Miguel Pinto
Miguel Pinto
22 Mai, 2026 - 10:00

Alpine A390: potência, tecnologia e um toque de loucura francesa

Miguel Pinto

O Alpine A390 não é um carro qualquer. Nem é um elétrico como os outros. É uma máquina que impressiona. Venha conhecê-lo.

Alpine A390

Há carros elétricos que parecem feitos para agradar a um comité. O novo Alpine A390 não entra nesse campeonato. Felizmente.

Chega a Portugal com aquela atitude meio francesa, meio irreverente, um automóvel que olha para o segmento premium elétrico e diz, sem grandes cerimónias “sim, também sabemos divertir-nos”.

E talvez seja precisamente isso que torna o A390 interessante numa altura em que muitos EV acabam por parecer frigoríficos rápidos com ecrãs gigantes.

A Alpine quer outra conversa. O novo fastback desportivo da marca francesa já pode ser encomendado em território nacional e marca mais um passo na ofensiva elétrica da fabricante de Dieppe.

Depois do pequeno, mas musculado, A290, surge agora um modelo mais ambicioso, mais familiar. Mas sem perder aquele ADN nervoso que a Alpine ostenta há décadas.

Alpine A390: um elétrico com alma

À primeira vista, o A390 parece um daqueles concept cars que, normalmente, chegam ao mercado amputados de metade da personalidade. Só que aqui… não aconteceu isso.

A silhueta fastback mantém presença, tensão visual e um certo dramatismo nas linhas traseiras. Tem qualquer coisa de coupé elevado, quase um gran turismo moderno. E resulta.

São cinco lugares. Há espaço. Há mala. Há usabilidade quotidiana. Mas também há 470 cv na versão mais potente. Convém não esquecer esse pequeno detalhe.

O A390 estreia uma arquitetura inédita na Alpine com tração integral e três motores elétricos, um à frente e dois atrás, independentes entre si. Na prática? Um controlo de binário absurdamente preciso. É o Alpine Active Torque Vectoring.

Preços do Alpine A390 em Portugal

A gama nacional arranca com duas versões:

  • Alpine A390 GT: desde 67.500 euros;
  • Alpine A390 GTS: desde 78.000 euros.

Os primeiros exemplares chegam aos concessionários portugueses ainda no primeiro semestre 2026.

Não, não é barato. Nem tenta ser. O A390 posiciona-se claramente naquele território onde vivem propostas como o Tesla Model Y Performance, alguns BMW elétricos mais vitaminados ou certos crossovers premium alemães que custam os olhos da cara e mais uns sensores lidar pelo meio. Mas o Alpine joga noutra frequência emocional.

Alpine A390 GT: 400 cv e autonomia até 557 km

Interior do Alpine A390

A versão GT já impressiona. Debita 400 cv, acelera dos 0 aos 100 km/h em 4,8 segundos e promete até 557 quilómetros de autonomia WLTP graças a uma bateria de 89 kWh.

Números fortes. Mas há detalhes mais interessantes.

Os pneus Michelin foram desenvolvidos especificamente para o modelo. O sistema de som é assinado pela Devialet. E o interior mistura Alcantara, couro Nappa, bancos desportivos aquecidos e um volante inspirado na Fórmula 1.

Claro que tinha de existir um volante inspirado na Fórmula 1. Estamos a falar da Alpine. Eles não resistem.

Ainda assim, o ambiente parece menos exagerado do que muitos rivais chineses cheios de LEDs e menus infinitos. Há sofisticação, mas também alguma contenção. Uma raridade em 2026, honestamente.

Alpine A290 azul
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A390 GTS: o lado selvagem da história

Agora… se o GT já parece rápido, o GTS entra noutra dimensão. Preparados? São 470 cv, 824 Nm de binário e vai 0 aos 100 km/h em 3,9 segundos. Num Alpine familiar. Há qualquer coisa deliciosamente absurda nesta frase.

A versão GTS acrescenta jantes forjadas de 21 polegadas, pneus Michelin Pilot Sport 4S, travões mais agressivos e bancos Sabelt com função de massagem, porque aparentemente podemos fazer uma viagem descontraída enquanto o carro nos cola ao banco numa saída de curva. Vida moderna.

E depois existe o Alpine Telemetrics Expert, um sistema que monitoriza tempos por volta, forças G, travagem e distribuição de binário em tempo real.

Carregamento rápido e tecnologia V2L

lateral do Alpine A390

O A390 suporta carregamento rápido DC até 150 kW e pode recuperar energia dos 15 aos 80% em menos de 30 minutos.

Além disso, inclui tecnologia V2L, permitindo alimentar dispositivos externos através da bateria do carro. Uma bicicleta elétrica, uma trotinete, uma churrasqueira… enfim, o típico cenário de fim de semana moderno onde toda a gente finge gostar de campismo premium.

Pode parecer gimmick. E às vezes é. Mas convenhamos: dá jeito.

Um Alpine diferente e isso pode ser uma coisa boa

Durante anos, falar da Alpine era falar quase exclusivamente do A110. Um carro brilhante, leve, quase analógico na forma como comunicava com o condutor. O A390 não tenta replicar isso à força. Seria impossível.

Em vez disso, pega nessa identidade e traduz a experiência para um formato mais utilizável, mais tecnológico e inevitavelmente mais pesado. É a realidade do mercado atual. Ainda assim, há personalidade aqui. E isso conta muito.

Porque o problema de muitos elétricos modernos não é falta de potência. É falta de alma. O Alpine A390 pode não resolver completamente esse dilema mas pelo menos tenta. E só isso já o coloca num patamar diferente de muito do que anda por aí.

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