O Autódromo Internacional do Algarve vai receber as corridas de Fórmula 1 em 2027 e 2028.
O regresso acontece após duas edições realizadas no circuito algarvio durante a pandemia, em 2020 e 2021, que marcaram o retorno da competição ao país depois de 24 anos de ausência.
A página oficial da Fórmula 1 destaca as características únicas do traçado português, um circuito de 4,6 km que oferece desafios técnicos com mudanças de elevação dramáticas, culminando numa descida até à última curva à direita que dá acesso à reta das boxes.
A paisagem algarvia aliada às exigências técnicas do autódromo foram fatores decisivos para a escolha.
Fórmula 1: os primórdios em Portugal
Portugal estreou-se no calendário da Fórmula 1 em 1958, com um grande prémio realizado na cidade do Porto, no então famoso Circuito da Boavista.
O regresso da prova rainha do automobilismo ao nosso país aconteceu passados longos anos, em 1984, no circuito do Estoril.
O autódromo, também conhecido como Autódromo Fernanda Pires da Silva, tornou-se rapidamente num palco respeitado pelos pilotos e equipas, graças às suas características técnicas exigentes e à localização privilegiada junto ao litoral de Cascais.
A primeira corrida ali realizada, a 21 de outubro de 1984, ficou marcada pela vitória de Alain Prost ao volante da McLaren-TAG.
Momentos memoráveis no asfalto português
O primeiro GP de Portugal, realizado no Porto em 1958, contou com a vitória de Stirling Moss, num circuito urbano que hoje seria considerado um delírio logístico. No ano seguinte, a prova transferiu-se para Monsanto, em Lisboa, regressando à Invicta no ano seguinte.
Já em 1984, a etapa portuguesa foi a última do campeonato. Prost ganhou a corrida, fez o trabalho todo, mas perdeu o título por meio ponto para Niki Lauda. Meio ponto! É daqueles finais que até hoje parece escrita de guionista.
Um dos momentos mais icónicos acontece em 1985. Debaixo de uma chuva torrencial e aderência nula, um jovem Ayrton Senna deu uma aula de pilotagem. Passou a corrida a abrir tempo volta após volta, como se tivesse pneus de chuva invisíveis só para ele.
Avançamos para 1989 quando Nigel Mansell, distraído ou teimoso (provavelmente as duas coisas), passou a entrada das boxes, fez marcha-atrás numa prova de F1 e, como se isso não bastasse, acabou por colidir com Senna durante a corrida.
O resultado foi a desclassificação imediata e um daqueles momentos clássicos que toda a gente já viu em repetição.
Em 1993, a última prova em solo nacional antes de um interregno de 27 anos, o GP de Portugal desse ano marcou a despedida vitoriosa de Alain Prost antes de se retirar. Uma espécie de “fim de capítulo” elegante num circuito que sempre lhe correu bem.
Regresso em 2020: Portimão e a pandemia

Após 27 anos de ausência, a Fórmula 1 regressou a Portugal em 2020, desta vez ao Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. O regresso aconteceu em circunstâncias excecionais, motivado pelas alterações ao calendário devido à pandemia de COVID-19.
O circuito algarvio, inaugurado em 2008 e conhecido pelas suas variações de elevação e curvas cegas desafiadoras, impressionou pilotos e equipas. Lewis Hamilton venceu a corrida e igualou o recorde de vitórias de Michael Schumacher (91), num momento histórico para o desporto.
Portugal voltou a receber a Fórmula 1 em 2021, novamente em Portimão, com Max Verstappen a conquistar a vitória numa corrida emocionante.
Fórmula 1: impacto financeiro
O Governo português apresentou projeções económicas otimistas para o regresso da Fórmula 1 a Portugal.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, revelou em conferência de imprensa que se estima a chegada de 200 mil visitantes em cada um dos anos, entre os quais 150 mil espectadores e 51 mil profissionais.
Os números financeiros impressionam e o Estado deverá arrecadar 140 milhões de euros só em impostos, garantiu o ministro.
Quanto aos custos, Castro Almeida manteve-se reservado, confirmando apenas que os valores serão substancialmente inferiores ao valor que tem vindo a público, referindo-se aos 50 milhões de euros.
O governante assegurou que “o volume de impostos em função deste acréscimo será superior ao custo que o Estado vai suportar. Não haverá custo para o Estado”.