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Miguel Pinto
Miguel Pinto
06 Abr, 2020 - 11:12

Carpe Diem: há 30 anos fomos admitidos no Clube dos Poetas Mortos

Miguel Pinto

Clube dos Poetas Mortos é daqueles filmes que não se esquece. 30 anos após a estreia em Portugal, continua a ser uma grande sugestão para ver em família.

Cartaz do filme Clube dos Poetas Mortos

Há 30 anos estreava em Portugal o Clube dos Poetas Mortos, um filme de Peter Weir, que foi fazendo o seu caminho entre a audiência nacional, transformando-se num clássico absoluto, independente da sua valia, ou falta dela, em termos cinematográficos.

O filme acabou por gravar no imaginário cinéfilo, e não só, frases como “Oh Captain, my Captain”(uma elegia do poeta Walt Whitman, datada de 1865, ao então recém-assinado presidente norte-americano Abraham Lincoln) ou o ainda mais famoso Carpe Diem, termo latim que significa aproveitar o dia, ou a vida, e que acabou como marca distintiva do filme e tatuagem preferida de milhares de pessoas mundo fora. 

clube dos poetas mortos: um clássico

Cena de Clube dos Poetas Mortos

Apesar de concluído em Julho de 1989, Clube dos Poetas Mortos estrearia em Portugal nos alvores de 1990, ainda na pré-história do streaming e com a televisão por cabo a dar os primeiros toques. Na altura, ver filmes recentes só mesmo no cinema ou alugando as fitas num dos inúmeros videoclubes espalhados por todas as cidades portuguesas.

O impacto do filme foi tremendo e ainda hoje é considerada uma das grandes interpretações de Robin Williams, tendo também contribuído para o lançamento da carreira de alguns jovens atores.

O argumento gira em volta da algo disfuncional, mas emotiva, relação que o professor de inglês John Keating estabelece com os seus alunos, num colégio de elite, onde reina o conformismo e onde a novidade e o pensamento livre são fortemente desencorajados.

Keating, também antigo aluno do colégio e, como tal, conhecedor, das regras e como as contornar, exorta os seus alunos a serem eles próprios, a perseguirem os seus sonhos. E o que é que cola todo este entusiasmo? Exato, a poesia.

Clube dos Poetas Mortos (contém spoilers)

Por isso, Clube dos Poetas Mortos (que foi um sucesso de bilheteira) é um daqueles filmes com diferentes significados, de acordo com o momento da vida de cada um.

Demonstra a capacidade dos mais jovens em se encontrarem e desabrocharem para um mundo que, com toda a certeza, lhes será brutal. Não condescender perante a autoridade abusiva, não desistir perante as dificuldades do caminho, compreender que, como diz o professor Keating, no fim somos todos pasto para os vermes.

E depois há, obviamente, as cenas memoráveis. Os alunos a rasgar o ridículo estudo sobre poesia de Evans Pritchard, o jogo de futebol salpicado de pequenos poemas e musica clássica, as reuniões na velha gruta índia ou, claro está, o clímax, onde grande parte dos alunos sobe para as carteiras com um sonoro “Oh Captain, my Captain”. Quem não se lembra? E alguém se recorda que metade da turma fica sentada, imóvel, sem reação, olhos baixos? Se o filme fosse realidade, qual teria sido o destino desses alunos? Ter-se-iam arrependido?

Atores de exceção

Clube dos Poetas Mortos foi também a oportunidade de ver o malogrado ator Robin Williams num papel muito diferente daqueles a que estávamos habituados. Regra geral geral, Williams estrelava em comédias onde o seu estilo algo histriónico se sobrepunha às insuspeitas capacidades dramáticas de um ator que acabaria por ganhar um óscar em O Bom Rebelde (depois de ter sido nomeado por Bom Dia Vietname, O Rei Pescador e Clube dos Poetas Mortos).

Mas outros atores do filme acabaram por ter carreiras de relevo. Desde logo Robert Sean Leonard, o jovem com o destino mais trágico (outro spoiler) que continuaria a representar, principalmente em televisão, acabando por conseguir outro grande papel como o companheiro, talvez o único, do irascível Dr. House. Ou Ethan Hawke, que mantém uma sólida carreira no cinema, onde se contam títulos como Dia de Treino, Gattaca ou Boyhood.

Cinema em família

Haverá quem goste, haverá quem odeie, haverá quem nunca viu Clube dos Poetas Mortos, mas o filme continua a ser um forte libelo contra o conformismo, da obrigação moral que todos temos de aproveitar ao máximo o limitado espaço de tempo que temos na Terra. O mundo é a nossa ostra e é imperioso que exploremos ao máximo o que ele tem para nos dar e mostrar.

Por isso, nesta quarentena, Cube dos Poetas Mortos é o filme ideal para ver, para rever ou para dar conhecer aos seus filhos. Imperdível, mesmo 30 anos volvidos sobre a sua estreia.

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