Ekonomista
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16 Mar, 2026 - 09:30

Imperial Stout com Ginjinha é a melhor cerveja artesanal portuguesa de 2025

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The Black Ginjinha Murders da Dois Corvos vence XIII Concurso Nacional de Cervejas em março de 2026. Mais de 100 cervejas avaliadas por júri internacional.

A cerveja artesanal portuguesa tem nova rainha. The Black Ginjinha Murders, uma Imperial Stout envelhecida em barricas de ginjinha da cervejeira lisboeta Dois Corvos, conquistou o título de Melhor Cerveja Artesanal Portuguesa de 2025 no XIII Concurso Nacional de Cervejas Caseiras e Artesanais, que decorreu a 14 de março de 2026 em Marvila.

O triunfo surge depois de uma competição acesa com mais de uma centena de cervejas em prova, avaliadas por um painel de 18 juízes internacionais vindos de Portugal, Estados Unidos, Brasil e Itália. A avaliação decorreu em prova cega, segundo critérios técnicos rigorosos de aroma, sabor, equilíbrio e fidelidade ao estilo.

Uma Imperial Stout que abraça a tradição portuguesa

A cerveja vencedora destaca-se pela ousadia da combinação: uma Imperial Stout robusta e complexa, maturada em barricas que anteriormente guardaram ginjinha, o licor de cerejas típico português. O resultado é uma cerveja que casa a intensidade dos maltes torrados com as notas frutadas e alcoólicas da ginjinha, criando um perfil único que conquistou os jurados.

Por enquanto, a The Black Ginjinha Murders está disponível nos tap rooms da Dois Corvos em Marvila e no Intendente, mas a cervejeira promete novos formatos em breve. Para quem aprecia cervejas complexas e desafiantes, esta é uma experiência que vale a deslocação.

Barona repete o feito na categoria Lager

Pelo segundo ano consecutivo, a cervejeira Barona levou para casa o título de Melhor Lager Portuguesa com a sua Monda, produzida em Santo António das Areias. A consistência deste reconhecimento sublinha a qualidade técnica de uma cerveja que se apoia numa tradição cervejeira menos conhecida: a utilização de arroz português como adjunto, conferindo leveza e secura ao final de boca.

A Monda competiu diretamente com a The Black Ginjinha Murders e com a Diabo Vermelho da Vadia na ronda final “Best of Show”, mas a Imperial Stout da Dois Corvos acabou por prevalecer.

Vadia conquista categoria ale com cerveja Flamenga

A Melhor Ale Portuguesa de 2025 é a Diabo Vermelho, uma Red Flanders da cervejeira Vadia, de Oliveira de Azeméis. Este estilo belga, caracterizado pela acidez lática e notas frutadas complexas resultantes de fermentação mista e envelhecimento prolongado, é uma raridade no panorama cervejeiro nacional.

A escolha de uma cerveja ácida para o pódio da categoria Ale demonstra a maturidade do júri e a abertura do mercado português a perfis de sabor mais desafiantes, que exigem paciência e técnica apurada na produção.

Cervejeiros caseiros mostram criatividade

A vertente caseira do concurso voltou a revelar o dinamismo da comunidade homebrew portuguesa, frequentemente o berço de futuros projetos profissionais. Os vencedores nas categorias de cerveja caseira foram Duarte Cravo com uma Hazy IPA na categoria Ale, Aleksey Potaneyko na categoria Experimental, Diogo Sousa com uma Sahti na categoria de Cervejas Históricas, e Fabrício Búrigo com uma Baltic Porter na categoria Lager.

A categoria Destaque dedicou-se este ano às Cervejas Históricas, convidando os participantes a revisitar técnicas e estilos antigos. A vitória de uma Sahti — cerveja finlandesa tradicionalmente aromatizada com ramos de zimbro — mostra que os cervejeiros caseiros portugueses não têm medo de sair da zona de conforto.

Tributo a quem ensinou Portugal a fazer cerveja em casa

O concurso incluiu também o Tributo Cervejeiro, atribuído em 2026 a Fernando Gonçalves, fundador da Loja da Cerveja Caseira. A distinção reconhece o papel fundamental de Gonçalves no desenvolvimento da cultura cervejeira caseira em Portugal, formando e inspirando gerações de cervejeiros que mais tarde fundaram algumas das cervejeiras artesanais hoje mais reconhecidas.

Muitos dos atuais cervejeiros profissionais começaram com equipamento e conhecimento vindos da Loja da Cerveja Caseira. A homenagem sublinha que o boom da cerveja artesanal portuguesa não surgiu do nada, mas assenta em anos de dedicação de pioneiros como Fernando Gonçalves.

Um concurso que define a excelência cervejeira nacional

Com treze edições já realizadas desde 2008, o Concurso Nacional de Cervejas Caseiras e Artesanais consolidou-se como um marco anual no panorama da cerveja em Portugal. A metodologia rigorosa, certificada pelo Beer Judge Certification Program (BJCP), com critérios de avaliação alinhados com as guidelines internacionais e um painel de jurados com certificação e experiência no setor, garante credibilidade aos resultados.

Os vencedores de 2025 demonstram que a cerveja artesanal portuguesa atingiu maturidade técnica e criativa, capaz de competir com os melhores exemplos internacionais. Da tradição da ginjinha à ousadia de uma Sahti caseira, a mensagem é que Portugal sabe fazer cerveja de qualidade mundial.

Para quem procura experimentar o melhor da produção nacional, os vencedores deste concurso oferecem uma bússola confiável num mercado cada vez mais saturado de opções.

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