Share the post "Viajar fica mais caro: preço dos bilhetes de avião disparam"
A guerra no Médio Oriente está a encarecer o combustível de aviação, e o impacto já se faz sentir no bolso dos viajantes portugueses e o preço dos bilhetes de avião sobem de preço.
Porquê? O combustível é um dos maiores custos operacionais de uma companhia aérea. Em condições normais, representa entre 20% e 30% das despesas totais.
Daí que um aumento dos preços dos bilhetes seja inevitável, já que as companhias dizem não ter margem para absorver custos desta magnitude sem os repercutir nos passageiros.
A isto acresce um segundo problema, o encerramento de rotas. Muitos voos entre a Europa e a Ásia fazem escala em aeroportos do Golfo Pérsico (Dubai, Doha, Abu Dhabi) ou sobrevoam espaço aéreo da região.
Com o conflito, esses corredores tornaram-se arriscados ou inacessíveis. As companhias são forçadas a desviar rotas, o que aumenta o tempo de voo, o consumo de combustível e, consequentemente, o preço final do bilhete.
Bilhetes de avião: quanto vão subir os preços?
Os números já começam a ser conhecidos, e não são animadores.
- Em Portugal, segundo a Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), os preços da aviação aumentaram em média 4% no último mês. Nos voos de longa distância, os aumentos ultrapassam já os 10%, podendo em casos excecionais chegar aos 20%.
- A TAP, a Air Europa e a Air Transat são algumas das companhias que já aplicaram suplementos de combustível em voos a partir de Portugal.
- A Air France-KLM anunciou um aumento de cerca de 50 euros por voo nos voos de longo curso em classe económica.
- A SAS anunciou o cancelamento de pelo menos mil voos em abril por não conseguir suportar o custo do combustível.
- Nas rotas entre a Europa e a Ásia, os aumentos são particularmente expressivos: ligações que custavam entre 400 e 800 euros (ida e volta) passaram a ultrapassar frequentemente os 2.000 euros.
- O diretor-geral da IATA alertou que, se o preço do petróleo se mantiver elevado, as tarifas aéreas globais poderão subir entre 8% e 9%.
Quais os destinos mais afetados?
Nem todas as rotas são afetadas da mesma forma. As mais penalizadas são aquelas que dependem das ligações via Golfo Pérsico.
- Japão, China, Tailândia e restante sudeste asiático
- Índia (Mumbai, Deli)
- Austrália e Nova Zelândia
- África do Sul e restante África via Golfo
- Médio Oriente (Dubai, Abu Dhabi, Doha, Amã, Riade, Teerão, Telavive)
Os voos dentro da Europa e para o continente americano são, por ora, os menos afetados, embora o aumento do preço do querosene acabe por pressionar todas as tarifas a médio prazo.
Reflexos na procura?
Paradoxalmente, a procura mantém-se robusta. Os primeiros dados de 2026 mostram que as reservas atingiram máximos históricos em várias companhias.
A americana United Airlines registou as 10 semanas com maior receita em reservas de toda a sua história precisamente no período mais recente.
No entanto, os especialistas alertam que, se os preços continuarem a subir, o efeito dominó sobre a procura é inevitável e a redução da procura é o efeito mais temido.
Na pandemia, a procura recuperou de forma relativamente rápida, mas este quadro é muito mais complexo.
O que pode fazer para pagar menos?

Não há forma de escapar completamente ao impacto da guerra nos preços dos bilhetes, mas há estratégias que podem ajudar a minimizar o custo.
- Reserve com antecedência. As agências de viagens recomendam antecipar ao máximo as reservas antes de novos aumentos entrarem em vigor.
- Considere destinos alternativos. Rotas para a Europa, ilhas atlânticas ou destinos que não dependam de escalas no Golfo são, por agora, menos afetadas.
- Monitorize o preço do petróleo. O preço do combustível e as comunicações das companhias sobre taxas de combustível são dois indicadores a seguir de perto.
- Compare companhias. O impacto não é uniforme e algumas transportadoras estão mais protegidas do que outras (por exemplo, a Delta Air Lines tem uma refinaria própria que lhe dá cobertura parcial).
- Seja flexível nas datas. Em períodos de instabilidade, a diferença de preço entre datas próximas pode ser significativa.