Miguel Pinto
Miguel Pinto
13 Fev, 2026 - 12:00

Moda das caricaturas feitas por IA traz alguns perigos atrás

Miguel Pinto

As caricaturas feitas por inteligência artificial estão por todo o lado nas redes sociais. Mas há questões de segurança a observar.

caricaturas feitas por IA

Nos últimos tempos uma nova tendência tomou conta das redes sociais e passa por pedir à inteligência artificial que crie caricaturas baseadas na aparência, profissão e personalidade dos utilizadores.

O resultado é frequentemente partilhado com entusiasmo, com imagens criativas, surpreendentemente fiéis e, muitas vezes, divertidas.

Mas por detrás desta aparente inocência digital, especialistas alertam para riscos reais e pouco compreendidos.

A chamada “trend das caricaturas com IA”, popularizada através de ferramentas como o ChatGPT, levanta questões sérias relacionadas com privacidade, segurança e identidade digital.

O que é a trend das caricaturas com IA

O processo consiste em pedir a um sistema de inteligência artificial que gere uma caricatura ou ilustração personalizada com base em informações fornecidas pelo utilizador ou a partir do histórico de interações e imagens carregadas.

O fenómeno tornou-se viral em plataformas como Instagram, TikTok e outras redes sociais, com milhões de pessoas a partilhar os seus retratos digitais.

Contudo, especialistas alertam que este comportamento incentiva a partilha de dados pessoais em larga escala, muitas vezes sem plena consciência das consequências.

Ao tentar obter uma caricatura mais precisa, muitos utilizadores acabam por fornecer detalhes sobre a sua profissão, rotina, gostos pessoais ou aparência, informações que fazem parte da sua identidade digital.

Excesso de partilha de dados pessoais

caricatura de Sam Altman

O risco mais imediato associado a esta tendência é o chamado “oversharing”, ou partilha excessiva de dados.

Especialistas em cibersegurança alertam que, em pouco tempo, sistemas de inteligência artificial podem acumular dados suficientes para criar perfis detalhados dos utilizadores.

Esta informação pode ser utilizada para impersonificar alguém, fraude ou ataques de engenharia social.

O problema agrava-se porque muitos utilizadores continuam a fornecer mais detalhes sempre que o resultado inicial não corresponde às expectativas, alimentando o sistema com ainda mais informação pessoal.

Uma vez partilhados, estes dados podem ser armazenados, reutilizados ou expostos em caso de falhas de segurança.

O risco biométrico e as imagens faciais

Uma caricatura pode parecer apenas uma imagem divertida, mas o seu ponto de partida são frequentemente dados biométricos, como traços faciais e características únicas.

A identidade digital inclui precisamente este tipo de dados biométricos e pessoais, que permitem identificar de forma única um indivíduo.

Estas informações podem ser utilizadas em sistemas de reconhecimento facial ou em bases de dados digitais, tornando-se valiosas para fins comerciais ou, em cenários mais preocupantes, para vigilância, fraude ou roubo de identidade.

Perda de controlo sobre os próprios dados

Outro risco significativo é a perda de controlo sobre a informação partilhada.

Os especialistas alertam que, uma vez fornecidos, os dados podem ser armazenados ou reutilizados, sem garantias de que possam ser totalmente eliminados no futuro.

Além disso, a inteligência artificial aprende com os dados que recebe. Isto significa que as informações fornecidas contribuem para melhorar os sistemas, mas também aumentam o volume de dados pessoais associados ao utilizador.

Em termos práticos, algo que começou como uma brincadeira pode tornar-se parte permanente do registo digital de uma pessoa.

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Perigo do roubo de identidade e da fraude

A exposição acumulada de dados pessoais aumenta ainda o risco de ataques digitais.

A informação pode ser utilizada em esquemas de fraude, engenharia social ou roubo de identidade, especialmente quando combinada com dados disponíveis nas redes sociais.

Desta forma, criminosos podem criar perfis falsos, imitar identidades ou manipular pessoas com maior eficácia.

Em alguns casos, os dados podem até ser utilizados para criar deepfakes, como imagens ou vídeos falsos extremamente realistas.

Reduzir riscos ao usar inteligência artificial

Apesar dos riscos, é possível utilizar estas ferramentas de forma mais segura. Algumas recomendações incluem evitar partilhar dados pessoais sensíveis ou não fornecer informações como morada, local de trabalho ou dados financeiros.

Deve também evitar carregar fotografias demasiado detalhadas, limitar a quantidade de informação fornecida e rever as definições de privacidade e armazenamento de dados.

As caricaturas geradas por inteligência artificial representam um avanço impressionante na criatividade digital.

Mas não se esqueça que o que parece ser apenas uma brincadeira pode, na prática, envolver a partilha de informações pessoais com consequências a longo prazo.

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