Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
29 Ago, 2025 - 16:45

Violência doméstica em Machico: Catarina Martins exige reforma urgente na Justiça

Cláudia Pereira

Violência doméstica em Machico reacende debate sobre falhas na proteção das vítimas em Portugal. Catarina Martins exige revisão das leis, mais apoio às vítimas e respostas judiciais eficazes.

A violência doméstica em Machico voltou a expor os graves desafios que Portugal enfrenta no combate à violência de género. O caso de agressão brutal captado por câmaras de vigilância — diante de uma criança — chocou o país e reacendeu o debate sobre a eficácia das leis e da atuação judicial.

A eurodeputada Catarina Martins classificou o episódio como um sinal urgente de que a justiça precisa ser reformulada para proteger verdadeiramente as vítimas.

Violência contra mulheres em Portugal: um problema estrutural

Catarina Martins e a urgência de rever as leis sobre violência machista em Portugal

Apesar de avanços legislativos nos últimos anos, a violência contra mulheres em Portugal continua a revelar fragilidades profundas no sistema judicial e na rede de apoio às vítimas. Em declarações públicas, Catarina Martins lamentou que seja necessária a circulação de imagens violentas para que a opinião pública e o poder político se mobilizem.

A dirigente defende novas políticas de prevenção e punição, nomeadamente:

– Formação obrigatória em género para magistrados e forças de segurança;
– Reforço dos apoios a vítimas e filhos expostos à violência;
– Alterações legislativas que eliminem brechas jurídicas.

Para Catarina Martins, enquanto a justiça continuar a tratar casos de violência doméstica como episódios isolados, e não como resultado de um sistema desigual e machista, a resposta será sempre insuficiente.

A resposta judicial: prisão preventiva e proteção das vítimas

No caso específico de Machico, a atuação célere do Ministério Público e da Polícia de Segurança Pública impediu consequências ainda mais trágicas. O agressor, de 35 anos, foi detido de imediato e viu o tribunal aplicar a prisão preventiva — a medida de coação mais gravosa prevista na lei.

A vítima estava acompanhada pelo filho menor, que, segundo relatos, implorou ao pai para parar a agressão. Este pormenor salientou, uma vez mais, a total ausência de filtros na reprodução da violência em ambiente doméstico, onde o trauma das crianças tende a ser negligenciado.

Política de género em Portugal: medidas em debate e desafios persistentes

A tragédia em Machico reacendeu o debate entre eurodeputados portugueses sobre a política de género no nosso país. A falta de uniformidade nas decisões judiciais, a escassez de recursos nos centros de apoio e a ausência de programas pedagógicos eficazes nas escolas foram apontados como falhas críticas.

Estão em cima da mesa propostas que contemplam:

– Revisão da jurisprudência que afasta a violência conjugal da avaliação da parentalidade;
– Criação de equipas multidisciplinares permanentes em cada comarca;
– Planeamento de campanhas nacionais contínuas sobre violência doméstica.

Entre as principais exigências está também o envolvimento ativo do Ministério Público em todos os processos de violência conjugal, com prioridade nos casos em que existam menores envolvidos.

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