Assunção Duarte
Assunção Duarte
27 Mai, 2019 - 11:49
Facebook restringe live streaming após ataque terrorista

Facebook restringe live streaming após ataque terrorista

Assunção Duarte

Facebook restringe live streaming após ataque terrorista de Christchurch que, no passado mês de Março, foi emitido em direto na sua rede social.

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O Facebook restringe live streaming já a partir deste mês e vai investir 7,5 milhões de dólares em tecnologia de ponta que permita identificar de forma automática e mais rápida conteúdos que não respeitem as regras da plataforma.

Os primeiros visados são as organizações e os indivíduos considerados perigosos e que espalham propaganda terrorista nesta rede social com mais de 2 bilhões de utilizadores ativos por mês.

O principal motor de mudança na política de gestão da publicação de vídeo em direto está no facto do ataque terrorista à mesquita da Nova Zelândia, que vitimou cerca de 50 pessoas, ter sido transmitido no Facebook em tempo real durante 17 minutos.

A emissão deste vídeo online só foi reportada à plataforma 12 minutos depois de ter sido transmitida e, apesar do Facebook ter bloqueado imediatamente a conta do emissor, não conseguiu travar cerca de 20% dos uploads que foram feitos do mesmo vídeo ou de partes dele por outros utilizadores da plataforma que os utilizaram para reforçar os seus ideias racistas e de anti-imigração.

A empresa afirma que empreendeu todos os esforços possíveis, recorrendo a equipas humanas que trabalharam lado a lado com os algoritmos de inteligência artificial de pesquisa para travar a propagação das imagens, mas passadas 12 horas do primeiro upload ainda foi possível encontrar vários desses vídeos online nesta plataforma e noutras como Youtube e Instagram. Este foi um claro sinal de alerta para o Facebook de que alguma coisa tinha mesmo de mudar.

Facebook restringe live streaming: como controlar tantos dados?

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A tragédia de Christchurch não foi a primeira a ter honras de emissão em direto na rede social mais famosa do mundo. Já em 2017 um homem tinha assassinado outro em direto no Facebook o que levou a plataforma de Zuckenberg a contratar mais de três mil pessoas com o objectivo de travar a propagação de vídeos com crimes violentos ou homicídios dentro da rede. Mas esta equipa veio a revelar-se insuficiente para o caso Neozelandês. E porquê?

Atualmente, ainda não parece ter sido criada uma tecnologia eficiente que consiga remover de forma automática e eficaz este tipo de conteúdo do live streaming sem que primeiro seja identificado pelos chamados moderadores humanos. Aparentemente, só os seres humanos conseguem distinguir eficazmente o que é conteúdo terrorista ou não.

Quando esse controlo é feito por inteligência artificial ainda apresenta inúmeras falhas. E os moderados humanos, estão literalmente enterrados na montanha de informação que é colocada hora a hora no Facebook.

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Segundo a empresa, a plataforma gera cerca de 4 novos petabytes (PB) de dados por dia. Se tivermos em conta que um 1 PB tem 1,024 Terabytes e cerca de um milhão de Gigabytes é fácil de perceber de que tipo de montanha estamos a falar.

Facebook restringe live streaming: bloquear contas e apagar conteúdos

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A pressão internacional criada em torno dos acontecimentos de Christchurch nos dois últimos meses conseguiu reunir consensos políticos e empresariais que talvez mudem a forma como o Facebook vai enfrentar esta montanha de dados.

Não é alheio a esta pressão o protagonismo que a Primeira Ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern tem vindo a ganhar nesta campanha, e o seu apelo especial, feito às empresas de tecnologia, para que estas assumam um compromisso sério, independentemente dos custos, no combate aos conteúdos tóxicos que são divulgados nas redes sociais.

Para já o Facebook parece ter aceite este apelo. As primeiras mudanças aparecem já este mês com a primeira restrição a aparecer no live streaming, onde qualquer vídeo identificado como não cumprindo as regras será barrado, sendo esse bloqueio estendido aos outros conteúdos publicados nessa conta, mesmo sem ser via vídeo.

O processo inverso também poderá acontecer e irá afectar também a área de criação de anúncios. O objectivo é bloquear os conteúdos em todas as frentes e evitar que sejam republicados sobre outras modalidades.

Para já a empresa não avançou com especificações sobre quais vão ser as regras que guiam este controlo e bloqueio, apenas refere as normas que já existem e que proíbem a publicação de propaganda terrorista. Mas sabe-se que a empresa vai expandir esta política a outros tópicos e que pelo caminho quer resolver um outro problema com o qual tem vindo regularmente a ser confrontado e a receber duras criticas: a propagação de fake news e do deepfakes.

Talvez o investimento agora feito permita criar tecnologia que “mate os dois coelhos” de uma só vez. Até lá, os responsáveis do Facebook apenas garantem que e restrição ao live streaming tem por objectivo incentivar as pessoas a utilizarem-no de for cada vez mais positiva.

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