Miguel Pinto
Miguel Pinto
10 Fev, 2026 - 11:00

Vale a pena aderir ao tarifário indexado de eletricidade?

Miguel Pinto

O tarifário indexado de eletricidade pode significar uma poupança considerável. mas há diversos fatores a ter em atenção.

tarifário indexado de eletricidade

O tarifário indexado de eletricidade é uma modalidade de contrato em que o preço pago pelo quilowatt-hora (kWh) não é fixo, varia todos os meses, consoante os valores praticados no mercado grossista de energia, o OMIE (Mercado Ibérico de Eletricidade).

A empresa fornecedora compra a eletricidade a esse preço e acrescenta uma margem de lucro, idealmente próxima dos meio cêntimo por kWh.

É diferente do chamado mercado livre ou liberalizado, onde os preços são fixos durante o período contratado. No tarifário indexado, o preço sobe e desce todos os meses e é precisamente isso que o torna interessante em determinadas alturas do ano. Basicamente, quando a eletricidade está barata no mercado, o tarifário indexado pode representar poupanças muito expressivas. Quando está cara, deve evitar-se.

Tarifário indexado de eletricidade: voz ao mercado

A primeira semana de fevereiro de 2026 trouxe uma realidade muito favorável para os consumidores domésticos atentos, ou seja, os preços no OMIE desceram para valores historicamente baixos.

A razão principal foi o enchimento das barragens, que passaram a debitar grandes volumes de água, aumentando a produção hidroelétrica e fazendo colapsar o preço da eletricidade no mercado grossista.

Há imensos períodos do dia em que a eletricidade ficou disponível praticamente a custo zero, dos preços mais baixos registados nos últimos anos. A média dos primeiros nove dias de fevereiro situou-se nos 4 €/MWh, um contraste dramático face ao mês anterior, já que em janeiro, a média terminou nos 71 euros por megawatt-hora.

Fazendo as contas com base na fórmula de algumas comercializadoras, isso traduzir-se-ia num preço de cerca de 8 cêntimos por kWh em fevereiro, aproximadamente metade do que é cobrado no mercado regulado.

Quanto se pode poupar com o tarifário indexado?

Os números falam por si. Num cenário em que o preço do kWh desce para metade face ao mercado regulado, uma família com um consumo mensal de 300 kWh poderia facilmente poupar 20 euros por mês, ou seja, 240 euros por ano.

Segundo a análise dos futuros do OMIE, os preços não deverão ultrapassar os 50 euros por megawatt-hora até junho, o que significa que, na melhor das hipóteses, estamos perante uma janela de poupança substancial de pelo menos quatro meses.

Historicamente, há precedentes claros. Entre 2019 e 2021 e entre 2022 e junho de 2024, quem aderiu a este tipo de tarifário poupou centenas ou mesmo milhares de euros.

Para quem é (e não é) este tarifário?

Preço da eletricidade sobe no mercado regulado

Este é um ponto essencial que muita gente ignora. O tarifário indexado não é para toda a gente.

É adequado para quem está disposto a acompanhar regularmente os preços no OMIE, não tem problema em mudar de empresa fornecedora a qualquer momento, com rapidez e tem capacidade de reagir assim que os preços sobem e tornam o tarifário desvantajoso

Por outro lado, quem prefere estabilidade, previsibilidade na fatura e não quer gastar tempo a monitorizar o mercado energético, provavelmente ficará melhor servido com um tarifário de preço fixo, seja no mercado regulado, seja no mercado livre.

O erro de muitos consumidores

Há um erro muito comum que pode levar os consumidores a pensar que estão a poupar, quando afinal não estão.

Alguns consumidores achavam que estavam a poupar nos tarifários indexados porque olhavam para a fatura, mas esqueciam-se de somar as Tarifas de Acesso às Redes (TAR) ao preço do kWh que viam discriminado.

Para fazer uma comparação justa e rigorosa, é sempre necessário somar mais 6 cêntimos ao preço da energia (correspondente às TAR), acrescido da margem de lucro do comercializador, caso esta não esteja já incluída no preço da energia apresentado. Ignorar este detalhe pode fazer parecer que o tarifário indexado é muito mais barato do que realmente é.

Como aderir ao tarifário indexado de eletricidade?

eletricidade vai aumentar

O processo é mais simples do que parece. Existem várias formas de encontrar comercializadores com tarifários indexados em Portugal.

1. Simulador da ERSE. cA Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos disponibiliza um simulador gratuito em simuladorprecos.erse.pt, onde é possível comparar os diferentes tarifários disponíveis no mercado.

2. Contactar diretamente os comercializadores. Basta pesquisar “tarifários eletricidade indexado Portugal” e contactar as empresas para pedir orçamento. Compare sempre o preço do kWh com o que está a pagar atualmente na fatura.

3. Plataformas de comparação. Existem serviços que fazem a comparação por si e tratam de todo o processo de mudança. A mudança de comercializador é feita pela nova empresa e o consumidor não precisa de fazer praticamente nada.

É importante referir que mudar de comercializador é gratuito e sem complicações burocráticas para o consumidor. A empresa de destino trata de toda a transição.

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Devo mudar agora ou esperar?

Esta é a pergunta de um milhão de euros ou, pelo menos, de algumas centenas por ano. Com base nos valores de janeiro, a resposta seria negativa. Mas com os dados dos primeiros nove dias de fevereiro, o cenário mudou significativamente. O sinal está lá e os preços no OMIE estão em mínimos históricos recentes, e as perspetivas para os próximos meses são favoráveis.

A incógnita, como sempre neste mercado, é a duração desta tendência. As barragens cheias são a causa imediata da baixa de preços, mas as condições meteorológicas são imprevisíveis e os preços podem subir rapidamente se a afluência às albufeiras diminuir.

A posição mais sensata é se estava à espera de um sinal para aderir ao tarifário indexado, fevereiro de 2026 pode ser esse momento, desde que esteja preparado para monitorizar a situação e agir depressa caso os preços revertam.

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