O Sport Lisboa e Benfica e a NOS oficializaram um acordo de direitos televisivos avaliado em 104,6 milhões de euros, que garante à operadora de telecomunicações a transmissão dos jogos do clube da Luz durante as próximas duas épocas.
Este contrato representa o derradeiro capítulo de negociações individuais antes da entrada em vigor da centralização dos direitos televisivos, prevista para a época 2028/2029.
A parceria entre as duas entidades, confirmada junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), abrange os direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da equipa principal de futebol do Benfica no Campeonato Nacional da Primeira Liga, bem como os direitos de transmissão e distribuição da Benfica TV.
Para além do valor base de 104,6 milhões de euros, o acordo contempla componentes adicionais que elevam substancialmente o montante total.
A NOS assegurou também os direitos de exploração publicitária do canal Benfica TV, num contrato avaliado em 2,4 milhões de euros.
Por seu turno, a SAD benfiquista manteve os direitos de exploração da publicidade dinâmica no Estádio da Luz para as mesmas duas épocas, num valor estimado de 7,2 milhões de euros.
No total, as receitas de televisão para o Benfica ascendem a 114,2 milhões de euros, consolidando a posição financeira do clube num período crucial de transição para o modelo centralizado.
Este novo entendimento representa a continuação de uma aliança que remonta a 2015, quando Benfica e NOS assinaram um contrato pioneiro de 400 milhões de euros por um período de 10 anos.
O acordo inicial, que tinha uma duração base de três anos com possibilidade de renovação anual, termina no final da época desportiva 2025/2026.
Últimas épocas de comercialização individual
Os contratos para as épocas 2026/2027 e 2027/2028 surgem num contexto particular do futebol português.
São as duas últimas temporadas em que os clubes podem negociar individualmente os seus direitos televisivos, antes da implementação obrigatória do modelo de comercialização centralizada.
O acordo Benfica-NOS junta-se a outros contratos já estabelecidos por clubes portugueses para este período de transição.
O Moreirense, por exemplo, estabeleceu uma parceria com a TVI em novembro passado para a transmissão dos seus jogos em casa, marcando o regresso do campeonato de futebol à televisão em sinal aberto.
Centralização: um novo paradigma

A partir da época 2028/2029, o panorama do futebol português mudará radicalmente.
O Decreto-Lei n.º 22-B/2021, aprovado pelo Conselho de Ministros em fevereiro de 2021, estabelece que os direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos da Primeira e Segunda Ligas passarão a ser objeto de comercialização centralizada.
Esta mudança legislativa visa corrigir as assimetrias que caracterizam o atual modelo.
Em Portugal, a diferença entre a sociedade desportiva que mais recebe e a que menos recebe é de aproximadamente 15 vezes.
Em comparação, em Espanha e Itália esta diferença é de cerca de três vezes, na Alemanha 2,5 vezes e em Inglaterra apenas 1,3 vezes.
Objetivos e expectativas
O novo modelo de comercialização centralizada dos direitos televisivos procura atingir objetivos ambiciosos para o futebol profissional português.
Valorização dos direitos televisivos. As estimativas apontam para que a Primeira Liga possa valer entre 275 e 325 milhões de euros por ano com a centralização, um valor significativamente superior ao atual montante agregado dos contratos individuais.
Distribuição mais equitativa. A proposta prevê que metade do valor da venda centralizada seja distribuída de forma igualitária entre todos os clubes, enquanto a outra metade será dividida com base em critérios como desempenho desportivo, implantação social e audiências televisivas.
Maior competitividade. Com receitas mais equilibradas, os clubes de menor dimensão terão capacidade financeira para investir em infra-estruturas, contratar melhores jogadores e aumentar o seu nível competitivo, tornando o campeonato mais equilibrado e atrativo.
Internacionalização. A venda dos direitos de transmissão para outros países é vista como uma oportunidade para internacionalizar a marca do futebol português e gerar receitas adicionais.
Acordo Benfica e NOS: o caminho até 2028
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) têm até 30 de junho de 2026 para apresentar ao Governo e à Autoridade da Concorrência uma proposta de modelo centralizado de comercialização.
Esta proposta terá de ser aprovada pela Autoridade da Concorrência e, idealmente, contar com a aprovação unânime de todas as sociedades desportivas.
Para este efeito, foi criada a Liga Portugal Centralização, uma unidade de negócios dedicada ao desenvolvimento deste projeto.
Refira-se que até recentemente, Portugal e o Chipre eram os únicos países da Europa que ainda não tinham implementado a centralização da venda dos direitos televisivos.
As principais ligas europeias adotaram este modelo há vários anos, com resultados comprovadamente positivos em termos de valorização global dos direitos e competitividade dos campeonatos.