Com a chegada do final do ano, multiplicam-se as campanhas dos bancos, seguradoras e gestoras de fundos para subscrever um PPR a tempo dos benefícios fiscais no IRS. A pressão é real, mas a decisão não deve ser apressada, pois, um PPR mal escolhido pode sair caro: existem produtos com risco de perda de capital, comissões elevadas ou taxa de rentabilidade que não compensa a inflação.

Seguro-PPR ou fundo-PPR: como saber qual faz sentido no seu caso

Quando se fala em subscrever um PPR, é essencial perceber que existem dois tipos principais e as diferenças entre eles podem ter impacto direto no seu dinheiro.

Seguro PPR

Os PPR sob a forma de seguro são geralmente mais conservadores, o que pode ser tranquilizador para quem não quer arriscar perdas. Costumam garantir o capital investido e, em alguns casos, oferecem uma taxa mínima de rentabilidade, ficando aquém da inflação (em 2025 a inflação rondou os 2%). Além disso, há comissões associadas e, por vezes, mesmo com capital garantido, o valor final pode ser inferior ao que esperava, precisamente por causa desses encargos.

Fundo PPR

Já os fundos PPR, geridos por sociedades de investimento ou bancos, funcionam de forma diferente. O capital não é garantido e o valor do investimento pode oscilar, consoante o desempenho dos mercados financeiros. Estes produtos aplicam o dinheiro em ativos como ações e/ou obrigações, o que pode significar perdas no curto prazo, mas também maiores possibilidades de crescimento a longo prazo.

Escolher um PPR
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Onde está o risco e o que revela a Casa de Investimentos

De acordo com uma análise divulgada por Emília Vieira, CEO da Casa de Investimentos, no podcast Contas Poupança, milhares de portugueses perderam dinheiro com PPR mal escolhidos ao longo das últimas décadas. Em muitos casos, o capital final era inferior ao valor investido, não por causa do risco de mercado, mas devido às comissões elevadas cobradas em PPR com rendimentos quase nulos.

O seu PPR dá-lhe lucro ou prejuízo? Emília Vieira, da Casa de Investimentos no Podcast Contas Poupança.

Ao mesmo tempo, essa mesma análise identificou fundos PPR com rentabilidades médias entre 8% e 9% ao ano, consistentes ao longo do tempo, produtos que existem, mas que continuam fora do radar da maioria dos portugueses, porque não são promovidos pelas instituições financeiras tradicionais. O rendimento, que deveria ser o principal critério de escolha, é muitas vezes ignorado, enquanto a atenção se concentra nas vantagens fiscais e nos descontos associados a outros produtos, como o crédito à habitação.

E os números não mentem: segundo dados partilhados pelo Contas Poupança, a rentabilidade média dos mais de 7.000 PPR transferidos nos últimos quatro anos foi de apenas 1,58% ao ano, muito abaixo da inflação no mesmo período. Na prática, grande parte dos investidores perdeu poder de compra, porque o verdadeiro risco está em manter-se num PPR fraco, por desconhecimento ou comodismo.

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O que deve garantir antes de investir num PPR

Antes de investir num PPR, é fundamental garantir que o produto está alinhado com os seus objetivos e perfil financeiro. Em primeiro lugar, deve saber se o PPR garante ou não o capital investido. Essa informação está sempre disponível na ficha técnica do produto e pode fazer toda a diferença, sobretudo se pretende resgatar o dinheiro nos próximos anos.

Em segundo lugar, deve analisar as comissões, pois algumas consomem grande parte dos rendimentos. Também é importante verificar o histórico de rentabilidade: embora não garanta resultados futuros, ajuda a perceber a consistência da gestão do fundo. E, talvez o mais negligenciado, deve confirmar se o PPR é um seguro ou um fundo de investimento, pois, essa distinção afeta o potencial de rendimento.

PPR sim, mas com olhos bem abertos

Um PPR pode ser uma excelente ferramenta de poupança, mas apenas se for bem escolhido. A escolha entre um seguro-PPR e um fundo-PPR deve, por isso, ter em conta dois factores essenciais: o horizonte temporal do investimento e a sua tolerância ao risco.

Se precisa do dinheiro nos próximos anos ou se não suporta ver o valor a descer, faz sentido optar por um produto com capital garantido. Mas, se o objetivo é poupar para daqui a 10 ou 20 anos e aceita alguma volatilidade pelo caminho, um fundo PPR bem escolhido pode ser mais interessante.

Em qualquer dos casos, é fundamental ler a ficha de informação do produto, verificar o histórico de rentabilidade, perceber as comissões envolvidas e, sobretudo, alinhar o investimento com os seus objetivos reais. Porque o que parece seguro pode não render e o que promete retorno pode sair mais caro do que imagina.

Não deixe que o marketing decida por si, um PPR bem escolhido pode ser o primeiro passo para um futuro mais seguro e o Ekonomista está aqui para o ajudar a tomar decisões mais informadas. Subscreva a nossa newsletter e poupe com estratégia.

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