Share the post "Alerta de sismos da Google também funciona em Portugal: saiba como ativar"
Os sismos que abalaram a Venezuela nos últimos dias voltaram a pôr o alerta de sismos da Google em destaque. Mais de 11,4 milhões de pessoas receberam avisos no telemóvel segundos antes de sentirem o abalo, segundo dados confirmados pela Google ao New York Times. A mesma ferramenta já está disponível em Portugal.
O sistema chama-se Android Earthquake Alerts System e está ativo em 98 países, incluindo o território português. Não substitui a Proteção Civil nem o IPMA, mas pode dar-lhe alguns segundos preciosos para se proteger e não custa nada.
Como funciona o alerta de sismos da Google
A tecnologia usa os acelerómetros que já existem em qualquer smartphone Android, os mesmos sensores que rodam o ecrã quando muda a orientação do telemóvel. Quando vários telemóveis numa mesma zona detetam vibrações semelhantes, o sinal é enviado para os servidores da Google, que cruzam a informação com a localização aproximada de cada aparelho.
Se o padrão corresponder a um sismo, o sistema envia um alerta a quem está na área de risco. Como as primeiras ondas sísmicas viajam mais depressa do que as ondas destrutivas, quem estiver mais longe do epicentro pode receber o aviso antes de sentir o abalo. Só são emitidos alertas para sismos de magnitude igual ou superior a 4,5, e a Google garante que já detetou mais de 18 mil sismos em todo o mundo através desta rede.
Em Portugal, o sistema já provou que funciona: no sismo que atingiu a costa alentejana em agosto de 2024, o mais forte sentido no país desde 1969, vários utilizadores Android relataram ter recebido o aviso antes ou durante o abalo.
Como ativar o alerta em segundos
Ativar o alerta de sismos no Android demora menos de um minuto:
- Abra as Definições do telemóvel;
- Entre em Segurança e emergência;
- Procure a opção Alertas de terramoto;
- Confirme que está ligada.
Se não encontrar o menu, pesquise diretamente por “Earthquake alerts” nas definições, o caminho pode variar consoante a marca do telemóvel. É preciso ter dados móveis ou wifi ligados e a localização ativa, senão o alerta não chega. Também pode confirmar se está a acontecer algum sismo perto de si pesquisando “sismo perto de mim” no Google: a pesquisa mostra um cartão com relatos da zona e recomendações de segurança.
Quem usa iPhone não tem uma opção equivalente em Portugal, o iOS não integra esta funcionalidade da Google, e o país ainda não tem um sistema oficial de aviso prévio que a Apple possa usar. A alternativa mais fiável é instalar a aplicação gratuita sismos@IPMA, disponível na App Store, que mostra informação oficial sobre a atividade sísmica registada, embora não funcione como aviso antecipado.

O que este alerta não faz
Vale a pena ser direto sobre as limitações. O alerta de sismos da Google não prevê terramotos, apenas deteta vibrações já em curso e tenta avisar antes de a agitação mais forte chegar a cada zona. Nalguns casos, o aviso chega poucos segundos antes; noutros, chega já depois do abalo, ou nem chega, se o telemóvel estiver sem rede ou com a localização desligada.
Portugal também não tem uma rede sísmica nacional equiparável à do Japão ou dos Estados Unidos, onde sensores geológicos dedicados antecipam o sismo com mais precisão. Aqui, o sistema depende inteiramente dos telemóveis dos utilizadores, uma solução crowdsourcing, e não uma infraestrutura de Estado. Continua a fazer sentido acompanhar também as fontes oficiais: o IPMA e a Proteção Civil.
O risco que o alerta não cobre: a sua casa
Um aviso de alguns segundos pode ajudar a proteger pessoas, mas não protege paredes, nem poupanças. Apenas 19% das casas seguradas têm cobertura de fenómenos sísmicos, segundo dados da Associação Portuguesa de Seguradores. Cerca de 47% das habitações não têm sequer seguro multirriscos contratado.
Em Portugal, a lei só obriga ao seguro de incêndio, e apenas em edifícios com propriedade horizontal. A cobertura sísmica continua a ser opcional, com uma franquia que costuma variar entre 5% e 10% do capital seguro, o que, numa casa avaliada em 150 mil euros, pode significar suportar até 15 mil euros do próprio bolso antes de a seguradora entrar.
Esta situação pode mudar: no âmbito do Plano de Transformação e Resiliência, o Governo aprovou em abril de 2026 a criação de um seguro obrigatório contra catástrofes naturais e sísmicas, associado a um Fundo de Catástrofes Naturais. O decreto-lei ainda está em preparação e a entrada em vigor está prevista para 2027.
Até lá, quem quiser proteção real deve rever o multirriscos habitação e confirmar, por escrito, se a cobertura de fenómenos sísmicos está incluída. Ativar o alerta demora um minuto. Rever o seguro da casa demora uma tarde. As duas coisas custam pouco e podem evitar muito e é aí que vale a pena começar hoje.
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