Share the post "Reembolso do IRS em 2026 pode ser mais baixo. Saiba as razões"
O reembolso do IRS em 2026 tende a ser mais baixo porque as tabelas de retenção na fonte foram ajustadas para reter um valor mais próximo do imposto efetivamente devido, reduzindo o excesso que antes gerava reembolsos maiores.
Para maximizar o valor a receber, é essencial validar todas as faturas no e-Fatura, confirmar todas as deduções elegíveis e simular a entrega conjunta ou separada no Portal das Finanças.
O Governo reduziu as taxas de retenção aplicadas ao longo do ano, o que se traduziu em salários líquidos mensais ligeiramente mais elevados.
O problema, ou antes, o equilíbrio, é que, ao reter menos ao longo dos meses, o adiantamento feito ao Estado ficou muito mais próximo do valor real do imposto a pagar, deixando pouca ou nenhuma margem para reembolso na liquidação final.
Razões para o reembolso ser mais baixo

Compreender os mecanismos por detrás desta mudança é o primeiro passo para não ser apanhado de surpresa. Existem vários fatores que concorrem para este resultado.
Retenção na fonte aproximada ao imposto real
A retenção na fonte é o mecanismo pelo qual a entidade empregadora desconta, todos os meses, uma estimativa do IRS que o trabalhador irá dever no final do ano.
Durante anos, as tabelas foram calibradas de forma relativamente conservadora, ou seja, retinham ligeiramente acima do necessário, o que gerava um reembolso habitual aquando da liquidação anual.
Com as novas tabelas em vigor, essa diferença reduziu-se significativamente. Quem recebeu mais ao longo do ano no salário líquido, vai notar que o acerto de abril já não lhe devolve o que costumava receber.
Descida nos escalões intermédios
Em 2026, as taxas do segundo ao quinto escalão do IRS desceram entre 0,3 e 0,6 pontos percentuais.
Esta redução beneficia sobretudo quem tem rendimentos baixos e médios, mas também contribui para que o imposto final a pagar seja menor, o que, na prática, diminui a diferença entre o que foi retido e o que era efetivamente devido.
Atualização dos escalões e do mínimo de existência
Os limites de cada escalão foram atualizados para acompanhar a inflação, e o mínimo de existência foi reforçado para 12.880 euros anuais, em linha com a subida do salário mínimo nacional para 920 euros mensais.
Esta proteção alargada significa que uma fatia maior do rendimento fica isenta de tributação, o que é positivo para o orçamento familiar, mas reduz a probabilidade de haver excedente a reembolsar.
Menos deduções acumuladas
O montante a reembolsar depende não só do que foi retido, mas também das deduções que cada contribuinte conseguiu acumular ao longo do ano.
Faturas não pedidas com NIF, despesas de saúde sem comprovativo ou rendas não declaradas traduzem-se diretamente numa dedução menor e, portanto, num reembolso inferior.
O que ainda pode fazer para maximizar o reembolso
Mesmo que a janela de oportunidade para o ano fiscal de 2025 esteja a fechar, ou já tenha fechado em algumas categoriass, ainda existem ações concretas que podem fazer diferença no apuramento final.
E, para quem pensa já no IRS de 2027, as boas práticas devem começar agora.
Validar faturas no e-Fatura
O prazo para validar faturas no Portal das Finanças referentes a 2025 encerrou a 2 de março de 2026. Quem não o fez a tempo perde as deduções correspondentes.
No entanto, ainda vale a pena verificar se existem faturas pendentes de categorização, por exemplo, uma fatura de saúde que o sistema não classificou automaticamente, e proceder à sua correção antes de entregar a declaração.
Simular declaração conjunta vs separada
Casais e unidos de facto têm a opção de entregar o IRS em conjunto ou separadamente. A escolha certa pode representar uma diferença significativa no valor final.
O Portal das Finanças disponibiliza uma ferramenta de simulação que permite comparar os dois cenários e a recomendação é clara: simular sempre antes de submeter.
Agregado familiar e os dependentes
A composição do agregado familiar tem impacto direto nas deduções. Dependentes menores de seis anos, estudantes universitários fora do domicílio fiscal, ou situações de guarda partilhada são exemplos de realidades que devem estar corretamente declaradas na AT.
Em 2026, o reforço das deduções por dependente menor de seis anos é uma das novidades que pode fazer diferença para famílias com filhos pequenos.
Deduções a considerar na declaração
| Categoria | Dedução | Limite Máximo |
| Saúde | 15% das despesas | 1.000 € |
| Educação | 30% das despesas | 800 € (+ majoração para estudantes deslocados) |
| Habitação (rendas) | 15% das rendas pagas | 600 € |
| Despesas gerais familiares | 35% das despesas com NIF | 250 € (por sujeito passivo) |
| IVA setorial (restauração, automóvel, cabeleireiro) | 15% do IVA suportado | 250 € |
| Passes de transportes públicos | 100% do valor pago | 250 € (incluído no IVA setorial) |
| Lares e apoio a idosos | 25% das despesas | 403,75 € |
| Pensões de alimentos | 20% dos montantes pagos | Sem limite fixo |
| PPR – Planos Poupança Reforma | 20% das entregas anuais | 400 € (varia conforme a idade) |
Considerar o englobamento de rendimentos
Contribuintes com rendimentos de capitais, como juros de depósitos bancários, dividendos ou rendimentos de fundos de investimento, têm a possibilidade de os englobar na declaração de IRS.
Esta opção pode ser vantajosa para quem tem rendimentos totais abaixo dos escalões mais elevados, dado que a taxa marginal aplicável pode ser inferior à taxa autónoma de 28% normalmente praticada nestes casos.
Confirmar dados bancários para reembolso
Um detalhe simples, mas muitas vezes esquecido: é fundamental garantir que o IBAN registado no Portal das Finanças está atualizado.
Um IBAN desatualizado atrasa o reembolso, ou pode mesmo impedi-lo, e obriga a processos de correção posteriores.
Checklist a rever antes de entregar a declaração

- Verificar todas as faturas no e-Fatura e corrigir as que estejam com categoria errada
- Confirmar a composição do agregado familiar na AT (casamentos, divórcios, nascimentos)
- Simular a declaração conjunta e separada para casais e unidos de facto
- Garantir que despesas de saúde com prescrição médica estão devidamente registadas
- Registar despesas de educação com NIF do estabelecimento de ensino
- Verificar se os contratos de arrendamento estão comunicados à AT
- Atualizar o IBAN no Portal das Finanças para receber o reembolso
- Avaliar se o englobamento de rendimentos de capitais é vantajoso no caso concreto
- Considerar a entrega logo em abril para receber o reembolso mais cedo (até 31 de agosto)
Por que é que o reembolso do IRS em 2026 vai ser mais baixo?
Porque as tabelas de retenção na fonte foram ajustadas para reter um
valor mais próximo do imposto efetivamente devido ao longo do ano.
Isto significa que os contribuintes receberam mais no salário líquido mensal,
mas o excedente que gerava reembolsos expressivos foi eliminado. Não se
trata de pagar mais imposto. Trata-se de pagar de forma mais equilibrada.
O que posso fazer para aumentar o meu reembolso do IRS?
Garantir que todas as faturas com NIF estão validadas no e-Fatura, verificar
as deduções de saúde, educação, habitação e despesas gerais, simular
a declaração conjunta vs. separada e considerar o englobamento de
rendimentos de capitais, se for vantajoso no caso concreto.
Qual é o prazo para entregar o IRS em 2026?
O prazo de entrega da declaração de IRS relativa aos rendimentos de 2025
decorre entre 1 de abril e 30 de junho de 2026. Quanto mais cedo for
entregue, maior a probabilidade de receber o reembolso antes do
limite legal de 31 de agosto.
Posso ter de pagar IRS em vez de receber reembolso?
Sim. Se o total de imposto retido ao longo do ano for inferior ao imposto
apurado na liquidação final, depois das deduções, o contribuinte terá de pagar a diferença. Esta situação tornou-se mais provável com o ajuste das tabelas de retenção na fonte.
As novas tabelas do IRS significam que vou pagar mais imposto?
Não necessariamente. As taxas dos escalões intermédios desceram
em 2026, o que significa que a carga fiscal global é igual ou inferior à dos
anos anteriores para a maioria dos contribuintes. O reembolso mais baixo
reflete uma distribuição mais eficiente do pagamento ao longo do ano, não
um aumento da tributação.
Até quando posso validar faturas no e-Fatura para o IRS de 2026?
O prazo para validar faturas referentes ao ano fiscal de 2025 terminou
a 2 de março de 2026. Para o IRS a entregar em 2027, as faturas de 2026
devem ser validadas até ao início de março de 2027, pelo que convém
criar o hábito de validar regularmente ao longo do ano.
2027? Boas práticas a adotar já este ano
A melhor forma de evitar surpresas no IRS de 2027 é cultivar hábitos fiscais ao longo de todo o ano de 2026.
Pedir sempre fatura com NIF, em restaurantes, farmácias, clínicas, cabeleireiros, é o gesto mais simples e mais impactante que qualquer contribuinte pode adotar. Cada fatura representa uma fração da dedução final.
Para quem não quer depender de um reembolso imprevisível, uma alternativa prática é criar uma poupança mensal autónoma de valor equivalente ao que habitualmente recebia de reembolso.
Em vez de contar com um valor incerto no final da primavera, o contribuinte acumula ao longo do ano um fundo que pode usar quando precisar.
Quem tem situações fiscais mais complexas (rendimentos de várias fontes, imóveis, investimentos, atividade como trabalhador independente) beneficia claramente do acompanhamento de um contabilista certificado.
A diferença entre uma declaração bem otimizada e uma entregue por rotina pode representar centenas de euros.