Ekonomista
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13 Jan, 2026 - 10:30

Menos empresas a fechar, mais a nascer: os números de 2025

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Em 2025, o número de insolvências em Portugal caiu 2%, enquanto a criação de novas empresas cresceu 5%. Conheça os dados por distrito e setor e o que revelam sobre a dinâmica económica nacional.

Portugal fechou 2025 com sinais de esforço e resistência no tecido empresarial. Os dados apontam para menos insolvências e mais empresas a nascer, um reflexo de uma economia que continua a procurar terreno firme no pós-pandemia e num contexto económico global desafiante.

Menos insolvências, mais novos negócios

Ao longo de 2025, foram registadas 3 640 empresas insolventes, menos 71 do que no ano anterior, o que traduz uma redução global de 2% nas insolvências face a 2024. Apesar dessa tendência anual, dezembro terminou com um ligeiro aumento de 0,3% face ao mesmo mês do ano anterior.

Em contrapartida, a constituição de novas empresas cresceu 5%, passando de 50 169 em 2024 para 52 617 em 2025. Este aumento evidencia que mais projectos empresariais ganharam vida ao longo do ano, reforçando a ideia de renovação no tecido económico nacional.

Tipos de insolvência e tendências

Nem todas as insolvências seguem o mesmo padrão. Em 2025, as declarações voluntárias, aquelas pedidas pelas próprias empresas, aumentaram cerca de 3,4%, enquanto as solicitadas por terceiros diminuíram ligeiramente (-2%). Os encerramentos com plano de insolvência também recuaram (-11%).

O número de empresas que chegou, de facto, ao fim do processo de insolvência foi 2 014, menos 80 do que em 2024, indicando também uma redução nos casos mais graves.

Zonas mais afetadas

Lisboa e Porto continuam no epicentro da atividade empresarial e também das dificuldades. O Porto registou 882 insolvências (menos 1,9%), enquanto Lisboa teve 876 (a subir 4,4%).

Nos vários distritos, alguns números saltam à vista:

  • Aumentos significativos de insolvências em Horta (+50%), Castelo Branco (+24%), Leiria (+18%) e Faro (+13%)
  • Grandes descidas em Beja (-50%), Ponta Delgada (-28%), Viseu (-24%) e Évora (-21%)

Estes contrastes mostram que a realidade empresarial não é uniforme em Portugal e que fatores regionais podem agravar ou aliviar as pressões financeiras.

No plano sectorial, nem todas as áreas caminharam na mesma direção:

  • Telecomunicações lideraram o aumento de insolvências
  • Também cresceram as insolvências nos setores de Agricultura, Caça e Pesca e Transportes
  • Os setores de Eletricidade, Gás e Água e da Indústria Transformadora exibiram recuos sólidos nas insolvências

Esta variação mostra que áreas tradicionais e emergentes enfrentam desafios distintos, uns ligados à concorrência e evolução tecnológica, outros a pressões de custos e modelos de negócio.

Onde nasceram mais empresas em 2025

A criação de novas empresas manteve-se forte em Lisboa e Porto, mas também noutros distritos:

  • Lisboa liderou com 16 360 novas empresas (+3,9%)
  • Porto teve 9 101 constituições (+6,5%)
  • Viseu, Ponta Delgada, Leiria e Vila Real registaram crescimentos acima de 10%

Estes números mostram que a vontade de empreender se espalha pelo país, alimentando iniciativas fora dos grandes centros urbanos.

Setores que mais atraíram novos negócios

Quando se olha para a atividade que mais gerou novas empresas, destacam‑se duas áreas em particular:

  • Agricultura, caça e pesca com um crescimento de ~20%
  • Construção e obras públicas, também com aumento relevante na criação de empresas

Por outro lado, setores como transportes e telecomunicações viram quedas na criação de empresas em 2025.

O que estes números podem significar

Reduzir insolvências enquanto mais empresas se constituem é, em princípio, uma boa notícia. Sinaliza uma economia onde algumas dificuldades são ultrapassadas e outras oportunidades surgem. Mas os detalhes mostram uma realidade mista: há áreas com problemas persistentes e regiões onde os sinais são mais animadores.

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