Os dados divulgados pela Randstad Portugal revelam que dezembro de 2025 fechou com uma taxa de desemprego de 5,6%, o que representa uma descida de 0,8 pontos percentuais face ao mesmo mês do ano anterior. São menos 35.700 pessoas em situação de desemprego, numa queda anual de 10,2%. O número total de desempregados fixou-se em 314.800 pessoas, o valor mais baixo dos últimos tempos.
Emprego bate novo recorde histórico
Portugal tem agora 5.316.900 pessoas empregadas, um número que representa o pico mais alto de sempre. Este valor traduz um crescimento mensal de 16.700 profissionais (0,3%) e um aumento anual robusto de 182.800 pessoas (3,6%). A taxa de emprego subiu para 65,9%, mais 1,4 pontos percentuais do que há um ano.
A população ativa também cresceu, atingindo 5,63 milhões de indivíduos disponíveis para trabalhar, o que mostra que mais pessoas estão no mercado e a encontrar colocação.
“Fechar 2025 com níveis recorde de emprego não é apenas um indicador estatístico; é um testemunho da estabilidade macroeconómica e da confiança renovada do nosso tecido empresarial.” – Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal
Mulheres puxam pela descida do desemprego
A análise por género revela dinâmicas interessantes. Em dezembro, 4.600 mulheres deixaram a situação de desemprego, uma queda de 2,6% face a novembro. Já no segmento masculino registou-se um ligeiro aumento de 1.200 homens desempregados (0,8%), mostrando que a recuperação não está a acontecer de forma uniforme.
Na comparação anual, porém, todos os grupos beneficiaram. O desemprego masculino caiu 16,3% (menos 28.100 homens) e o feminino desceu 4,3% (menos 7.700 mulheres). Entre os jovens dos 16 aos 24 anos, a queda foi particularmente significativa: menos 13,7% de desempregados, o equivalente a 10.900 jovens que encontraram trabalho.
Os adultos entre os 25 e os 74 anos também viram o desemprego recuar 9,1%, com menos 24.700 pessoas nesta situação. São sinais de que o mercado está a absorver talento em diferentes faixas etárias, embora persistam desafios específicos em cada grupo.
Estrangeiros representam um quinto do desemprego
Um dado que merece atenção surge na análise da Randstad Research sobre a nacionalidade dos desempregados. No continente, os cidadãos estrangeiros totalizam 59.619 inscritos nos centros de emprego, o que representa 20,6% do total de desemprego registado. Ou seja, um em cada cinco desempregados não tem nacionalidade portuguesa.
A comunidade brasileira lidera de forma destacada, com 25.260 indivíduos inscritos, o que constitui 42,4% do desemprego estrangeiro. Seguem-se Angola (7,9%), Nepal (6,4%) e Índia (6,0%). Esta distribuição reflete não apenas os fluxos migratórios recentes, mas também a concentração de certas nacionalidades em setores mais vulneráveis a flutuações sazonais.
A análise revela ainda que quase metade dos desempregados estrangeiros não possui o ensino secundário completo. Esta realidade contribui para o desemprego de longa duração, que afeta 113.535 pessoas, dificultando a reconversão profissional e a resposta à escassez de competências que o mercado enfrenta.
Geografia do desemprego estrangeiro
Lisboa concentra o maior volume, com 24.316 estrangeiros desempregados, representando 40,8% do total nacional. As comunidades brasileira (8.679) e angolana (3.030) têm ali maior expressão. No Algarve, os brasileiros (3.598) e indianos (1.385) dominam as estatísticas, reflexo direto da dependência do turismo.
Curiosamente, no Alentejo destaca-se a comunidade do Nepal, com 1.305 desempregados, quase um terço do total de estrangeiros na região. Este padrão mostra a ligação de certas nacionalidades a atividades agrícolas sazonais, tornando estes grupos mais expostos às oscilações de final de ano.
IEFP regista estabilidade no final do ano
Os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram uma realidade ligeiramente diferente. Em dezembro, o desemprego registado manteve-se praticamente inalterado (variação de apenas -29 pessoas), enquanto os pedidos de emprego caíram 1,3% (menos 5.712 pedidos).
O total de desempregados registados fixou-se em 299.423 pessoas, o que representa 68,4% dos 437.863 pedidos de emprego. Esta divergência entre os dados do INE (314.800 desempregados) e do IEFP revela que nem todos os desempregados se inscrevem formalmente nos centros de emprego.
Regionalmente, dezembro trouxe aumentos no Algarve (2.987 pessoas; 15,5%), reflexo do fim da época turística, e no Alentejo (402 pessoas; 2,5%). O Norte (-1.995 pessoas; -1,7%) e o Centro (-1.728 pessoas; -4%) registaram descidas. Em termos anuais, todas as regiões apresentaram quedas no desemprego, com destaque para o Norte (-11%) e Lisboa (-12,5%).
Ofertas de emprego e colocações
Dezembro registou 11.472 ofertas de emprego por preencher, uma queda mensal de 34,8% mas um aumento homólogo de 18,8%. Foram recebidas 5.745 novas ofertas, principalmente no setor dos serviços (4.243 ofertas), e realizadas 4.630 colocações através do serviço público de emprego.
O que esperar de 2026
Os dados de dezembro confirmam a tendência de melhoria que atravessou 2025, mas levantam também questões sobre a sustentabilidade deste crescimento. O desafio, como sublinhou Isabel Roseiro, passa por “converter este dinamismo em progresso sustentável, garantindo que a criação de oportunidades continua a ser acompanhada pela capacidade de atrair, reter e, acima de tudo, valorizar o talento.“
A questão das qualificações dos desempregados, particularmente entre os estrangeiros, exige políticas direcionadas de formação. Sem elevar as competências base, dificilmente se conseguirá quebrar o ciclo de desemprego de longa duração que afeta mais de 113 mil pessoas.
Por outro lado, as disparidades regionais e salariais continuam a marcar o mercado de trabalho português. O facto de Lisboa pagar em média mais 793€ do que Beja não é apenas uma estatística, é um fator que alimenta a desertificação do interior e concentra população e recursos no litoral.