Luísa Santos
Luísa Santos
02 Ago, 2019 - 11:09
Já soaram os alarmes. Netflix em queda?

Já soaram os alarmes. Netflix em queda?

Luísa Santos

A Netflix em queda é uma realidade que assusta os responsáveis de um dos maiores serviços de streaming mundiais. Os subscritores têm vindo a desertar.

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A concorrência não ajuda, mas a verdade é que uma Netflix em queda acontece pela primeira vez desde o seu lançamento, uma enorme quantidade de subscritores – de quem o serviço depende para funcionar em pleno. É nos EUA que se concentra a maior perda, pelo que o serviço está agora a tentar recuperar.

Netflix em queda: milhares de subscritores saem

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Fonte da Imagem: Netflix/Divulgação

Num relatório público, a Netflix deu a conhecer a maior perda de subscritores, até então, nos Estados Unidos da América. Esta quebra levou a que as ações da empresa caíssem mais de 10%, o que se traduz numa perda de lucro nunca antes vista desde a criação da empresa. Um sinal claro de uma Netflix em queda.

Sendo que estamos a falar de um serviço de streaming de filmes e séries baseado na subscrição de utilizadores, esta perda pode ser vista não só como perda de lucro, mas também como uma desaceleração no crescimento da empresa – que só não está disponível na China, Crimeia, Coreia do Norte e Síria.

A grande adesão ao serviço, que foi um dos pioneiros nesse âmbito, é justificada pelas várias razões que tornam a Netflix uma plataforma única. Através de uma subscrição (não fidelizada), é possível assistir aos milhares de filmes e séries que existem no serviço. A seguir à Netflix, outros serviços se seguiram.

Como se explica esta queda?

O principal motivo é a forte concorrência que existe no setor, com cada vez mais serviços de streaming nos quais os americanos podem também confiar – como a HBO, a Hulu ou a Amazon Prime Video. A oferta é imensa e há outros concorrentes prestes a entrar no mercado, como é o caso da Apple e da Disney.

A guerra entre serviços é bem real e a competição entre quem detém os direitos do quê é cada vez maior. Aliás, essa é outra das razões que justifica este cenário da Netflix em queda no último quarto de 2019. Títulos com o The Office e Friends foram perdidos e obtidos por outros serviços (este último caso passou a estar disponível na HBO).

Falamos de séries que têm milhares de fãs em todo o mundo, sobretudo nos EUA. Ao migrarem para outras plataformas, também os utilizadores o fazem e optam por subscrever os serviços concorrentes.

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Empresa garante que tem mercado para competir

Quem o diz é Reed Hastings, CEO da Netflix, que garante que a empresa está a fazer tudo o que está ao seu alcance para continuar a singrar na Europa e até mesmo noutros mercados, sobretudo o indiano, onde estão a tentar entrar há já algum tempo. Estancar este cenário da Netflix em queda torna-se, assim, urgente.

O serviço de streaming está a unir esforços de forma a globalizar conteúdos que são produzidos em determinados países e que, por esse motivo, poderiam até não ser do interessa geral. Se é subscritor do serviço, sabe que tanto aparecem conteúdos em inglês, como em alemão, sueco ou espanhol.

E é precisamente por aí que passa a estratégia da Netflix. Ao globalizar os seus conteúdos, não os mantendo exclusivos ao país de produção, aumenta o seu público (e consequentemente os seus subscritores) de forma sustentada. Veja-se, a título de exemplo, séries como La Casa de Papel, que arrecadou sucesso a nível mundial.

Novas estratégias em vista

A empresa também já garantiu ter comprado estúdios fixos onde poderá produzir os seus conteúdos originais, não se limitando às produções que já existem em diferentes país. Esta é uma das principais estratégias da Netflix para recuperar o mercado perdido.

Também é sabido que a empresa investiu milhões em conteúdos contracenados ou realizados por grandes nomes do cinema: o Bright, por exemplo, tem Will Smith como personagem principal e custou 100 milhões de dólares; também o The Irishman, filme produzido por Martin Scorsese, custou à volta de 140 milhões de dólares.

O investimento da plataforma de streaming é notável e tem em vista concorrer com os restantes serviços. A par da produção de conteúdos originais (que, este ano, devem ultrapassar os 15 biliões de dólares), a Netflix também assinou contratos milionários com nomes como Shonda Rhimes e Ryan Murphy.

Desta forma, a empresa espera continuar a garantir os subscritores que ainda tem e, possivelmente, arrecadar outros tantos. Mas que assistimos a uma Netflix em queda, isso parece incontestável.

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