O entusiasmo inicial do trabalho remoto costuma concentrar-se na liberdade de horários, na ausência de deslocações e na ideia confortável de poder trabalhar com menos stress.
O problema surge mais tarde. Surge quando o corpo começa a queixar-se. Dores na lombar, tensão nos ombros, formigueiro nos pulsos. Pequenos sinais que indicam que o “escritório improvisado” não está a funcionar. Criar um escritório em casa eficaz não é uma questão de estética. É uma questão de ergonomia. E ergonomia significa adaptação do espaço ao corpo humano, não o contrário.
Cadeira ergonómica ideal
O ponto de partida é a cadeira. Uma cadeira ergonómica deve permitir ajustar altura, profundidade do assento, apoio lombar e braços. Estes elementos não são acessórios. São mecanismos de ajuste que evitam compensações posturais ao longo do dia.
Quando o assento é demasiado baixo, os joelhos elevam-se e a pressão na zona lombar aumenta. Quando é demasiado alto, os pés ficam suspensos e a circulação piora. Pequenos desalinhamentos produzem efeitos cumulativos.
O encosto deve acompanhar a curvatura natural da coluna. Não deve forçar uma postura rígida nem permitir que o utilizador se afunde. O apoio lombar, em particular, reduz a sobrecarga na parte inferior das costas. A ausência deste suporte traduz-se frequentemente em desconforto após poucas horas de trabalho contínuo.
Cadeira ergonómica e a altura das secretárias
A secretária é o segundo elemento crítico. A altura deve permitir que os antebraços permaneçam paralelos ao chão, com os ombros relaxados. Se os ombros sobem para alcançar o teclado, existe tensão. Se os pulsos dobram excessivamente, surgem riscos de lesões por esforço repetitivo.
Ajustes simples, como suportes para monitor ou apoios de pés, podem corrigir desequilíbrios sem necessidade de substituir todo o mobiliário.
Monitores e iluminação
O posicionamento do monitor influencia diretamente a postura cervical. O topo do ecrã deve situar-se ao nível dos olhos. Quando o ecrã está demasiado baixo, o pescoço inclina-se para a frente durante horas. Esta inclinação contínua aumenta a pressão sobre as vértebras cervicais. A longo prazo, o desconforto torna-se recorrente.
A iluminação também desempenha um papel determinante. Idealmente, a luz natural deve entrar lateralmente, evitando reflexos diretos no ecrã. Em ambientes com pouca luz natural, uma luminária de apoio direcionada para a superfície de trabalho ajuda a reduzir o esforço visual. Trabalhar em ambientes escuros ou com contrastes excessivos acelera a fadiga ocular e contribui para dores de cabeça.
Exercício físico
Outro aspeto muitas vezes negligenciado é o movimento. Mesmo com mobiliário adequado, secretária, cadeira ergonómica, etc, permanecer sentado durante longos períodos não é saudável.
O corpo humano foi concebido para alternar posições. Levantar-se regularmente, caminhar brevemente e realizar alongamentos simples reduz a tensão acumulada. Estes intervalos não diminuem a produtividade. Pelo contrário, ajudam a mantê-la.
E claro está que a organização e a arrumação também influenciam a eficiência. Um espaço desordenado aumenta distrações e dificulta concentração. Manter apenas o essencial na área de trabalho facilita o foco e reduz estímulos visuais desnecessários. Não se trata de minimalismo extremo, mas de funcionalidade.
Como se pode ver, criar um escritório em casa não exige transformar a habitação num ambiente corporativo. Exige consciência dos próprios limites físicos e atenção aos detalhes que sustentam horas de concentração. Um espaço bem ajustado protege a saúde e melhora o desempenho.
No final do dia, o critério mais simples continua válido, ou seja, se o corpo termina a jornada sem dor persistente, o escritório cumpre a sua função. Se termina com desconforto constante, é sinal de que ajustes são necessários. A ergonomia não é tendência, é prevenção.