Luana Freire
Luana Freire
05 Dez, 2023 - 13:29

8 em 10 trabalhadores portugueses em risco de burnout

Luana Freire

O risco de burnout é uma realidade para cerca de 80% dos trabalhadores em Portugal. Saúde, e educação são áreas de destaque.

Um estudo do Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis concluiu que o risco de burnout está a afetar cerca de 8 em cada 10 trabalhadores no país, alertando que a intervenção no âmbito da saúde mental deve ser uma prioridade presente para as empresas.

Profissionais que atuam nas áreas da educação, saúde e administração pública são os mais afetados. De seguida, na lista dos trabalhadores em maior risco, estão os que trabalham nos setores do comércio e retalho, além dos transportes e da área social.

O estudo em causa destacou que é urgente que sejam trabalhadas as lideranças e desenvolvidas, pelas entidades patronais, estratégias com foco na gestão de conflitos.

Risco de burnout afeta maioria dos trabalhadores em Portugal

Durante a investigação do Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis foram analisados à volta de dois mil profissionais, das áreas já citadas e ainda da restauração, alojamento e indústria, entre outras.

Quase 80% dos trabalhadores apresenta riscos elevados de desenvolverem problemas do foro mental, apresentando pelo penos um sintoma de burnout.

Foram avaliadas diversas organizações em atividade no país e, de seguida, o foco recaiu sobre setores de atividade mais específicos. Os investigadores concluíram que alguns envolvem mais risco, face a outros.

Entre os fatores que desencadeiam a exaustão extrema dos profissionais foram destacadas esferas como exigência excessiva, psicológica ou física, relações tóxicas com colegas e/ou lideranças, e recursos – ou a falta deles.

A falta de reconhecimento e competências pouco ou mal aproveitadas podem, também, ser outros dos fatores que contribuem, gradativamente, para a instalação de um quadro de burnout.

Portugueses com sinais de exaustão extrema

Sintomas relacionados a a piora da qualidade do sono, mudança nos padrões de relacionamento interpessoal e baixa tolerância são identificados como forma de avaliar o risco de burnout.

Cerca de 80% dos trabalhadores analisados referiram ter, pelo menos, um sintoma de burnout – como irritabilidade, tristeza, exaustão e cansaço extremo, mas 63% afirmaram mesmo ter os três ao mesmo tempo.

Na análise, os trabalhadores referiram que, muitas vezes, não se sentem valorizados e que as gestões estão focadas mais nos resultados do que no bem-estar de quem presta serviços.

Como o burnout afeta o trabalhador?

O profissional em risco de burnout tem várias das áreas da sua vida afetadas. Na realidade, pessoas em situação de cansaço extremo têm a saúde laboral, física e social comprometidas.

O que poderia parecer ser um problema apenas do trabalhador, na realidade, afeta as empresas de forma expressiva. Uma das consequências do risco de burnout é o baixo rendimento do profissional, que apresenta uma redução no seu desempenho.

O profissional assume a tendência de trabalhar menos, com mais níveis de stress, cometendo mais erros e estando envolvidos em mais conflitos no ambiente laboral.

Intervenção e prevenção

O estudo refere que é crucial que as empresas estejam atentas às mudanças possíveis de realizar e às formas de intervenção no âmbito da saúde mental dos seus colaboradores. Foi destacado que o comprometimento do trabalho de um colaborador tende a influenciar, de forma negativa, o trabalho em equipa.

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