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Miguel Pinto
Miguel Pinto
25 Mar, 2022 - 11:14

São Jorge: dois mil sismos fazem temer erupção nos Açores

Miguel Pinto

As imagens de La Palma podem repetir-se em São Jorge e os habitantes já abandonam a ilha. Lembramos outros sismos que abalaram os Açores.

Perigo de erupção na ilha de São Jorge

Tem sido um desassossego na ilha de São Jorge, no arquipélago dos Açores. A terra não pára de tremer, com sismo sucessivos (já se contam mais de dois mil), havendo o receio de uma erupção vulcânica a qualquer momento. O padrão é muito parecido com aquele que sucedeu na ilha de La Palma e que levou a uma erupção que durou semanas.

Antecipando a eventualidade de suceder o pior cenário, as autoridades açorianas já começaram a intervir em São Jorge, designadamente com a transferência de idosos e acamados da localidade de Velas, que parece estar no epicentro desta série contínua de sismos.

Ao mesmo tempo, tem sido aconselhado que de momento não se façam viagens não essenciais para a ilha (especialmente turismo), estando ainda disponível transporte para os habitantes locais que queiram abandonar São Jorge. E já há muitos a sair, não vá o diabo tecê-las.

São Jorge: os sismos que abalam os Açores

Mas afinal, que fenómeno está acontecer nos Açores? A atividade sísmica na ilha de São Jorge está muito acima do normal, registando abalos quase em contínuo. O receio de um sismo de maior magnitude, que cause danos, ou mesmo de uma erupção similar à que aconteceu em La Palma, são cenários reais, estando por isso a região a ser monitorizada com toda a atenção. O facto de ser uma zona ativa em termos vulcânicos (havendo registo de duas erupções consideráveis em 1580 e 1808), faz com que o fator risco seja bastante elevado.

Os vulcões não são alvo de uma ciência exata, daí que seja difícil prever o que vai acontecer. Em 2019, a crise sísmica no Faial originou mais de 5 mil sismos durante um mês e meio. Depois acalmou. Mas a verdade é que na história dos Açores há um sem número de registos de sismos de diferentes magnitudes. Recordamos agora os mais violentos e que deixaram sequelas. Para o bem e para o mal.

Angra do Heroísmo: destruição total

Angra do Heroísmo
Casas destruídas no sismo de 1980 em Angra do Heroísmo

A 1 de janeiro de 1980, ainda se celebrava a entrada numa nova década, a terra tremeu com violência em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Precisamente às 15h42, um abalo com a magnitude de 7,2 na Escala de Richter destruía praticamente 70 por cento do parque habitacional da ilha, e todo o centro histórico de Angra, provocando a morte a mais de 70 pessoas. O epicentro foi 35 quilómetros a su-sudoeste da ilha, o que levou è existência de danos consideráveis não só na Terceira, mas também em São Jorge e na Graciosa.

A origem vulcânica dos Açores leva a que regularmente se façam sentir alguns sismos, o que se explica pelo facto de o arquipélago se situar numa área tectonicamente complexa, entre os limites das placas euro-asiática e africana, formando a sua própria microplaca.

Este sismo de 1980 em Angra do Heroísmo foi precisamente o resultado de um movimento ao longo de uma falha tectónica. No meio de toda a devastação, este sismo serviu para alguma coisa, designadamente o reforço dos sistemas de controlo e vigilância sismológica na região, até aí claramente insuficientes.

Erupção nos Capelinhos

Uma vez por outra a terra nos Açores mostra que está ali para impor respeito e faz-se ouvir. Foi o que aconteceu com o vulcão dos Capelinhos, no Faial, a 27 de setembro de 1957. Durante aproximadamente um ano, a atividade sísmica transformou de forma radical o extremo oeste da ilha açoriana. Grande parte da população local emigrou, os campos ficaram devastados, as habitações destruídas. Ninguém morreu, mas a paisagem nunca mais voltaria a ser a mesma.

A erupção dos Capelinhos acrescentou 2,5 quilómetros quadrados ao Faial e nas décadas seguintes transformou-se numa atração não só para muitos estudiosos da sismologia, mas também dos turistas que desejam ver com os seu próprios olhos aquilo que uma erupção vulcânica pode fazer.

Açores: viver com os sismos

A verdade é que não obstante o potencial de destruição associado a este tipo de fenómenos, há muito tempo que o arquipélago dos Açores é sacudido regulamente por sismos de maior ou menos intensidade.  Por exemplo, em 1973, registou-se uma crise sísmica no Pico e no Faial, sentida ainda em São Jorge. A 23 de novembro, pouco passava das 12h30, registou-se um violento tremor de terra no Pico, próximo de Santo António, que provocou danos graves, com casas destruídas e estradas obstruídas. Em 1989, na ilha de São Miguel, um forte sismo com epicentro na Lagoa do Congro provocou vários estragos na freguesia de Água d’Alto. 

O último grande abalo na região aconteceu em 1998 e atingiu as ilhas do Faial, Pico e São Jorge. Com uma magnitude de 5,6 na escala de Richter, teve especial impacto no Faial, onde provocou destruição generalizada nas freguesias de Ribeirinha, Pedro Miguel, Salão e Cedros, tendo ainda atingido várias localidade do Pico. Este abalo provocou a morte de oito pessoas, todas no Faial, tendo 1700 ficado desalojadas.

Fajã na ilha de São Jorge
Vista da ilha de São Jorge

São Jorge: à espera do pior?

Não é possível prever com exatidão de que forma se desenvolve uma crise sísmica desta natureza. Há muitos exemplos semelhantes, com desfechos completamente díspares. No entanto, os especialistas são unânimes em considerar que o padrão daquilo que estamos a assistir na ilha de São Jorge é quase idêntico ao que aconteceu em La Palma nos dias que antecederam a erupção.

Muito menos é possível aferir da violência do que aí virá. O fúria destruidora da Terra quando se manifesta pode ter consequências absolutamente desastrosas. Basta lembrar o terramoto de Lisboa em 1755, muito possivelmente o mais devastador de que há registo na Europa e no Mundo. Só para se ter uma ideia do potencial destrutivo de um sismo, aqui fica a escala de Richter, através da qual é medida a magnitude dos sismos:

  • Micro (menos de 2,0)
  • Muito pequenos (2,0-2,9)
  • Pequenos (3,0-3,9)
  • Ligeiros (4,0-4,9)
  • Moderados (5,0-5,9)
  • Forte (6,0-6,9)
  • Grandes (7,0-7,9)
  • Importantes (8,0-8,9)
  • Excecionais (9,0-9,9)
  • Extremos (superior a 10).
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