O Paço dos Duques de Bragança é um palácio medieval do século XV situado no Monte Latito, em Guimarães, cidade que ostenta o título simbólico de berço da nação portuguesa.
Classificado como monumento nacional, o edifício integra atualmente a Rede Portuguesa de Museus e funciona como museu de arte decorativa, além de servir como residência oficial do Presidente da República no Norte do país.
Quem visita Guimarães sem passar pelo Paço dos Duques perde uma das experiências culturais mais ricas do país.
Até porque ali, e nas redondezas, respira-se uma história milenar, profundamente arreigada na fundação da nacionalidade, assim como, convenhamos, em alguns mitos e lendas.
Paço dos Duques: das origens à reconstrução

A história do Paço dos Duques começa no início do século XV. O edifício foi mandado construir pelo 8.º Conde de Barcelos, D. Afonso, filho ilegítimo do rei D. João I, fundador da dinastia de Avis, com D. Inês Pires Esteves.
A construção decorreu entre 1420 e 1433, tendo como impulso o segundo casamento de D. Afonso com D. Constança de Noronha, filha do Conde de Gijón.
D. Afonso não era um nobre comum. Viajou pela Europa (Inglaterra, Escócia, Espanha, França e Itália) em missões diplomáticas e por iniciativa própria, participou nas campanhas militares de Ceuta, e essas experiências deixaram uma marca evidente na forma como concebeu o seu palácio em Guimarães.
A parecença arquitetónica com o Palácio dos Reis de Maiorca, em Perpignan (França), não é coincidência.
Em 1442, o irmão de D. Afonso, D. Pedro, então regente do reino, concedeu-lhe o título de Duque de Bragança, dando origem a uma das mais poderosas casas senhoriais da Península Ibérica, a Casa de Bragança.
D. Afonso faleceu em 1461, e a sua viúva, D. Constança, continuou a residir no Paço até à sua morte em 1480, tendo também criado nesse espaço uma área destinada ao apoio a doentes e necessitados.
Abandono, ruína e novos usos
Ao longo do século XVI, o Paço terá continuado a ser utilizado como residência ducal, mas gradualmente foi entrando em declínio e ruína.
Em 1666, o estado de degradação era de tal forma avançado que os monges capuchos de Guimarães obtiveram autorização para dele retirar pedra para construção do seu convento, embora os vimaranenses se tenham insurgido contra esta delapidação do seu património.
No século XVII, com a restauração da independência portuguesa, o edifício passou a integrar os bens da Casa das Rainhas e serviu como celeiro até 1834.
No século XIX, durante as Invasões Francesas, foi convertido em aquartelamento militar, e é desta época a destruição do pátio original e das galerias que o rodeavam, transformados numa praça de armas.
A grande reconstrução do século XX
Em pleno Estado Novo, o Paço dos Duques foi alvo de uma intervenção de fundo. As obras de restauro decorreram entre 1937 e 1959, com projeto inicial do arquiteto Rogério de Azevedo e colaboração do historiador Alfredo Guimarães, diretor do Museu de Alberto Sampaio.
O edifício abriu ao público a 26 de agosto de 1959, mobilado com peças adquiridas pela Comissão de Mobiliário, criada em 1955, e com acervo proveniente de outros museus nacionais.
Desde essa data, o Paço dos Duques de Bragança é também Residência Oficial do Presidente da República no Norte de Portugal.
Paço dos Duques: edifício que impressiona
O Paço impressiona antes de se lhe entrar. Trata-se de um edifício de proporções avantajadas, construído em granito, com planta quase quadrada e quatro torreões, um em cada ângulo.
As imponentes chaminés erguem-se sobre os telhados inclinados, conferindo ao conjunto uma silhueta inconfundível.
Construído em parte sobre a muralha que envolvia a “vila de cima” de Guimarães, o Paço foi desde a origem um símbolo de poder. Impunha-se sobre a então vila, com o Castelo de Guimarães como que a tutelá-lo em plano superior.
A ala nascente, que dá acesso à capela, apresenta janelas de diferentes formas, balcões de granito e portas em ogiva.
No interior, o pátio central e as galerias que o rodeiam são dos elementos mais encantadores. Os tetos em forma de barco invertido das grandes salas criam um cenário singular.
Paço dos Duques: o que não perder numa visita

A visita ao interior do Paço dos Duques propõe um percurso pelas diversas salas do piso superior, onde se encontram os espaços de exposição permanente.
Salão dos Passos Perdidos
Ponto de entrada para o circuito de visita, este salão de grandes dimensões impressiona logo pelos seus tetos altos e pela qualidade das peças ali expostas. É o espaço introdutório que prepara o visitante para o que vai encontrar ao longo do percurso.
Sala de armas
Um dos espaços mais visitados e apreciados do Paço, a Sala de Armas alberga uma notável coleção de armamento medieval e renascentista. Espadas, alabardas, elmos e peças de armadura evocam o contexto militar da nobreza portuguesa dos séculos XV a XVII.
Sala de passagem
Como o nome indica, este espaço articula diferentes alas do edifício, mas não é desprovido de interesse museológico. Peças de decoração e mobiliário pontuam este espaço de transição.
Salão de Banquetes
Um dos pontos altos da visita. O Salão de Banquetes é uma sala de proporções imponentes onde se destacam as tapeçarias flamengas que revestem as parede. O teto em forma de barco invertido é outro elemento de grande impacto visual.
Sala dos contadores
Neste espaço encontram-se os famosos contadores, móveis portugueses dos séculos XVII e XVIII utilizados para guardar documentos e objetos preciosos. A coleção presente no Paço é uma das mais representativas do país.
Sala de comer íntima
Um espaço mais recolhido que contrasta com a grandiosidade dos salões, a Sala de Comer Íntima evoca os momentos de refeição mais privados da família ducal. O mobiliário e a decoração procuram reconstituir o ambiente de uma sala de jantar senhorial.
Pátio e galerias
O pátio central e as galerias que o circundam são dos elementos mais admirados do Paço. Embora a estrutura atual resulte em grande parte da reconstrução do século XX, a sua dimensão e proporções dão uma boa ideia de como seria o espaço na época dos Duques de Bragança.
Capela
A capelinha palatina do Paço dos Duques é um espaço de grande recolhimento e interesse artístico. O portal de acesso, visível desde o pátio, é um dos elementos arquitetónicos mais elegantes do edifício. No interior, guardam-se peças de ourivesaria sacra e outros objetos de culto.
Salão Nobre
Outro dos grandes espaços representativos do Paço, o Salão Nobre destaca-se pela riqueza do seu equipamento e pela sua escala, sendo utilizado pontualmente em funções de representação oficial.
Sala de Cipião e Sala de São Miguel
Estas duas salas complementam o circuito, com peças de pintura e decoração que remetem para episódios históricos e religiosos. A Sala de Cipião toma o nome dos painéis que ali se expõem, enquanto a Sala de São Miguel estabelece uma ligação simbólica com a Igreja de São Miguel do Castelo, um dos outros monumentos do Monte Latito.
Informações práticas para visitar o Paço dos Duques

Endereço: Rua Conde Dom Henrique, 4800-412 Guimarães
Horário: Todos os dias, das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30). Encerrado a 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 de junho (feriado municipal) e 25 de dezembro.
Bilhetes: O bilhete de adulto para o Paço dos Duques tem o custo de 5,00 euros (preço em vigor durante o período de reabilitação parcial). Existe um bilhete combinado com o Castelo de Guimarães por 8,00 euros, e um circuito alargado que inclui também o Museu de Alberto Sampaio por 13,00 euros. Os bilhetes podem ser adquiridos na bilheteira do Paço ou online.
Descontos: Têm desconto de 50% os visitantes com 65 ou mais anos, jovens entre os 13 e os 24 anos e famílias com pelo menos um adulto e um menor.
Entradas gratuitas: Crianças até 12 anos acompanhadas por adulto, professores e alunos em visita de estudo (sujeito a marcação prévia), portadores de necessidades específicas e respetivo acompanhante, entre outras categorias.
Nota importante: O Paço dos Duques encontra-se a ser alvo de obras de reabilitação e reestruturação das suas infra-estruturas. Por isso, alguns dos espaços museológicos podem estar temporariamente encerrados. Recomenda-se consultar o site oficial em pacodosduques.gov.pt antes da visita para informações atualizadas.
Contactos: +351 253 412 273 | [email protected]