Em 2025, a inteligência artificial já não é uma promessa distante, é uma realidade diária que está a transformar o mercado de trabalho em Portugal. De norte a sul, o talento nacional está a moldar algoritmos, alimentar sistemas com dados e até a pensar sobre os limites éticos da tecnologia. Para quem procura uma carreira com futuro, aqui estão dez profissões onde a IA deixou de ser tendência e passou a ser ferramenta.
10 profissões que trabalham com inteligência artificial
Cientista de dados
Entre gráficos, dashboards e muitos ficheiros CSV, os cientistas de dados são os detetives da era digital. Procuram padrões escondidos em milhões de linhas de informação, antecipam comportamentos e traduzem dados em decisões.
Trabalham lado a lado com equipas de marketing, produto ou finanças, e em empresas portuguesas já se tornam figuras-chave, sobretudo em setores como banca, telecomunicações e saúde. Em Lisboa, os salários começam nos 22.000€ e podem ultrapassar os 55.000€ por ano com alguma experiência.
Engenheiro de IA
Este é o profissional que não só percebe o que a IA pode fazer, como também a constrói. Desde modelos de linguagem até sistemas de recomendação, passa os dias entre código, testes e deployment. Em Portugal, muitas startups tecnológicas e hubs de inovação estão à procura destes engenheiros. E sim, o salário reflecte a procura: multinacionais a operar por cá oferecem pacotes bastante competitivos, alguns acima dos 50.000€ anuais.
Engenheiro de Machine Learning
Treinar um modelo de machine learning é um pouco como ensinar um cão a sentar. Só que com muito mais matemática, e sem biscoitos. Estes engenheiros ajustam modelos, testam hipóteses e afinam algoritmos para que a IA aprenda sozinha com os dados. Trabalham em sectores tão variados como e-commerce, seguros e mobilidade urbana. Em Lisboa, a média ronda os 47.500€ por ano, com margem para crescer.
Analista de Big Data
Numa era em que tudo gera dados, do relógio ao frigorífico, alguém tem de os compreender. Os analistas de big data transformam este ruído em inteligência accionável. Em empresas portuguesas, são cada vez mais procurados para apoiar decisões de negócio, prever riscos e identificar oportunidades. Com salários que podem chegar aos 50.000€ por ano, é uma profissão em crescimento sustentado.
Especialista em visão computacional
Imagens, vídeo, sensores, tudo o que a máquina vê, este profissional interpreta. Desenvolvem sistemas para inspeção industrial, carros autónomos ou até diagnósticos médicos com base em imagem. Como se trata de um nicho técnico, o reconhecimento e a remuneração tendem a acompanhar: a média salarial para um engenheiro de visão computacional em Portugal situa‑se nos 53.000€/ano, com perfis de entrada em 37.000€/ano e perfis sénior a chegar aos 66.350€/ano.
Engenheiro de robótica
A robótica moderna não se limita à indústria pesada, está presente em logística, saúde e até na agricultura. E quando se cruza com IA, o resultado é fascinante: máquinas que não só executam, mas também adaptam. Em Portugal, há projetos de investigação e empresas a recrutar engenheiros capazes de integrar hardware e inteligência artificial. O salário médio ronda os 36.000€ por ano, com boas perspectivas em empresas tecnológicas.
Especialista em processamento de linguagem natural
Os NLP Engineer são o cérebro por trás dos assistentes virtuais, tradutores automáticos e chatbots inteligentes. Trabalham para que a tecnologia perceba o que dizemos, e que nos responda de forma natural. O português de Portugal tem nuances próprias, por isso, este perfil é especialmente valorizado por empresas que desenvolvem soluções para o mercado nacional. Um engenheiro de NLP em Portugal ganha em média 63.106€ por ano, podendo começar nos 44.253€ no nível júnior e chegar aos 78.131€ com experiência sénior.
Gestor de produto de IA
Nem só de código vive a IA, alguém tem de garantir que os sistemas desenvolvidos fazem sentido para o utilizador, para o negócio e para o mercado. Esse alguém é o gestor de produto. Articula-se com equipas técnicas, define prioridades e traduz necessidades em funcionalidades. A média salarial ronda os 17.500€/ano para tempo completo, embora em empresas mais maduras ou multinacionais, especialmente no Porto, os valores possam ultrapassar os 45.000€ anuais.
Especialista em ética e governança de IA
Porque nem tudo o que a IA pode fazer deve ser feito, há quem se dedique a pensar nas implicações éticas da tecnologia. Avaliam riscos, identificam enviesamentos e ajudam empresas a respeitar normas como o RGPD. Com a nova legislação europeia sobre IA prestes a entrar em vigor, este papel ganha força em Portugal. E os salários podem ir dos 50.000€ aos 150.000€ anuais, consoante a experiência e o contexto empresarial.
Curador de dados para IA
A inteligência artificial só funciona bem se for bem alimentada. Por isso, quem prepara, limpa e organiza os dados tem um papel fundamental. É um trabalho meticuloso, que exige tanto conhecimentos técnicos como atenção ao detalhe. Empresas em Portugal que desenvolvem sistemas de IA estão cada vez mais a investir em curadores ou engenheiros de dados. A média salarial ronda os 32.000€ anuais, com espaço para crescer.
Porque vale a pena apostar nestas profissões
Há quem tema que a IA vá roubar empregos e há quem aprenda a construí-la. Quem optar pelas profissões certas hoje, estará a desenhar o futuro do trabalho. Portugal, apesar da sua escala, está a tornar-se cada vez mais competitivo no mercado da IA, com talento reconhecido a nível internacional.
A parte boa? Hoje há mais recursos, cursos e oportunidades do que nunca. A parte menos entusiasmante? É preciso arregaçar as mangas. Porque mesmo com IA, o futuro continua a escrever-se com esforço e, idealmente, com um salário à altura.
Nota sobre os dados salariais
As estimativas de salário apresentadas neste artigo baseiam-se em dados públicos disponíveis em 2025, recolhidos através de fontes fiáveis. Os valores representam médias nacionais e podem variar significativamente consoante a localização, experiência, formação académica, setor de atividade, dimensão da empresa e tipo de contrato. Os dados devem ser interpretados como referências indicativas e não como garantias contratuais ou expectativas salariais fixas.
Fontes:
SalaryExpert
ERI Economic Research Institute
Glassdoor
Payscale
Levels.fyi
World Salaries
Randstad