O Relatório de Acesso a Cuidados de Saúde 2025, desenvolvido no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, mais de metade das pessoas nas faixas de maior pobreza não consegue comprar toda a medicação prescrita pelos médicos.
Esta é uma constatação preocupante que expõe falhas profundas no acesso a cuidados essenciais, mesmo num país com cobertura de saúde universal.
Um dos fundamentos básicos de um sistema de saúde eficaz é garantir que as pessoas tenham acesso não apenas à prescrição de medicamentos, mas também à capacidade de os adquirir.
Mas parece que em Portugal, essa garantia está muito longe de ser uma realidade para uma parte significativa da população.
Comprar medicação: o que revela o relatório
O relatório, citado pelo Expresso, destaca que dificuldades económicas continuam a ser uma barreira concreta ao acesso à medicação, sobretudo para pessoas com menores rendimentos.
Isto significa que, mesmo depois de um médico considerar necessária a toma de certos fármacos, muitos pacientes simplesmente não conseguem suportar o custo total dessas compras.
Além disso, o documento aponta que o acesso aos cuidados de saúde em tempo adequado continua a ser um desafio.
Menos de metade das primeiras consultas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) são realizadas nos prazos considerados aceitáveis, levando muitas pessoas a recorrer a alternativas informais, como a automedicação ou a procura de consultas no setor privado.
As causas subjacentes
Esta dificuldade tem raízes em vários factores, designadamente a baixa capacidade financeira das famílias em situação de pobreza, que enfrentam escolhas entre alimentação, habitação e medicação.
Há que contar ainda com as desigualdades económicas estruturais, que tendem a agravar-se com o aumento dos custos de vida, e o ciclo da pobreza, em que a incapacidade para aceder a cuidados de saúde adequados perpetua condições que dificultam a saída da pobreza.
Estes fatores influenciam tanto a saúde física como o bem-estar geral da população, criando uma espiral de vulnerabilidade que afeta a eficiência do sistema de saúde e a qualidade de vida de quem mais precisa.
Consequências para a saúde pública
A incapacidade de adquirir medicamentos prescritos tem efeitos diretos na saúde individual e coletiva. Quais?
- Pode levar ao agravamento de doenças crónicas, se os tratamentos não forem cumpridos.
- Aumenta o risco de hospitalizações evitáveis e de complicações que poderiam ser prevenidas com tratamento farmacológico adequado.
- Agrava desigualdades de saúde, onde os mais vulneráveis pagam o preço mais alto pelo acesso insuficiente a cuidados básicos.