Share the post "Moradias grandes e apartamentos T2 dominam a procura imobiliária em Portugal"
O Idealista acaba de divulgar uma análise que coloca a nu as escolhas dos portugueses na hora de procurar casa. Os dados são claros: quem quer moradia procura espaço, quem procura apartamento valoriza equilíbrio entre dimensão e funcionalidade.
A fotografia é simples. Nas moradias, quase 70% da procura recai sobre casas com três quartos ou mais. Nos apartamentos, o T2 rouba a cena e representa cerca de 42% do interesse total dos compradores.
Espaço tornou-se palavra de ordem nas moradias
As famílias que procuram moradia não querem meias medidas. A preferência por tipologias T3, T4 ou superiores reflete uma necessidade crescente de espaço que vai além do tradicional. O teletrabalho ajudou a empurrar esta mudança, mas não é o único fator.
Ter um escritório em casa deixou de ser luxo para muitos. Um quarto extra para visitas, uma sala de estar maior ou aquele espaço para arrumações que sempre faltou passaram a fazer parte da lista de prioridades. E os números não mentem.
A oferta parece ter captado a mensagem. Das moradias disponíveis no mercado, 83% correspondem a tipologias T3, T4 ou superiores. Resta saber se a quantidade disponível corresponde ao que as famílias procuram em termos de localização e preço.
Apartamentos T2 são o equilíbrio perfeito para muitos compradores
No universo dos apartamentos, o T2 conquistou o título de tipologia mais desejada. A explicação pode estar no facto de oferecer espaço suficiente sem entrar no território dos preços proibitivos que caracterizam muitos T3 em zonas urbanas.
Para casais jovens, famílias pequenas ou mesmo quem trabalha a partir de casa e precisa de um quarto extra, o T2 resolve muitos problemas de uma vez. É a solução que permite ter um quarto de hóspedes ou transformar a segunda divisão num escritório sem precisar de um orçamento estratosférico.
Do lado da oferta, os T2 representam 36% do total de apartamentos disponíveis. Os T3 aparecem logo a seguir com 35%, criando uma distribuição relativamente equilibrada entre estas duas tipologias.
Tipologias pequenas ficam para trás
Os estúdios e T1 têm um peso residual tanto na procura como na oferta. Estes dados sugerem que o mercado português se afastou das tipologias mais compactas, ao contrário do que acontece noutros países europeus onde os apartamentos mais pequenos têm maior expressão.
A pandemia pode ter acelerado esta tendência. Viver num espaço reduzido quando se passa o dia inteiro em casa mostrou-se um desafio para muitos. A necessidade de criar zonas funcionais distintas dentro de casa ganhou importância.
Casas de campo seguem lógica própria
No segmento das casas de campo, a procura inclina-se para tipologias ainda maiores. Os T4 ou superiores lideram com 30% das preferências, o que faz sentido quando se pensa que estas propriedades servem frequentemente como segundas habitações ou casas para famílias alargadas.
Curiosamente, a oferta não acompanha totalmente este padrão. As casas de campo disponíveis são maioritariamente T3, que representam 63% do total. Existe aqui um desfasamento que pode criar oportunidades de mercado para quem procura tipologias maiores fora dos centros urbanos.
Mudança estrutural reflete novos estilos de vida
Estes números pelo Idealista apontam para algo maior do que simples flutuações de mercado. Trata-se de uma transformação na forma como os portugueses encaram a habitação.
O lar deixou de ser apenas o sítio onde se dorme. Passou a ser escritório, ginásio improvisado, sala de aulas virtual e espaço de lazer. Esta multiplicidade de funções exige mais metros quadrados e melhor organização dos espaços.
O teletrabalho veio para ficar em muitos setores, mesmo que de forma híbrida. Esta realidade obriga a repensar as necessidades habitacionais. Um quarto extra já não é excesso, é necessidade para muitas famílias que precisam de isolar o trabalho das restantes atividades domésticas.
O que esperar do mercado nos próximos tempos
A tendência para tipologias maiores parece consolidada. As famílias continuam a valorizar espaço e funcionalidade, características que dificilmente perderão importância a curto prazo.
Para quem procura casa, conhecer estes dados ajuda a perceber onde está a concorrência e que tipologias podem oferecer melhor relação qualidade-preço. Para quem investe, os números indicam onde pode estar a procura mais consistente.
O mercado habitacional português está a adaptar-se a uma nova realidade. Resta saber se a oferta conseguirá acompanhar não apenas em quantidade, mas também em qualidade e localização.
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