Miguel Pinto
Miguel Pinto
12 Fev, 2026 - 16:00

Ao volante do Polestar 2: silêncio, precisão e uma confiança rara

Miguel Pinto

Fomos para a estrada com o Polestar 2 e confirmar as qualidades que a marca apregoa. Venha conhecer a nossa apreciação.

Polestar 2 branco

Não se começa a viver o futuro no dia em que se experimenta o Polestar 2 MY26, mas anda lá perto. Ali, no meio da estrada, a ouvir silêncio total e, de repente, a achar-se normal ter toda aquela potência sem barulho. Estranho? Um pouco. Bom? Sem dúvida.

Este Polestar 2 MY26 (sim, a mais recente evolução do elétrico sueco) não é só uma atualização cosmética. É tipo alguém que repensa o carro desde a raiz. Desde desempenho, condução, tecnologia, materiais, tudo passa por um filtro feito para agradar a gente que gosta de conduzir, mas sem ser antiquado.

Mal se vê o Polestar 2 MY26 estacionado junto a outros elétricos premium dá para perceber logo que não é o “mesmo de sempre”. A linha é limpa, sem frescuras exageradas. Parecido com um fastback, mas com presença discreta, certeira.

A frente é minimalista (porque, vamos lá, grelha fake já não é original), e a traseira com barra luminosa contínua dá aquele toque de assinatura. À noite? Está ali. Não desfila, mas distingue-se.

Polestar 2: potência e autonomia também interessa

O MY26 vem com várias opções de motorizações, mas a estrela é a configuração Dual Motor com Performance Pack. Dois motores, tração às quatro rodas e aquele empurrão instantâneo típico dos elétricos. 0-100 km/h? Sub-4,5 s, sem fazer barulho nenhum. E isso mexe com o estômago, acredite.

Bateria de alta capacidade (cerca de 82 kWh) e autonomia realista que, em condições reais, ronda os 540 km no ciclo WLTP (não obstante os mais de 600 anunciados). Mesmo assim dá para ir do Porto a Lisboa sem carregar e ainda dar umas voltas pela capital.

Carregamento rápido em corrente contínua? Está lá. Até cerca de 205 kW. Ou seja, 10% para 80% em algo próximo de 30 minutos. Dá uma volta rápida à estação, toma um café e já está.

Por dentro, simples mas inteligente

interior do Polestar 2

O interior é, como dizer, escandinavo. Sem truques. Sem botões à toa. Um grande ecrã vertical de 11,2” domina o tablier, com Android Automotive integrado. Google Maps, Assistant nativo, appsm tudo sem ter de colar o telefone. Mas o CarPlay também aparece se quiser.

Materiais? Não faltam escolhas sustentáveis e, sim, algumas opções finas como pele Nappa ventilada. A sensação geral é de espaço aberto, simples e funcional, mas não frio.

E espaço interior? Quatro adultos viajam confortavelmente. A bagageira principal anda perto dos 405 litros, com um extra na frente para cabos e pequenos itens. É prático sem se tornar gigante.

Equilíbrio genuíno ao volante

Conduzir o Polestar 2 MY26 é deveras interessante. A direção é direta e o carro sente-se firme. Não é um “super-carro” leve, claro que não. O peso das baterias conta, mas tem equilíbrio. Muito equilíbrio.

Com o Performance Pack, os amortecedores Öhlins ajustáveis fazem toda a diferença, firmes quando são precisos, confortável quando a estrada acalma. Sobe a serra? Vai. Balanceio? Reduzido. Resposta? Imediata.

Dentro da cidade, modalidade de condução com “one-pedal” facilita muito a vida, com acelerador para frente, e ele controla boa parte da travagem. Depois de uns quilómetros, entranha-se.

Segurança e assistências no ADN

Polestar e Volvo partilham sangue. Isso significa sistemas de segurança que não são acessório, como cruise control adaptativo, alertas de colisão, assistente de manutenção na faixa ou monitorização de ângulo morto. É tecnologia madura, testada, útil.

Mas o Polestar 2 MY26 não vive na sombra da Volvo. Tem personalidade própria, menos austera, mais direta. E isso nota-se na estrada.

Preço em Portugal

traseira do Polestar2

Em Portugal, o Polestar 2 MY26 joga no campeonato dos elétricos premium. Custos? Não são pequeninos. Mas alinham com outras propostas idênticas do mercado. Começa nos 43 mil euros. Não é barato, mas a qualidade paga-se.

O Polestar 2 define-se menos pelo luxo exagerado e mais pela coerência, com bom desempenho, tecnologia madura e um conjunto que funciona sem pequenos tiques irritantes.

E no fim das contas, vale a pena?

Se a resposta for “quero um elétrico que combine condução divertida, autonomia prática e tecnologia que não dá dores de cabeça”, então o Polestar 2 MY26 merece, pelo menos, um lugar na sua shortlist.

Não é perfeito (visibilidade traseira podia ser melhor, falta ali e acolá um botão físico que sentimos falta), mas é um elétrico coeso, adulto (sim, adulto), que já não está a aprender a andar. Já corre.

E por isso, está aqui um rival que não pede licença nem desculpas. E, na estrada, isso sente-se, mesmo em silêncio.

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