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Como conseguir taxas de juro de 2% (com capital garantido)?

Se anda à procura de alternativas para que as suas poupanças rendam mais do que a inflação, este é o truque para ter 2% de juros na conta a prazo.

Como conseguir taxas de juro de 2% (com capital garantido)?
A rubrica de Pedro Andersson (Contas Poupança) no E-Konomista

Os portugueses em geral detestam produtos de poupança com risco. Tudo tem de ter garantia de capital, como os depósitos a prazo. Mas, atualmente, os depósitos a prazo rendem literalmente uma miséria – a média anda nos 0,3% – por isso todos andamos à procura de alternativas para que as nossas poupanças rendam mais do que a inflação, pelo menos. Caso contrário, ao poupar estamos a perder dinheiro. Parece estranho, mas é a mais pura das realidades.

A inflação anda nos 1,6%, o que quer dizer que se a sua atual conta a prazo lhe rende menos do que isso está a perder dinheiro todos os anos. Se somar a isso comissões de manutenção de conta está de certeza mesmo a perder dinheiro, mesmo sem falar na inflação.

O truque para ter 2% de juro já


Como conseguir taxas de juro de 2% (com capital garantido)?

Já usei este “truque” e é daqueles que só pode usar uma vez – duas no máximo – e exige muita organização da sua parte. Mas se o dinheiro é importante para si, preste atenção.

Em Portugal, qualquer banco que queira sobreviver tem de captar novos clientes. Somos relativamente poucos, logo os bancos têm de “roubar” clientes uns aos outros. E isso é bom para nós, consumidores. Quer dizer que nós e o nosso dinheiro somos um bem apetecível para os bancos. Por isso, sobretudo os bancos mais pequenos estão sempre a fazer promoções para captar novos clientes.

Seja um novo cliente de 3 em 3 meses

Para conseguirem novos clientes, os bancos fazem publicidade a promover juros mais altos do que os praticados no mercado. Oferecem 2% e até mais. Mas atenção às letras miudinhas: é só durante 3 meses, depois o juro entra em queda livre como nos outros.

A ideia dos bancos é convencê-lo a abrir conta nesse banco e “esperar” que o cliente se esqueça do dinheiro lá e que passem os 3 meses e que o cliente nunca mais se pergunte pela taxa de juro. Na cabeça do cliente estará a render sempre 2%. Ora, isso não é verdade. Os bancos não estão a enganar ninguém, está lá tudo no contrato e nem sequer está em letras miudinhas.

Use o Marketing dos bancos a seu favor

O que lhe proponho é usar as ferramentas de marketing deles a seu favor. Abra uma conta destas a 2% de juros e tome nota da data em que faz 3 meses. Uns dias antes, abra conta no banco seguinte e assim que fizer os 3 meses, transfere o dinheiro da conta para esse novo banco e aproveita mais 3 meses de juros de 2% e assim sucessivamente. Sem perder um único dia de juros, na passagem de um banco para o seguinte.

Tem de ser rigoroso e organizado. Mesmo que perca 2 ou 3 dias nos intervalos de passagem entre a mudança do dinheiro entre um banco e outro compensa largamente este esforço. Só custa a primeira vez, depois é repetir o processo.

Mas falei em dois anos. Se fizer isto em 4 ou 5 bancos, dá um ano e pouco… Sim, mas se for um casal, faz primeiro isto com um e depois faz uma segunda ronda com outro e eventualmente com um filho ou vários, mais o pai ou a mãe se acharem que é viável.

Para evitar que isto aconteça, alguns bancos já limitam esta possibilidade a um crédito destes por morada. Aí terá de ver se se justifica (e se confia) usar moradas de familiares como um irmão ou dos pais ou até avós. Eles abrem conta como novos clientes com o seu dinheiro. É uma questão que cada um terá de avaliar. Mas pelo menos um ano e meio de juros a 2% consegue.

Quanto ganho com isto?

Se tiver 10.000 euros numa poupança a prazo a render 0,30% vai receber ao fim do ano 30 euros brutos. Por outro lado, se adotar esta estratégia de ser novo cliente de 3 em 3 meses de um dos bancos seguintes, com os mesmos 10.000 euros ao fim do ano vai receber de juros 200 euros brutos. Se forem 20.000 serão 400 euros de juros em vez de 60 euros e assim sucessivamente. Como vê, vale a pena este esforço.

O capital é garantido e não paga comissões

A vantagem desta estratégia é que em todos estes bancos, o capital está garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos e são todos bancos com comissões de manutenção de conta ZERO. Não paga nada por ter lá o dinheiro.

Se, depois, gostar particularmente de um destes bancos (ou de todos) até pode transferir tudo para lá para evitar as comissões de manutenção dos bancos tradicionais que vão continuar a subir, não duvide. Pode abrir conta online em praticamente todos. Nem precisa ir pessoalmente aos balcões.

Como conseguir taxas de juro de 2% (com capital garantido)?

Quais são os bancos e os juros

Na altura em que investiguei estes eram os valores. Confirme na altura de abrir as contas se as condições se mantêm.

Atlântico Europa
Taxa de juro: 2%
Prazo: 3 meses
Mínimo: 500€

Banco Best
Taxa de juro: 2,25%
Prazo: 3 meses
Mínimo: 2.500€

Banco BIG
Taxa de juro: 2%
Prazo: 3 meses
Mínimo: 500€

Banco Carregosa
Taxa de juro: 2%
Prazo: 3 meses
Mínimo: 5.000€

Banco Invest
Taxa de juro: 1,40%
Prazo: 3/6/12 meses
Mínimo: 2.000€

Finantia
Taxa de juro: 1,20% (Juros maiores só em dólares)
Prazo: 3 anos
Mínimo: 50.000€

Activobank
Taxa de juro: 0,85%
Prazo: 6 meses
Mínimo: 3.00 €

Avalie o trabalho que dá para o rendimento que vai obter. Sublinho que há produtos de investimento que habitualmente rendem muito mais do que 2% mas, obviamente, são produtos sem capital garantido como fundos de investimento, ações, e plataformas de crowdfunding nacionais e internacionais.

Com capital garantido tem sempre os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, que rendem 1,38% em média ao longo de 7 anos (mais um bónus de crescimento do PIB). Mesmo assim abaixo da inflação. Mas sempre são melhores do que os depósitos a prazo tradicionais. Não deixe é o seu dinheiro a ganhar teias de aranha.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.