Miguel Pinto
Miguel Pinto
01 Abr, 2026 - 13:00

Botija de gás volta a subir. Aumento pode chegar aos 15 euros

Miguel Pinto

Vem aí mais um aumento a sério no gás. As garrafas de 45 quilos podem custar mais até 15 euros. As de 13 quilos disparam mais 3 euros.

botijas de gás

O preço da botija de gás em Portugal prepara-se para um novo aumento significativo em 2026, com subidas que podem atingir os 15 euros por unidade, agravando ainda mais o custo de vida das famílias.

Assim, uma botija de 45 quilos deverá subir cerca de 15 euros e a de 13 quilos terá um aumento de três euros. Atualmente, uma botija de gás butano custa, em média, entre 30 e 34 euros, podendo ultrapassar esse valor dependendo da zona e do fornecedor. Em Espanha custa cerca de metade.

Gás: por que é que o preço está a subir?

Não há um culpado simples, não obstante haver algumas situações (como a guerra) que pesam mais do que outras. É um cocktail de fatores, todos pouco simpáticos e que contribuem para o aumento da fatura familiar.

Aumento do preço das matérias-primas

O gás engarrafado deriva do petróleo e os mercados internacionais têm estado instáveis, com subidas relevantes nos preços de referência.

Tensões geopolíticas

Conflitos internacionais têm pressionado o custo da energia, com impacto direto no GPL (gás de petróleo liquefeito).

Custos logísticos e de distribuição

Transporte, armazenamento e distribuição continuam a subir, o que eleva os custos junto do consumidor final

Carga fiscal elevada

Em Portugal, mais de 10 euros do preço de uma botija correspondem a impostos, incluindo IVA e ISP.

Apoios para mitigar o aumento

gás de botija mais caro em portugal

Há alguns mecanismos que podem permitir suavizar este impacto no orçamento familiar.

Botija de Gás Solidária

A Botija de Gás Solidária é um apoio que atualmente garante 15 euros por botija, embora o Governo esteja a ponderar um aumento temporário para 25 euros devido à recente escalada de preços no mercado energético. Esta medida dirige-se especificamente a beneficiários da tarifa social de energia e a famílias que recebem prestações sociais mínimas.

O gás engarrafado continua a ser uma fonte de energia essencial para muitas famílias portuguesas, especialmente em zonas onde não existe rede de gás natural canalizado. Serve para cozinhar, aquecer água e, em muitos casos, também para aquecer as habitações durante os meses mais frios.

Quando os preços sobem desta forma, o peso da energia no orçamento familiar cresce de forma exponencial. Isto agrava aquilo a que se chama pobreza energética, uma situação em que as famílias não conseguem assegurar níveis adequados de conforto térmico e de energia em casa e torna muitos agregados cada vez mais dependentes de apoios públicos para conseguirem suportar estas despesas básicas.

Este cenário torna-se ainda mais preocupante quando se considera que os preços do gás já tinham registado uma subida de cerca de 36% nos últimos anos, pressionando ainda mais os orçamentos das famílias mais vulneráveis.

O que esperar nos próximos meses?

A tendência não é propriamente animadora. Prevêem-se novos ajustamentos de preços, ao mesmo tempo que a volatilidade dos mercados enérgicos continuará a ser uma entropia no mercado.

A verdade é que o aumento do preço da botija de gás em 2026 confirma a realidade de que a energia continua a ser um dos principais fatores de pressão no orçamento das famílias portuguesas.

Entre mercados internacionais, impostos e custos logísticos, o consumidor final tem pouca margem de manobra. Resta acompanhar os apoios disponíveis e, sempre que possível, otimizar consumos.

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