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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
13 Out, 2020 - 18:07

Qual crise? Bilionários ficam ainda mais ricos durante a pandemia

Mónica Carvalho

Apesar da crise provocada pela pandemia, a fortuna dos bilionários mundiais aumentou 27% entre abril e junho e está agora muito perto dos 9 biliões de euros.

mais ricos bilionários pandemia

A riqueza dos bilionários mundiais – homens e mulheres com fortunas superiores a mil milhões de dólares – atingiu um novo recorde este ano, apesar da crise global provocada pelo novo coronavírus.

Enquanto que para a maioria das pessoas a pandemia foi sinónimo de perda de rendimentos, e muitas vezes do próprio emprego, este grupo restrito de super-ricos viu a sua fortuna crescer mais de um quarto (27,5%), só entre abril e junho.

Esta é a conclusão de um relatório do banco suíço UBS em parceria com a consultora PwC, segundo o qual, pela primeira vez, a fortuna dos bilionários chegou aos 10,2 triliões de dólares (na escala americana), o que corresponde a mais de 8,6 biliões de euros.

O novo recorde foi atingido em julho e supera por larga margem o anterior de 8,9 triliões de dólares, registado em finais de 2017.

O mesmo relatório destaca, no entanto, que os bilionários estão também mais generosos e que “estão a doar mais dinheiro agora do que em qualquer outra altura da história”.

Fortunas a polarizar-se com INOVADORES EM ASCENSÃO

Elon_Musk
Fonte: Wikimedia Commons. Elon Musk é um dos bilionários cuja fortuna aumentou durante a pandemia.

De acordo com o relatório “as fortunas estão a polarizar-se” e ao que parece tudo depende do lado da fronteira que se ocupa entre a nova e a velha economia.

Enquanto que os “inovadores e disruptores”, ligados geralmente às novas tecnologias, vêem a sua fortuna aumentar, os bilionários mais tradicionais, aqueles que estão “do lado errado das tendências económicas, tecnológicas, sociais e ambientais” estão a perder terreno e a tornar-se menos ricos (entre os muito ricos).

“A crise da COVID-19 veio apenas acentuar essa divergência”, diz o documento.

Entre os disruptores que mais prosperaram nos últimos anos está, por exemplo, Elon Musk, o economista e físico por trás da Tesla e SpaceX, duas empresas “pioneiras no mercado de carros elétricos e viagens espaciais privadas” respetivamente. Tem uma fortuna estimada em 93,1 biliões de dólares, de acordo com a Forbes.

Outro dos nomes apontados é o de Zhong Huijhan, uma ex-professora de química e CEO da Hansoh Pharmaceutical, que se destaca como a pessoa mais rica na área da saúde e cuja fortuna está avaliada em 20,3 biliões de dólares.

Da lista constam ainda Frank Wang, fundador e CEO da maior fabricante mundial de drones comerciais, com uma fortuna estimada de 4,8 biliões de dólares, e Patrick Collison, um programador irlandês que fundou a plataforma de software Stripe, com uma riqueza avaliada em 3,2 biliões de dólares.

COVID-19: quem tem doado mais dinheiro?

Segundo o relatório, muitos bilionários entenderam a urgência do momento, doando “mais dinheiro do que nunca no espaço de poucos meses”.

A pesquisa da UBS em parceria com a PwC revelou que 209 bilionários se comprometeram publicamente a doar um total equivalente a 7,2 biliões de dólares (cerca de seis mil milhões de euros), de março a junho de 2020.

Este valor não é só financeiro, contemplando também a entrega de bens materiais, nomeadamente de Equipamentos de Proteção Individual, ou até de tratamentos para a COVID-19.

Entre os mais generosos estão os bilionários dos Estados Unidos da América cujas doações superaram os 4,5 milhões de dólares, seguidos dos beneméritos chineses, com apenas 678,8 milhões de dólares em doações.

MercadoNúmero de bilionários beneméritosDoações (milhões de dólares americanos)
EUA984.578,6
China12678,8
Índia9541
Austrália2324
Reino Unido9297,5

Para toda a gente, bilionários ou não, 2020 será recordado certamente como um ano sem precedentes e um dos mais transformadores da história contemporânea.

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