada de acordo com o Índice de Preços do Consumidor anual de 2025 publicado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Vodafone: aumentos a partir de 9 de Janeiro
A Vodafone Portugal implementa as suas novas tarifas mais cedo, com os aumentos a entrarem em vigor a partir de 9 de janeiro de 2026.
A operadora afirma que esta atualização permitirá continuar a investir nas suas redes, produtos e serviços, ajustando as operações aos custos crescentes de manutenção de rede, inovação e qualidade de serviço.
Serviços excluídos dos aumentos
- Contratos novos ou renovações realizadas a partir de 11 de novembro (segmento particulares)
- Tarifários pré-pagos
- Tarifários mais recentes: RED All In, Yorn Chill e Yorn Net+
- Ofertas da Black Friday
Para clientes empresariais, a Vodafone garante que, no caso de novas adesões, refidelizações e upgrades de serviços, a atualização de preços não será aplicada durante os primeiros seis meses, ou seja, até 8 de julho de 2026.
DIGI: nova operadora com preços estáveis
A DIGI foi a única das quatro principais operadoras a não anunciar alterações de preços para 2026.
A operadora de origem romena, que entrou oficialmente no mercado português há um ano e adquiriu a Nowo em 2024, tem vindo a conquistar quota de mercado com a sua estratégia agressiva de preços baixos.
Os números revelam o crescimento sustentado da DIGI em Portugal. Na primeira metade de 2025, a operadora já servia 2,8% dos clientes de serviços em pacote em Portugal, o modelo mais representativo no consumo de serviços de telecomunicações, segundo dados da ANACOM.
Em termos de receitas, a empresa conseguiu captar 1,5% da faturação relativa ao mesmo tipo de serviços entre janeiro e junho.
Qual o valor do aumento das telecomunicações?

Embora os valores exatos dependam de cada contrato individual, os consumidores podem esperar aumentos na ordem dos 2,1% a 2,2%, em linha com a inflação prevista.
Para uma fatura mensal de 50 euros, isto representa um acréscimo aproximado de 1,10 euros por mês, ou cerca de 13 euros por ano.
É importante notar que a MEO, NOS e Vodafone aplicam estas atualizações de acordo com as condições específicas previstas em cada contrato, pelo que alguns clientes poderão verificar variações diferentes conforme o seu plano e a data de subscrição.
Como poupar nas telecomunicações
Face ao aumento generalizado dos preços, os consumidores portugueses dispõem de várias estratégias para minimizar o impacto no orçamento familiar.
1. Comparar ofertas entre operadoras. Com a entrada da DIGI e a manutenção dos seus preços, vale a pena analisar as diferentes propostas do mercado. A ANACOM disponibiliza ferramentas de comparação que facilitam esta análise.
2. Avaliar as necessidades reais. Muitos consumidores pagam por serviços que não utilizam. Rever o pacote contratado e ajustá-lo ao consumo efetivo pode gerar poupanças significativas.
3. Considerar as submarcas. As marcas Uzo (MEO) e Moche (MEO), assim como ofertas da Vodafone como Yorn, mantêm preços mais competitivos e ficam frequentemente excluídas dos aumentos.
4. Aproveitar promoções e campanhas. As operadoras lançam regularmente campanhas promocionais, especialmente em períodos como a Black Friday, que podem incluir garantias de preço fixo por determinado período.
5. Negociar com a operadora atual. Contactar o serviço de apoio ao cliente e manifestar intenção de mudar de operadora pode resultar em propostas de fidelização com condições mais vantajosas.
6. Portabilidade facilitada. Desde novembro de 2025, as operadoras estão proibidas de cobrar qualquer valor aos clientes que queiram mudar de operadora mantendo o mesmo número de telemóvel, tornando a mudança mais simples e económica.