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Clara Cardoso Barreiros
Clara Cardoso Barreiros
31 Out, 2018 - 15:56

Autores contemporâneos portugueses que tem mesmo de ler

Clara Cardoso Barreiros

As chuvadas do outono convidam a um serão mais calmo, na companhia de um livro destes autores contemporâneos portugueses. Saiba quem são.

Autores contemporâneos portugueses que tem mesmo de ler

Finalmente que o outono começa a dar de si. Os vendedores ambulantes de castanha assada já se puseram nas ruas, as primeiras chuvas começaram a cair e o frio, sorrateiro, vai-se infiltrando aos poucos nas casas. A vontade de sair do quentinho é cada vez menos, tal como as horas de sol. A altura perfeita para nos dedicarmos à leitura. Porque não conhecer autores contemporâneos portugueses e o que da nossa língua se é capaz de fazer?

Uma pista: felizmente, faz-se bastante, e faz-se bem. Se gosta de histórias bem contadas, da mistura indiscernível entre realidade e ficção, de momentos de reflexão, então tem mesmo de se entregar aos livros destes escritores.

5 autores contemporâneos portugueses absolutamente imperdíveis

Afonso Cruz

Nascido em 1971, na Figueira da Foz, Afonso Cruz é um artista de vários ofícios, pois além de se dedicar à escrita, é ainda ilustrador, cineasta e músico. Mas voltando à vaca fria, que são os livros, há aqui dois títulos que recomendamos a quem começa a explorar este autor: Para Onde Vão os Guarda-Chuva (2013) e Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012).

O primeiro conta a história de Fazal Elahi e da sua família, tecendo uma narrativa triste, bela, cómica e trágica, que nos interpela e atropela com reflexões. Não é por acasao que é considerado dos melhores, se é que não o melhor, do autor. O segundo é uma tragédia rural, muitíssimo inteligente. A história passa-se algures numa aldeia do Alentejo, que se viu transformada em Jerusalém, por causa de uma rapariga e da sua avó. E no meio desta realidade paralela, lemos sobre aquilo que é transversal à condição humana: amor (e cerveja).

 

Isabel Rio Novo

Isabel Rio Novo é uma mulher do Porto, da casta de 1972, e é professora universitária de Escrita Criativa e outras cadeiras de literatura e cinema. É, portanto, uma pessoa muito versada. Mas vamos ao que interessa: os livros. A autora já escreveu contos, romances e novelas, mas hoje queremos falar-lhe num título em particular – Rio do Esquecimento (2015).

A história passa-se no Porto de meados do século XIX. Miguel Augusto, sentindo a morte aproximar-se, regressa do Brasil, onde enriqueceu, para assumir a sua filha e fazer dela sua herdeira. A rapariga logo arranja casório, mas o noivo está apaixonado pela mulher de um amigo. E depois há a governanta da Casa das Camélias, cheia de maldade, que urde uma teia de traição, vingança e morte.

 

Gonçalo M. Tavares

Claro, tínhamos que incluir um dos mais reconhecidos autores contemporâneos portugueses que por cá andam. Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970 e desde 2001 que é publicado, tendo obras traduzidas em mais de 50 línguas. A mais famosa é Jerusalém (2004), mas hoje recomendamos Aprender a Rezar na Era da Técnica (2007).

Lenz Buchman, o nosso protagonista, é um cirurgião que decide dedicar-se à vida política, pois o objetivo mais nobre da vida de uma pessoa é, desde a sua óptica, ser superior aos demais, dominar. Por isso, humanismo e sentimentos como compaixão e solidariedade são sinais de fraqueza, uma falha de carácter a partir de qual o indivíduo se torna facilmente manipulável. E mais não dizemos, para não estragar a leitura. Mas convença-se que este é um livro obrigatório. E apesar de ser o último volume de uma tetralogia, a verdade é que pode ser lido individualmente sem perder pitada.

 

João Tordo

Também de 1970, temos o escritor João Tordo, que já publicou 11 romances. E da larga obra que pode ficar a conhecer, sugerimos Ensina-me a Voar Sobre os Telhados (2018). O narrador, um coordenador pedagógico de uma escola qualquer, é uma pessoa muito sofrida: primeiro, tem de lidar com a surdez do seu filho, depois, ainda é deixado pela mulher, torna-se alcoólatra e sente-se entediado com o rumo que tomou a sua vida.

Certo dia, por causa do suicídio de um professor, começa a organizar umas reuniões que são quase de auto-ajuda, onde conhece Henrique Tsukuda, o segundo protagonista deste livro. Não avançaremos mais, mas fique desde já avisado de que se trata de um livro triste, e por vezes complexo de ler, devido ao número de personagens.

 

Filipa Martins

Last but not least, na lista de autores contemporâneos portugueses, temos Filipa Martins, a única desta lista que nasceu depois da década de 1970, mais precisamente em 1983, lisboeta e jornalista de profissão. Dos poucos livros que temos no mercado da escritora, sublinhamos o último que saiu, Na Memória dos Rouxinóis (2018). Jorge Rousinol, um matemático galego, defende que esquecer é o melhor remédio para os males da humanidade, melhor do que perdoar. Mas, apesar da sua tese, ao aproximar-se da hora da morte, Rousinol encomenda a sua biografia a uma editora.

Mas o que é que terá levado um homem das ciências exactas, pragmático, a ir contra a sua ideia mais aguerridamente defendida? Como é que Nino, o biógrafo, conciliará as memórias de Rousinol com as memórias que os outros têm dele? E como é que isso se reflete na sua vida pessoal? Resumindo, se não leu, tem de ler.

 

Esperamos que se sinta desafiado a explorar estas e outras obras dos autores contemporâneos portugueses que lhe trouxemos. Boas leituras!

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