Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
30 Jan, 2026 - 18:00

TeraWave: rival da Starlink que promete internet super rápida

Cláudia Pereira

Jeff Bezos apresenta a TeraWave, rede de satélites da Blue Origin que promete velocidades até 6 Tbps. Conheça o novo rival da Starlink que quer revolucionar a conectividade empresarial em 2027.

A guerra das estrelas acaba de ganhar um novo capítulo. Jeff Bezos decidiu entrar no ringue da internet espacial anunciando a TeraWave, uma constelação de satélites que promete deixar a Starlink de Elon Musk a ver navios. Ou melhor, a ver satélites.

A Blue Origin, empresa espacial fundada pelo multimilionário da Amazon, revelou planos para lançar 5408 satélites que prometem velocidades de até 6 terabits por segundo. Para colocar isto em perspetiva, a Starlink atual oferece cerca de 400 megabits por segundo. Sim, estamos a falar de números astronómicos mesmo antes de sair da atmosfera.

Como funciona a TeraWave

A estratégia da Blue Origin passa por fazer algo que a concorrência ainda não tentou em grande escala. A TeraWave vai operar em duas órbitas diferentes: 5280 satélites na órbita baixa da Terra (LEO) e 128 na órbita média (MEO). Esta arquitetura dupla é a chave para as velocidades impressionantes.

Os satélites em LEO vão comunicar através de frequências de rádio com velocidades simétricas de 144 gigabits por segundo. Já os satélites em MEO vão usar ligações óticas (lasers, basicamente) para atingir os tais 6 terabits por segundo. É como ter uma autoestrada normal e uma via expressa no espaço.

A interligação entre satélites acontece através de lasers, criando uma rede que minimiza a necessidade de estações terrestres em cada localização. Esta tecnologia não é novidade absoluta, mas a escala e a promessa de desempenho da TeraWave são inéditas.

Quem vai usar esta rede

Aqui está o detalhe interessante. Ao contrário da Starlink, que quer servir a todos, desde casas rurais a empresas, a TeraWave tem um público muito específico: empresas, governos e centros de dados. Nada de consumidores comuns, pelo menos por agora.

A Blue Origin identificou uma lacuna no mercado. Existe uma procura crescente por conectividade ultra-rápida e extremamente fiável. Quando uma empresa move terabytes de dados entre continentes ou quando um governo precisa de ligações seguras para operações críticas, não pode haver falhas.

Os setores alvo são a aviação, a defesa, a manufatura e as infraestruturas críticas. São clientes que precisam de ligações sempre ativas e que encaram interrupções breves como riscos inaceitáveis.

O calendário do projeto

A Blue Origin planeia começar o lançamento dos primeiros satélites no quarto trimestre de 2027, usando os seus próprios foguetes New Glenn. O desdobramento completo da constelação vai levar vários anos, mas a empresa já submeteu os pedidos de licença à FCC.

Este prazo coloca a TeraWave numa posição complicada. A Starlink já tem mais de 9000 satélites operacionais e cerca de nove milhões de utilizadores. A Amazon está a desenvolver o projeto Leo (antigo Kuiper) com mais de 3200 satélites planeados. Quando a TeraWave finalmente entrar em operação, o mercado já estará bem estabelecido.

Veja também Starlink: como ter internet por satélite em Portugal

A Rivalidade Bezos versus Musk

Jeff Bezos e Elon Musk têm uma rivalidade bem documentada no setor espacial. Quando a TeraWave foi anunciada, Musk não perdeu tempo e respondeu no X, afirmando que as ligações laser da Starlink vão ultrapassar as capacidades prometidas pela Blue Origin.

A verdade é que ambos estão a apostar em visões diferentes. A Starlink quer democratizar o acesso à internet de alta velocidade para qualquer pessoa no planeta. A TeraWave quer ser a espinha dorsal de infraestrutura para as empresas que movem o mundo digital.

Curiosamente, existe ainda outro rival no horizonte: a própria Amazon, que Bezos fundou mas já não gere. O projeto Amazon Leo também está a visar clientes empresariais, governamentais e de centros de dados. Isto significa que a Blue Origin pode estar a competir indiretamente com a empresa que tornou Bezos multimilionário.

O que isto significa para o futuro

A TeraWave representa uma aposta clara numa mudança de paradigma na infraestrutura de dados global. Com o crescimento explosivo da migração para a cloud, das cargas de trabalho de inteligência artificial e da colaboração em tempo real, a procura por largura de banda está a atingir níveis históricos.

As redes tradicionais, construídas principalmente em torno de fibra terrestre e submarina, não foram desenhadas para proporcionar desempenho sempre ativo face a estas exigências. A Blue Origin quer posicionar a TeraWave como uma camada complementar ou alternativa que oferece resiliência adicional.

Para regiões remotas, rurais e suburbanas onde caminhos diversos de fibra são caros ou tecnicamente inviáveis, a TeraWave promete conectividade de vários gigabits. Os terminais podem ser rapidamente instalados em qualquer parte do mundo e interfacear com infraestrutura existente de alta capacidade.

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