Ekonomista
Ekonomista
17 Mar, 2026 - 16:30

Páscoa impulsiona mercado de trabalho: contratações crescem mais de 20% em Portugal

Ekonomista

Contratações na Páscoa crescem 20% em Portugal. Hotelaria lidera, mas indústria e logística ganham terreno. Açores registam maior subida regional.

A Páscoa deixou de ser apenas um período de chocolate e férias. Em Portugal, tornou-se também um termómetro do dinamismo económico, especialmente no mercado de trabalho. Os números de 2025 confirmam a tendência: as contratações durante março e abril cresceram mais de 20% face ao mesmo período de 2024, segundo dados da Eurofirms.

A época pascal concentra hoje um terço das oportunidades de emprego do primeiro semestre, mobilizando setores que vão muito além do turismo tradicional. O que antes era sinónimo de reforço pontual em hotéis e restaurantes transformou-se num fenómeno multissetorial, reflexo do aumento da mobilidade, do consumo e da atividade económica generalizada.

Hotelaria mantém liderança, mas a indústria aproxima-se

A hotelaria continua no topo, representando 33,1% das contratações no período pascal. O resultado acompanha o crescimento de 3,4% nas pernoitas registadas em Portugal durante 2025, num setor que emprega cada vez mais pessoas nesta altura do ano. Empregados de mesa, camareiros de quartos e auxiliares de cozinha lideram a procura, funções essenciais para garantir que os estabelecimentos respondam ao fluxo de turistas.

Mas o destaque vai para quem está a ganhar terreno. O retalho absorveu 22,4% das contratações, enquanto a indústria (20,3%) e a logística (11,2%) mostraram um peso relevante que antes não tinham. Este movimento reflete uma realidade simples: quando as pessoas viajam e consomem mais, toda a cadeia de abastecimento precisa de reforços.

Na logística, operadores de armazém e trabalhadores de distribuição tornaram-se perfis críticos. Na indústria, o aumento da procura por bens de consumo obriga a ajustes rápidos nas linhas de produção. A Páscoa já não é só para quem serve às mesas, é também para quem garante que os produtos chegam às prateleiras a tempo.

Um terço das vagas do semestre concentra-se em duas semanas

Os dados mostram um padrão curioso: a distribuição das oportunidades de emprego entre setores é quase uniforme. Hotelaria (33%), logística (33%), indústria (32%) e retalho (31%) apresentam percentagens muito próximas quando se analisa o peso da Páscoa no total de vagas do primeiro semestre de 2025.

Ou seja, cerca de um terço de todas as contratações dos primeiros seis meses do ano acontecem neste curto período. Para as empresas, isto significa pressão acrescida na gestão de equipas. Para os trabalhadores, uma janela de oportunidades concentrada que exige disponibilidade imediata.

Páscoa tornou-se um momento cada vez mais relevante para diferentes setores da economia, exigindo às empresas uma maior capacidade de planeamento e adaptação na gestão das equipas.” – Lucília Queirós, National Sales Leader da Eurofirms em Portugal

Açores lideram crescimento regional, Lisboa e Algarve consolidam

A geografia das contratações revela dinâmicas distintas. Os Açores registaram o maior crescimento regional em 2025, com 10,3%, seguidos pelo Norte (7,2%) e pelo Centro (6,6%). O arquipélago beneficia do aumento do turismo interno e externo, consolidando-se como destino pascal preferencial.

Lisboa e Algarve mantêm o maior peso absoluto, com 26% e 23% das contratações respetivamente, mas apresentaram crescimentos mais moderados. São mercados já consolidados, onde a procura sazonal está estabilizada há vários anos. Ainda assim, a capital e o Norte destacam-se como os territórios que mais cresceram em volume absoluto de contratações para a multinacional.

O padrão sugere que a expansão do emprego sazonal está a descentralizar-se, beneficiando regiões antes menos impactadas por estes picos. Para quem procura trabalho temporário, as oportunidades já não se concentram exclusivamente no litoral ou nas grandes cidades.

Planeamento antecipado torna-se obrigatório

A intensidade do período pascal obriga as empresas a anteciparem-se. Quem espera por março para reforçar equipas arrisca-se a não encontrar talento disponível. O mercado de trabalho sazonal exige hoje processos de recrutamento mais rápidos e eficientes, capazes de integrar colaboradores em dias, não em semanas.

A Eurofirms confirma que a tendência já se repete em 2026, com empresas a iniciarem o recrutamento pascal ainda em fevereiro. Esta antecipação beneficia ambas as partes: os empregadores garantem as contratações necessárias e os trabalhadores acedem mais cedo às oportunidades.

Para além do timing, a qualidade do processo importa. Recrutar com foco nas pessoas, garantindo condições adequadas e integração eficaz, tornou-se fator crítico para manter a operação durante períodos de maior exigência. O trabalho sazonal deixou de ser sinónimo de precariedade para muitos setores que investem em formação rápida e condições competitivas.

O que esperar da Páscoa em 2026

Os sinais iniciais apontam para continuidade no crescimento. O turismo mantém-se robusto, o consumo interno mostra resiliência e os setores industrial e logístico ajustam-se à procura sazonal com maior previsibilidade. A Páscoa consolida-se como um dos principais momentos de contratação do ano, rivalizando com o Natal em volume de oportunidades.

Para quem procura trabalho temporário, a janela de candidaturas abre cada vez mais cedo. Para as empresas, o desafio passa por equilibrar agilidade no recrutamento com qualidade na integração, garantindo que o reforço de equipas se traduz efetivamente em melhor serviço.

Num mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, a Páscoa deixou de ser apenas uma data religiosa ou um feriado prolongado. Transformou-se num verdadeiro motor de emprego sazonal, com impacto transversal na economia portuguesa.

Veja também