O GPL Auto (Gás de Petróleo Liquefeito) está a registar um crescimento significativo no mercado automóvel português. Nos últimos dois anos registou-se um aumento à volta dos 28% nas vendas anuais acumuladas, consolidando-se como uma alternativa viável aos combustíveis tradicionais.
Esta tendência reflete uma mudança no comportamento dos consumidores portugueses, que procuram soluções mais económicas e sustentáveis para a mobilidade quotidiana.
O GPL Auto consiste numa mistura de propano e butano adaptada para utilização em automóveis. Os veículos equipados com este sistema funcionam em modo bi-fuel, alternando automaticamente entre GPL e gasolina.
Esta tecnologia permite que o condutor beneficie das vantagens económicas do GPL sem comprometer a autonomia ou a praticidade de utilização.
Ao contrário das adaptações rudimentares do passado, os sistemas modernos são desenvolvidos de fábrica com depósitos integrados, válvulas reforçadas e dispositivos de segurança testados.
A comutação entre combustíveis é automática, garantindo continuidade da viagem sem intervenção do condutor.
Evolução do mercado português de GPL
O panorama do GPL em Portugal tem vindo a transformar-se radicalmente nos últimos anos.
O número de veículos movidos a GPL é estimado em torno dos 50.000, demonstrando um crescimento consistente da frota nacional.
A rede de abastecimento também se expandiu consideravelmente. Existem já cerca de 400 postos de abastecimento com GPL Auto em território nacional, cobrindo praticamente todo o país.
Esta infraestrutura permite aos condutores utilizar GPL com maior confiança, embora algumas zonas interiores ainda apresentem menor densidade de postos.
Vantagens económicas comprovadas

A principal motivação para a escolha do GPL continua a ser a poupança financeira. Neste mês de janeiro, o preço médio da gasolina 95 ronda 1,7 euros por litro, enquanto o GPL Auto se fica pelos 0,83 euros por litro. Uma diferença de aproximadamente 50%.
Apesar do consumo de GPL ser superior ao da gasolina (tipicamente entre 10% a 30% mais elevado) o custo final por quilómetro permanece significativamente inferior.
Por exemplo, numa utilização anual típica de 15.000 km, o Dacia Duster a GPL implicará um gasto aproximado de 882 euros em combustível, enquanto a versão a gasolina exigirá cerca de 1455 euros, resultando numa poupança anual de 573 euros.
Para quem pretende converter um veículo existente, o investimento inicial situa-se entre 1.000 e 3.000 euros, dependendo do modelo e especificações técnicas.
Este custo pode ser recuperado em relativamente pouco tempo, especialmente para condutores com elevadas quilometragens anuais.
GPL: oferta de veículos novos em Portugal
O mercado português oferece atualmente uma seleção crescente de veículos bi-fuel de origem.
A Dacia lidera a oferta com modelos como o Sandero, Duster e Jogger, todos equipados com o motor 1.0 TCe Eco-G 100 cv. O Sandero destaca-se como a opção mais acessível, com preços a partir de cerca de 17.000 euros.
Também a Renault, através do Clio Eco-G, a Mitsubishi com o Colt e ASX, e a Fiat com várias opções, apostam neste segmento.
Estas marcas disponibilizam garantia de fábrica completa para os sistemas GPL, eliminando preocupações relacionadas com adaptações posteriores.
Benefícios ambientais e acesso a zonas restritas
Para além da vertente económica, o GPL apresenta vantagens ambientais relevantes. As emissões de dióxido de carbono são inferiores às dos motores a gasolina, e praticamente não existem emissões de partículas finas.
Esta característica torna estes veículos admissíveis em zonas de emissões reduzidas, que começam a proliferar nas cidades europeias e estão previstas para várias zonas urbanas em Portugal.
Esta compatibilidade com regulamentação ambiental mais restritiva representa um argumento adicional, especialmente num contexto de crescente limitação à circulação de veículos a gasóleo mais antigos.
Alterações legais impulsionam adoção
As mudanças legislativas recentes contribuíram para desmistificar o GPL e eliminar barreiras à sua adoção.
Desde 2013 que os veículos a GPL podem estacionar legalmente em parques fechados, desde que cumpram os requisitos técnicos exigidos por lei.
A antiga obrigatoriedade do dístico azul foi substituída por uma vinheta verde discreta no para-brisas, reduzindo o estigma associado a estes veículos.
A desinformação diminuiu e os preconceitos começam a dar lugar à racionalidade, permitindo que os consumidores avaliem o GPL pelos seus méritos objetivos.
Segurança dos sistemas modernos

Um dos receios mais comuns relaciona-se com a segurança. No entanto, os sistemas atuais incorporam múltiplos dispositivos de proteção, incluindo válvulas de segurança, válvulas de retenção e limitadores de enchimento a 80% da capacidade.
Contrariamente à perceção popular, o depósito de gasolina é o componente mais inflamável de um automóvel, não o de GPL.
O GPL adapta-se particularmente bem a condutores que percorrem elevadas quilometragens anuais, especialmente em trajetos regulares que permitam planear abastecimentos.
É também uma excelente opção para empresas que procuram reduzir os custos operacionais das frotas, beneficiando da dedução de 50% do IVA na compra de veículos bi-fuel e nos abastecimentos.
Famílias que necessitam de veículos espaçosos mas desejam conter os custos de utilização encontram no GPL uma alternativa viável aos veículos híbridos ou elétricos, que apresentam preços de aquisição mais elevados.
Alguns pormenores a acautelar
Apesar das vantagens, existem aspetos a ponderar. O depósito de GPL ocupa habitualmente o espaço reservado à roda suplente ou parte da bagageira, reduzindo a capacidade de carga.
Já no mercado de usados, é fundamental verificar que a instalação foi realizada por oficina certificada, que existe documentação completa e que o sistema consta no documento do veículo.
A manutenção específica do GPL (filtros, injetores e válvulas) deve ser realizada conforme as recomendações do instalador.
GPL: crescimento sustentado
As vendas de automóveis a GPL estão a aumentar, impulsionadas pela redução significativa dos custos de funcionamento das frotas e por novos regulamentos recentemente aprovados.
As principais distribuidoras de combustíveis estão a concentrar esforços no GPL, aumentando o número de postos de abastecimento e oferecendo apoio na conversão de veículos.
A introdução do BioGPL, uma variante mais sustentável do GPL convencional, poderá reforçar ainda mais a atratividade deste combustível, alinhando-o com as crescentes exigências ambientais do setor automóvel.