Não sabe se aquela dor no peito justifica ligar para o 112? Tem dúvidas sobre quanto vai pagar se chamar uma ambulância? O INEM existe para situações que não podem esperar, mas a confusão sobre quando realmente ligar é comum.
Em 2025, o Instituto Nacional de Emergência Médica recebeu 1,6 milhões de chamadas. Destas, 300 por dia não eram emergências. Quando liga sem necessidade, pode estar a atrasar o socorro de quem realmente precisa.
Este artigo explica o que é o INEM, quando deve contactar, como funciona o atendimento e que custos pode ter.
O que é o INEM e para que serve
O INEM coordena todo o Sistema Integrado de Emergência Médica em Portugal Continental. É o organismo do Ministério da Saúde que faz a triagem, decide que meios enviar e articula hospitais, bombeiros e Cruz Vermelha.
Quando liga 112 por motivo de saúde, a chamada é encaminhada para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Ali, técnicos especializados avaliam a situação e decidem se envia uma ambulância, um helicóptero ou se o aconselha a ir ao centro de saúde. O sistema funciona desde 1981 para garantir que quem tem uma emergência médica recebe ajuda rápida e adequada.
Quando deve ligar 112
Ligue para o 112 quando existe perigo de vida iminente, como paragem cardíaca, dificuldade respiratória grave, perda de consciência, hemorragia que não pára, dor no peito intensa, AVC com sintomas evidentes ou acidente com feridos graves.
Se a pessoa respira, está consciente e a situação não se agrava rapidamente, talvez não seja para o 112. Febre alta numa criança, uma queda sem ferimentos aparentes ou uma dor que já dura dias não são emergências.
Na dúvida, ligue para a Linha SNS 24 (808 24 24 24). Eles fazem triagem telefónica e, se necessário, encaminham para o INEM ou recomendam ida à urgência por meios próprios.
Como funciona a chamada para o 112
Quando marca 112, atende a PSP ou a GNR. Se disser que é uma situação de saúde, transferem imediatamente para o INEM, para que possa falar com um técnico treinado que faz perguntas diretas.
Responda com clareza, diga onde está, o que aconteceu, se a pessoa está consciente, se respira. Não desligue até lhe dizerem. Muitas vezes, dão instruções para aplicar primeiros socorros enquanto o socorro está a caminho.
O INEM escolhe o meio mais próximo, seja ambulância do próprio instituto, dos bombeiros ou da Cruz Vermelha, pois, o objetivo é chegar rápido ao local.
Tipos de meios de emergência do INEM
O INEM tem vários tipos de veículos, cada um para situações diferentes. A ambulância de emergência médica básica leva dois técnicos de emergência. A ambulância de suporte imediato de vida traz um enfermeiro especializado. Para casos críticos, pode vir uma viatura médica de emergência e reanimação com médico e enfermeiro.
Há também motos de emergência para locais de difícil acesso e helicópteros para situações graves em zonas remotas. Em desastres, existe ainda um veículo preparado para montar um pequeno hospital de campanha. Não escolhe qual vem. O INEM decide com base na gravidade e na disponibilidade.
Quanto custa chamar o INEM
Se liga 112 e o INEM o socorre numa emergência, o transporte e assistência são gratuitos. Não paga nada pela ambulância nem pelos cuidados no local.
O que pode pagar é a taxa moderadora na urgência hospitalar depois de chegar, se não ficar internado. Mas como foi o INEM que o encaminhou, está automaticamente isento dessa taxa. Ou seja: emergência pelo 112 = zero custos do início ao fim.
As taxas nas urgências variam entre 14 e 18 euros, conforme o hospital. Muitas pessoas estão isentas: menores de 18 anos, grávidas, pensionistas com reforma baixa, desempregados inscritos no centro de emprego, pessoas com incapacidade igual ou superior a 60%, doentes oncológicos ou em situação de insuficiência económica.
Transporte não urgente é diferente
Transporte não urgente não é para emergências. É para levar doentes a consultas, tratamentos ou exames quando a condição clínica exige acompanhamento médico durante a viagem.
Este serviço tem custos, mas o SNS paga em situações específicas. Por exemplo, se tem incapacidade superior a 60%, se faz diálise, radioterapia, quimioterapia ou se o médico atesta que precisa de ambulância para ir à consulta.
Mesmo nestes casos, pode haver uma comparticipação do doente conforme o rendimento. Se não se enquadra nos critérios de isenção, paga o transporte por inteiro. O pedido é feito pelo médico no centro de saúde ou hospital.
O que não deve fazer
Não ligue 112 para saber se deve ir ao hospital, para isso existe o SNS 24. Não ligue porque tem uma consulta marcada e quer transporte. Isso é transporte não urgente, pede-se com antecedência no centro de saúde.
Não invente sintomas para que venham mais depressa. Os técnicos do INEM identificam facilmente e pode estar a prejudicar quem realmente precisa. Também não peça ambulância para evitar pagar táxi ou Uber até ao hospital.
Chamadas desnecessárias entopem o sistema. Em 2025, 109 mil chamadas foram encaminhadas para o SNS 24 porque não eram emergências.
Dicas práticas para ligar 112
Tenha sempre à mão morada completa ou coordenadas GPS se estiver num local isolado. Se liga de um telemóvel, saiba em que freguesia está. “Estou na autoestrada” não chega, diga o sentido e o quilómetro, sempre que possível.
Se a pessoa desmaiou, não tente dar-lhe água. Deite-a de lado se estiver inconsciente mas a respirar. Se não respira e sabe fazer, inicie manobras de reanimação enquanto espera instruções do INEM.
Prenda animais de estimação que possam dificultar a entrada dos socorristas. Prepare documentos de identificação e cartão de utente do SNS se possível, para acelerar o atendimento no hospital.
Quando a emergência não é médica
Lembre-se: o 112 não é só para saúde. Serve também para incêndios, acidentes de viação, situações de perigo iminente, crimes a decorrer ou pessoas desaparecidas. A central encaminha para a entidade certa.
Se vir um incêndio florestal a começar, ligue 112. Se presenciar um assalto, ligue 112. Se houver fuga de gás, ligue 112. O número único simplifica tudo.
O que muda se tiver seguro de saúde
Ter seguro de saúde privado não altera nada no acesso ao INEM. Numa emergência, liga 112 na mesma. O INEM socorre todas as pessoas, independentemente de ter ou não seguro.
Depois, no hospital, pode optar por transferência para uma unidade privada se o seguro cobrir e se o estado de saúde permitir. Mas isso é decisão posterior, não interfere no socorro inicial.
Use o INEM quando realmente precisa
O INEM não é táxi para o hospital. Não é atalho para evitar filas. Não substitui o médico de família. Existe para uma coisa: salvar vidas quando cada minuto conta.
Se não tem a certeza se é emergência, ligue SNS 24 (808 24 24 24) antes do 112. Eles avaliam, orientam e, se necessário, accionam o INEM por si. Assim garante que os meios de socorro chegam rápido a quem realmente precisa.
E lembre-se: numa emergência a sério, não hesite. Marque 112, responda às perguntas com calma e siga as instruções. O sistema está preparado para ajudar.
Decreto-Lei n.º 113/2011, de 29 de novembro. Diário da República, 1.ª série, N.º 228. Ministério da Saúde. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/113-2011-634407
Entidade Reguladora da Saúde. (2026). Taxas moderadoras do SNS. https://www.ers.pt/pt/utentes/perguntas-frequentes/faq/taxas-moderadoras-do-sns/
Entidade Reguladora da Saúde. (2026). Transporte não urgente de doentes no SNS. https://www.ers.pt/pt/utentes/perguntas-frequentes/faq/transporte-nao-urgente-de-doentes-no-sns/
Instituto Nacional de Emergência Médica. (2026). Emergência médica. https://www.inem.pt/category/emergencias/
Instituto Nacional de Emergência Médica. (2026, 30 de abril). Esclarecimento sobre contrato de helicópteros de emergência médica. https://www.inem.pt/
Portaria n.º 142-B/2012, de 15 de maio. Diário da República, 1.ª série, N.º 94. Ministério da Saúde. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/142-b-2012-553423