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Teresa Campos
Teresa Campos
24 Jan, 2022 - 22:17

Diagnóstico de autismo antes dos dois anos: como tudo funciona?

Teresa Campos

O diagnóstico de autismo antes dos dois anos permite uma intervenção precoce, o que pode contribuir para uma maior autonomia da criança.

bebé

O diagnóstico de autismo antes dos dois anos nem sempre acontece, embora muitos especialistas defendam que é possível fazê-lo logo a partir dos 16 meses de vida do bebé. Porém, na generalidade dos casos, o diagnóstico apenas fica “fechado” aos 5 anos de idade.

Contudo, há aspetos que podem começar a ser avaliados logo a partir 8º mês de vida do bebé, como é o caso da interação social, da linguagem, da comunicação e da existência ou não de padrões de comportamento repetitivos.

As principais vantagens de um diagnóstico de autismo antes dos dois anos é a possibilidade de se iniciarem mais precocemente terapias que controlam a sintomatologia e que contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem da criança.

Diagnóstico de autismo antes dos dois anos

Convém explicar que o autismo tem diferentes graus e pode manifestar-se por meio de sintomas mais leves ou mais complexos.

Em qualquer uma das situações, o seu diagnóstico é necessariamente clínico, tendo por base os sintomas e os comportamentos do bebé, assim como alguns sinais de alerta, como os enumerados em seguida.

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Sinais de alerta

Existem alguns comportamentos a que pais e educadores devem estar atentos, sabendo que os seguintes sinais não podem ser, por si só, considerados sinónimo de autismo.

Ainda assim, são merecedores de uma ida ao pediatra e, em alguns casos, a um neuropediatra ou pedo-psiquiatra. Eis alguns desses sinais a que deve estar atento no seu bebé:

  • não estabelecer contacto visual, mesmo quando é chamado;
  • não interagir através de sons/palavras, gestos ou outras atitudes;
  • não imitar comportamentos que vê à sua volta, sobretudo se já tiver mais de 6 / 8 meses;
  • não ser atraído por brincadeiras ou jogos, sobretudo coletivos;
  • não falar ou dizer poucas palavras/frases, tendo em conta a idade;
  • não apontar para indicar algo que pretenda;
  • não gostar de sons elevados ou do toque de outras pessoas;
  • não saber fingir, como forma de brincar, preferindo passar o tempo em atividades como mexer repetidamente num objeto.
autismo adultos

Quando ir ao médico

Apesar de não existir, propriamente, um exame capaz de diagnosticar o autismo, há técnicas de rastreio que podem ajudar a detetar o autismo e a acompanhar a criança na sua evolução daí em diante.

Embora alguns pediatras considerem demasiado cedo, muitos especialistas defendem que a melhor altura para diagnosticar o autismo é, precisamente, entre os 12 e os 24 meses de idade da criança, até porque os sinais de autismo “já estão todos lá” antes dos 36 meses de idade.

Portanto, se identificou no seu filho alguns dos sinais de alerta referidos anteriormente, deve consultar o pediatra e expor o caso, ainda que normalmente o diagnóstico de autismo nunca seja feito antes do bebé completar, pelo menos, os 18 meses de vida, visto que também é essencial respeitar o tempo próprio de desenvolvimento de cada criança.

Questionário de triagem M-CHAT

Entre as ferramentas de triagem do autismo de que os médicos dispõem, está este questionário que pode ser usado a partir dos 18 meses de vida do bebé e que é constituído por 23 questões-chave acerca da criança, como por exemplo:

  • interessa-se ou não por outros bebés;
  • aponta ou não com o dedo;
  • traz ou não objetos para mostrar;
  • reage ou não quando a chamam pelo nome;
  • segue ou não com o olhar o gesto de apontar dos outros;

A principal ideia a reter é que, quanto mais cedo o autismo for diagnosticado, mais fácil e provável será conseguir desenvolver a autonomia da criança e conseguir torná-la num adulto independente e autónomo.

Portanto, perante qualquer sinal de alerta de autismo, não desvalorize e partilhe as suas suspeitas com o pediatra do seu filho.

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