Ana Luisa Santo
Ana Luisa Santo
29 Jun, 2018 - 05:18
Obesidade infantil: um alarme de peso na sociedade

Obesidade infantil: um alarme de peso na sociedade

Ana Luisa Santo

A obesidade infantil é um dos principais problemas da população europeia. Conheça as principais causas e formas de prevenção.

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A obesidade infantil tem sido abordada como uma epidemia no século XXI pelo crescente aumento da prevalência por todo o mundo. Desde 1980 que a sua prevalência triplicou em alguns dos países europeus. Cerca de 20% da população europeia é obesa e estas tendências são particularmente preocupantes entre as crianças dos estratos socio-económicos mais desfavoráveis. O que se torna ainda mais preocupante é o facto de esta taxa de crescimento continuar numa tendência crescente.

A publicidade, o acesso a “junk food”, a falta de tempo dos pais para cozinharem refeições nutritivas e os preços competitivos das comidas menos saudáveis fazem com que a obesidade infantil seja um dos principais problemas do nosso século.

Obesidade infantil: o que deve saber para combater o problema

obesidade infantil

Já lá vai o tempo em que gordura era formusura! Antigamente, ser redondinho era um sinal de riqueza ou de saúde. Atualmente, sabe-se que representa ou comporta riscos para a saúde a curto, médio e longo prazo.

Existem vários fatores que contribuem para a obesidade na infância, mas os principais são os erros alimentares e a falta de exercício físico. As estatísticas revelam que continua a ser necessário olhar para este problema com seriedade, pois ele afeta a sociedade e a saúde pública.

As crianças correm menos e “trepam” menos às árvores, veem mais televisão, ocupam-se mais com tablets e tecnologias. Cozinha-se menos em casa refeições saudáveis, o fast food é cada vez mais barato, a oferta de comida em conserva e os doces são “prato do dia”.

Mas o barato sai caro! Em termos de saúde porque a sobrecarga de peso precoce perturba o saudável funcionamento e crescimento do organismo da criança. Em termos económicos e financeiros porque obriga a despesas em consultas e tratamentos médicos para consertar os estragos.

Panorama da obesidade infantil em Portugal

Este problema tem sido abordado como uma epidemia no século XXI pelo crescente aumento da prevalência por todo o mundo. Em Portugal, o panorama é preocupante.

Portugal encontra-se numa das posições mais desfavoráveis do cenário europeu, com mais de metade da população com excesso de peso. É também um dos países do espaço da Europa com maior prevalência de obesidade infantil, já que 30% das crianças apresentam sobrepeso e mais de 10% são obesas. Estima-se que 1 em cada 5 crianças, em Portugal e na Europa, tenha excesso de peso!

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Porque é que as crianças se tornam obesas?

A sociedade tem vindo a alterar os padrões alimentares ao longo dos anos em consequência da modernização dos padrões de vida e também da evolução da indústria alimentar.

O quotidiano da maioria das pessoas é muito apressado e resta pouca disponibilidade para escolher e confecionar os alimentos de forma saudável. A oferta de refeições rápidas pré- cozinhadas para micro-ondas, as conservas, a comida embalada e o fast food são o grande prejuízo para o peso das crianças.

De acordo com a British Medical Association, a causa principal do aumento de crianças obesas no mundo terá a ver com o equilíbrio de energia: as crianças ingerem grandes quantidades de alimentos face a uma reduzida prática de atividade física.

Outro dos fatores preocupantes reside na questão de, uma vez sofrendo de obesidade na infância, ser muito mais difícil reverter a situação na fase adulta.

Durante a adolescência, existem alguns fatores que podem influenciar a tendência para a obesidade: alterações psicológicas na fase de transição para a idade adulta, o sedentarismo, a baixa auto-estima, alimentação excessivamente calórica e a grande vulnerabilidade à publicidade de consumo.

Além destas causas, é ainda possível referir outras como:

  • Consumo exagerado de alimentos com excesso de açúcar e gordura e baixo valor nutritivo, como chocolates, bolachas, bolos rebuçados, gelados, snacks de pacote, etc.;
  • Alto consumo de bebidas açucaradas em vez de água;
  • Falta de descanso, diminuição das horas de sono da criança;
  • Ingestão de pouca quantidade de fruta e legumes;
  • Muitas refeições fora de casa;
  • Obesidade da mãe durante a gravidez, ou diabetes não controlada;
  • Horários incertos para a ingestão das refeições (falta de “rotina”);
  • Acesso fácil e rápido aos ditos alimentos “fast food”;
  • Vida muito sedentária, como resultado da ligação aos entretenimentos tecnológicos, em detrimento da atividade física;
  • Falta de controlo dos pais face ao que os filho comem;
  • Alterações psico-sociais das crianças;
  • Fatores genéticos associados (família obesa).

Se é verdade que 95% dos fatores que contribuem para uma propensão maior à obesidade são de caráter exógeno, não podemos esquecer os 5% de caráter endógeno. A probabilidade de obesidade aumenta em proporção ao pai e/ou a mãe serem obesos também.

Quais as complicações e riscos da obesidade infantil?

Uma criança é obesa ou tem excesso de peso quando a comida que ingere tem uma quantidade de calorias superior à quantidade despendida. Resulta num acúmulo em forma de gordura, determinando um Índice de Massa Corporal (IMC) desapropriado para o sexo e a idade da criança.

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Infelizmente, as complicações resultantes são de ordem física e psicológica. Vejamos:

  • Doenças cardiovasculares, como aumento do colesterol e/ou triglicerídeos, hipertensão arterial;
  • Intolerância à glicose com posterior risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2;
  • Problemas respiratórios (asma) e apneia de sono;
  • Doenças osteoarticulares (sobrecarga);
  • Maior propensão para desenvolver doenças cancerígenas;
  • Graves problemas psicossociais, pois estas crianças são muitas vezes vítimas de bullyingsão alvo de “troça” na escola, afetando a sua autoestima e o rendimento escolar, com posteriores fragilidades psicológicas na vida adulta e, talvez, este seja o principal fator de ameaça de maior peso na vida das crianças.
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 Como prevenir? Como combater a obesidade infantil?

A prevenção é o melhor remédio e a cura é possível. O peso é proporcional à altura, e é necessário manter uma alimentação equilibrada e apostar no exercício físico.

Quando a criança tem peso a mais, ou está gordinha, ou cheinha, ou rechonchudinha, ou bolachudinha, ou… obesa, é necessário intervir. Não subdiagnosticar, mesmo quando os exames médicos não revelam danos na saúde, ou seja, mesmo que esteja tudo bem com as análises.

Veja algumas dicas:

  • Apostar na reeducação alimentar da criança e, principalmente, dos pais. São estes que compram os alimentos, que os preparam e que os colocam na mesa;
  • Integrar a criança na responsabilidade de cuidar de si e a sua importância, promovendo a sua participação na tomada de decisões alimentares e ensinar as implicações para a saúde;
  • Menos tablet, menos TV, menos vídeos! Mais desporto, mais ar livre, mais exercício;
  • Fazer refeições em família e sem a TV ligada;
  • Promover a coerência entre o que se ensina à criança e o exemplo que dá;
  • Não oferecer alimentos prejudiciais como recompensa, evitando mesmo ter em casa e acessível às crianças;
  • Permitir menos guloseimas, oferecer mais sopa, mais fruta, mais água!

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