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Drave: uma viagem pela aldeia mágica abandonada

Drave é uma aldeia abandonada que faz parte do Geoparque de Arouca. Conheça o trilho que chega até ela e deslumbre-se com um lugar perdido no tempo.

Drave: uma viagem pela aldeia mágica abandonada
Conheça esta aldeia encaixada nas montanhas

Há 10 anos que Drave é uma aldeia desabitada. Pertencente ao Geoparque de Arouca, fica numa cova entre as serras da Freita, de São Macário e da Arada. Trata-se de uma aldeia típica, com casas de pedra lousinha e cobertura de xisto.

É verdadeiramente uma zona parada no tempo: não é acessível de carro (é necessário percorrer um trilho de cerca de 4 quilómetros com início em Regoufe), não tem eletricidade, água canalizada, saneamento, gás, correio, telefone e quase não tem rede móvel. Não há lojas e os relógios não fazem muito sentido por ali.

Mas é de facto um lugar mágico, onde é possível testemunhar como se vivia nas regiões mais recônditas do país, acabando também por constituir um espelho daquilo que tem vindo a ser a progressiva desertificação do país. Drave é uma viagem que não vai esquecer, até porque a envolvente é absolutamente encantandora.

Drave: roteiro na aldeia mágica


drave roteiro na aldeia magica

A primeira referência a Drave remonta ao século XIV, ao reinado de D. Dinis. Esta aldeia fica no centro de uma formação montanhosa, conhecida como monte Fuste. Este monte divide as bacias hidrográficas, do Douro e Vouga, estando delimitado pelos rios Arda, Sul, Vouga e Paiva. A zona é caraterizada por blocos de granito ou xisto que são visíveis na paisagem.

Este lugar está a cerca de 600 metros de altitude, cercado por altas montanhas. Os socalcos das suas encostas são usados para fins agrícolas (uma vez que a terra é fértil devido aos rios e ribeiras que descem as encostas). Já as encostas em declive apresentam um manto vegetal, com espécies arbustivas e herbáceas rasteiras.

O rio de Drave nasce da confluência do rio de Palhais, do Ribeirinho e do ribeiro da Bouça e segue um percurso de 5 quilómteros, até encontrar o rio Paivó, um dos afluentes do Paiva. Nesta região, o povoamento é disperso e está quase desertificado.

A aldeia mais próxima de Drave é Regoufe, que fica a cerca de 4km de distância. Da mesma freguesia, fazem ainda parte os lugares de Covelo de Paivó, a mais de 10km da aldeia.

PR14: Aldeia Mágica – o trilho para Drave

O trilho até Drave começa depois da ponte e tem um nível de dificuldade baixo. O percurso demora cerca de duas horas e tem grande exposição solar, pelo que deve ir munido de chapéu e água.

No início, conte com uma subida bastante acentuada, em terreno pedregoso. No cimo, conseguirá uma vista privilegiada sobre Regoufe, a serra e os montes pontuados de xisto e granito. A seguir, vá por uma estrada de rocha e desça até Drave.

À medida que se vai aproximando de Drave, irá ficar maravilhado com a beleza deste cenário que parece esquecido e perdido na memória. As casas em ruína e outras em recuperação, a capela, o solar e os restos de uma adega.

Desça até à Ribeira de Palhais e aproveite a sombra e as piscinas naturais e as cascatas. Descanse e faça um piquenique para retemperar forças e energias e preparar-se para a viagem de regresso.

Drave

Dicas e sugestões

  • Deixe o carro no largo, antes de descer para a aldeia de Regoufe;
  • Use sapatilhas confortáveis;
  • Leve água e snacks para um piquenique junto à lagoa;
  • Vá prevenido com chapéu e casaco.

Pontos de interesse

  • Na zona mais baixa, à entrada do aglomerado, há dois espigueiros de grandes dimensões que serviam toda a aldeia.
  • Ao longo da encosta, as casas de habitação, predominantemente de xisto, possuem anexos destinados à agricultura como palheiros, currais, espigueiros e azenhas.
  • No centro da aldeia de Drave, fica a Capela de Nossa Senhora da Saúde, revestida a cal e com telhado de telha cerâmica.
  • O Solar da Drave trata-se de uma casa com balcão e dois pisos, cujo piso superior é revestido a cal.

Curiosidades

  • A festividade mais importante desta aldeia é a Festa de Nossa Senhora da Saúde, que acontece no dia 15 de agosto. Além da Eucaristia, há uma procissão e um piquenique.
  • Uma das famílias mais antigas e numerosas da aldeia de Drave é a família Martins, a última, inclusive, a abandonar este lugar. Contudo, de 2 em 2 anos, os membros desta família fazem questão de se reunir neste local que serviu de residência durante vários séculos.
  • Em 2003, o Corpo Nacional de Escutas abriu em Drave a sua Base Nacional da IV/Drave Scout Centre, um centro escutista para caminheiros (escuteiros entre os 18 e os 22 anos). Este centro recebe anualmente milhares de caminheiros portugueses e estrangeiros que, neste espaço, colaboram na reconstrução e manutenção da aldeia.

Drave

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