Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
23 Abr, 2026 - 14:00

Compras online: os 7 erros que põem o seu dinheiro em risco e os como evitar

Cláudia Pereira

Descubra os 7 erros mais comuns nas compras online que podem custar-lhe centenas de euros. Saiba como proteger o seu dinheiro e comprar com segurança em Portugal.

As queixas sobre compras online dispararam em Portugal. O Portal da Queixa registou 36.940 reclamações relacionadas com compras online até meados de outubro de 2025, um aumento de 64% face ao mesmo período do ano anterior. Mais preocupante ainda: um em cada quatro portugueses já foi vítima de fraude digital.

Os números são alarmantes, mas a boa notícia é que a maioria destas situações pode ser evitada. O problema não está apenas nos sites fraudulentos, mas, muitas vezes, nos pequenos erros que cometemos todos os dias e que podem transformar uma compra simples num pesadelo financeiro.

7 erros que deve evitar

1.

Usar o cartão de crédito principal em qualquer site

Este é o erro mais caro que pode cometer. Guardar os dados do seu cartão em dezenas de sites diferentes multiplica exponencialmente o risco de exposição.

Quando uma plataforma sofre uma violação de dados, os números do seu cartão ficam expostos. E não estamos a falar de sites obscuros. Grandes retalhistas e plataformas conhecidas já foram alvo de ataques informáticos que comprometeram milhões de dados de clientes.

A solução são os cartões virtuais MB NET, acessíveis através do MB WAY, são a ferramenta mais segura para compras online em Portugal. Estes cartões temporários permitem pagar compras online sem nunca partilhar os dados do cartão físico com o comerciante.

Pode criar três tipos de cartões virtuais: para compra única (válido dois meses), para várias compras no mesmo comerciante (válido 12 meses), ou para pagamentos recorrentes de subscrições. Ao usar um cartão virtual de compra única com o valor exato da encomenda, mesmo que o site seja comprometido, os dados expostos já não servem para nada.

2.

Ignorar os 14 dias de direito de devolução

Muitos consumidores portugueses não sabem que têm um direito garantido por lei que pode evitar prejuízos financeiros significativos. O direito de livre resolução permite ao consumidor desistir da compra num prazo mínimo de 14 dias, sem necessidade de justificar. O prazo conta a partir do dia em que o consumidor recebe o bem.

Este direito aplica-se exclusivamente a compras online, não a compras físicas em loja. E não é um favor do vendedor, é lei. O Decreto-Lei n.º 24/2014 obriga todas as lojas online a aceitar devoluções neste período, desde que o produto esteja em condições de ser devolvido. Existem exceções: produtos personalizados, conteúdos digitais cujo selo foi aberto, ou artigos de higiene não podem ser devolvidos por arrependimento.

Por isso, logo que receber uma encomenda, teste-a nos primeiros dias. Se não corresponder ao esperado, comunique a devolução por escrito (email serve) dentro dos 14 dias. O vendedor deve reembolsar todos os pagamentos recebidos, incluindo os custos de entrega padrão, no prazo de 14 dias após ser informado da resolução.

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3.

Não verificar quem está do outro lado

67% dos consumidores portugueses admitem ter evitado, pelo menos ocasionalmente, determinadas plataformas ou lojas online por receio de fraude. O problema é que muitos só desconfiam quando já é tarde demais.

Sites fraudulentos estão cada vez mais sofisticados. A crescente digitalização, incluindo o uso de inteligência artificial generativa, intensificou o risco de golpes e fraudes altamente convincentes e realistas.

Sinais de alerta que podem poupar centenas de euros

Preços absurdamente baixos são a isca mais comum. Um produto que custa 200 euros em todo o lado e aparece a 50 euros num site desconhecido é quase certamente fraude.

Sites sem informação institucional clara são outro sinal vermelho. Uma loja online legítima em Portugal deve ter número de contribuinte, morada física, dados de contacto telefónico e email, e termos e condições publicados. A ausência destes elementos é um enorme sinal de alerta.

Métodos de pagamento suspeitos também devem fazer disparar todos os alarmes. Transferências bancárias diretas para IBANs de particulares, pagamentos via Western Union ou MoneyGram, ou pedidos de pagamento por cartões pré-pagos são táticas clássicas de fraude.

4.

Guardar métodos de pagamento nas contas das lojas

A comodidade tem um preço. Quando guarda o seu cartão numa conta de loja online, está a confiar que essa plataforma vai proteger eternamente os seus dados. Está também a facilitar compras impulsivas e não autorizadas. Se alguém conseguir acesso à sua conta (password fraca, phishing, violação de dados), pode fazer compras em segundos com o cartão já guardado. Não terá tempo de reagir antes de o dinheiro sair da conta.

Por isso, pague manualmente em cada compra usando MB WAY ou cartões virtuais. Demora mais 20 segundos, mas cada compra exige autenticação explícita no telemóvel. Mesmo que alguém roube a sua password da loja, não consegue comprar nada sem acesso físico ao seu telemóvel.

Com o MB WAY a segurança está garantida, uma vez que não existe partilha de dados bancários entre o consumidor e o comerciante. Todas as operações são validadas com PIN ou Touch ID, criando uma camada extra de proteção.

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5.

Clicar em links de promoções recebidas por email ou SMS

Esta é a porta de entrada para a maioria das fraudes online em Portugal. Quase metade dos inquiridos conhece alguém que já foi vítima de burla online.

A táctica é sempre a mesma: recebe um email ou SMS com uma promoção irresistível de uma marca conhecida. Clica no link e é levado para um site que parece legítimo. Faz login com as suas credenciais ou introduz dados de pagamento. Mensagens falsas da CTT sobre encomendas paradas, emails do Continente sobre pontos VIP a expirar, ou promoções exclusivas da Amazon são alguns dos esquemas mais comuns.

O importante é nunca clicar em links de emails ou SMS sobre compras ou encomendas. Aceda sempre ao site oficial digitando o endereço no browser ou através da app oficial. Verifique sempre o remetente real do email. Fraudadores usam endereços parecidos com os oficiais, mas com pequenas diferenças que passam despercebidas à primeira vista.

6.

Comprar em sites sem HTTPS e certificado válido

Parece técnico, mas é simples de verificar e pode evitar que roubem diretamente os seus dados bancários enquanto compra. Quando introduz dados de pagamento num site sem encriptação HTTPS, está a enviar informação em texto simples pela internet. Qualquer pessoa com conhecimentos básicos de informática pode intercetá-la.

Olhe para a barra de endereços do browser. O endereço deve começar por “https://” e não apenas “http://”. O “s” significa “seguro”. Deve aparecer um cadeado ao lado do endereço. Clique nele para ver o certificado de segurança. Se der erro ou aviso, não compre.

Sites de comércio online na União Europeia com sistemas de pagamento certificados devem ter o protocolo 3D Secure ativo. Quando um site é 3D Secure apresenta as denominações Verified by Visa, SecureCode e SafeKey.

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7.

Não documentar nada

Este erro não causa prejuízo imediato, mas pode impedir que recupere o seu dinheiro quando algo corre mal. Quando há um problema com uma compra online, precisa de provas. Sem documentação, fica em desvantagem total perante a loja, o banco, ou entidades de resolução de conflitos.

Deve sempre guardar capturas de ecrã da página do produto no momento da compra, incluindo preço, descrição e condições de entrega e email de confirmação da encomenda com todos os detalhes. Não apague estes emails, mesmo depois de receber o produto, pois os sites podem alterar informações depois.

O comprovativo de pagamento do banco e as comunicações escritas com a loja também devem ser guardados, pois, podem ser usados como prova. Fotografias do produto à chegada, especialmente se vier danificado ou diferente do anunciado também devem ser guardados.

O que fazer se já perdeu dinheiro

Se caiu numa fraude ou teve um problema sério com uma compra online, ainda pode tentar recuperar o dinheiro.

Contacte imediatamente o banco e bloqueie o cartão se foram feitas transações não autorizadas. Quanto mais rápido agir, maior a probabilidade de travar pagamentos pendentes.

Faça queixa às autoridades. Pode apresentar queixa à PSP, GNR ou Polícia Judiciária. Para fraudes bancárias, contacte também o Banco de Portugal através do Portal do Cliente Bancário. Reúna todas as provas disponíveis. Emails, mensagens, capturas de ecrã, extratos bancários. Quanto mais documentação tiver, melhor.

Comprar online não tem de ser arriscado

63% dos portugueses aumentaram as compras online nos últimos dois anos. O comércio eletrónico veio para ficar, e pode ser seguro se souber proteger-se.

Os sete erros descritos neste artigo são responsáveis pela maioria dos prejuízos financeiros em compras online. Evitá-los não exige conhecimentos técnicos avançados, apenas atenção e bom senso.

O medo da fraude não deve impedir que aproveite a comodidade e as vantagens das compras online. Mas a confiança cega também não. O equilíbrio está em comprar de forma informada, protegida e consciente dos riscos.

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