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Teresa Campos
Teresa Campos
14 Out, 2020 - 10:59

Distonia: saiba o que carateriza esta ‘doença do movimento’

Teresa Campos

Espasmos ou contrações musculares involuntários pode ser sinais de distonia, um distúrbio neurológico pouco conhecido, mas que afecta 5 mil portugueses.

mulher com dor no pescoço

As estatísticas indicam que em cada 100 mil pessoas, 30 a 50 sofrem de distonia. No nosso país, estima-se que cerca de 5 mil portugueses tenham esta doença, embora ela ainda seja pouco conhecida e, também por isso, subdiagnosticada.

Há vários tipos, causas e tratamentos associados à distonia. No geral, esta doença tem como consequência a adoção de posturas e/ou de movimentos incomuns. Esta é uma patologia que não tem cura e que pode afetar pessoas de todas as idades.

Distonia: tudo o que precisa de saber sobre esta doença

Como já dissemos, a distonia carateriza-se pela ocorrência de espasmos e/ou contrações musculares involuntários, que provocam movimentos bruscos e/ou de torção, e pela adoção de posturas corporais incomuns.

Como também já referimos, esta doença conhece diferente tipos, relacionados com as diversas partes do corpo que pode atingir.

pessoa com dor no pulso

Tipos de distonia

  • Distonia generalizada: Neste caso, a doença afeta o tronco e outras duas regiões do corpo. Este tipo de manifestação é mais comum em indivíduos com menos de 25 anos. Dentro desta tipologia, existem a Distonia Primária Generalizada – rara, progressiva e hereditária, causada por uma mutação genética – e a Distonia sensível a dopa – hereditária e caraterizada por dificuldades na marcha, evidenciadas logo na infância.
  • Distonia segmentar: Esta tipologia atinge duas ou mais zonas contíguas do corpo e é mais recorrente na idade adulta.
  • Distonia focal: Esta variante da doença só afeta uma região circunscrita do corpo.
  • Distonia multifocal: Ao contrário da anterior, esta tipologia atinge duas ou mais zonas do corpo que, ao contrário do que o que acontece na distonia segmentar, não são contíguas.

Exemplos

  • Distonia cervical ou torcicolo: Define-se por contrações dos músculos do pescoço que provocam uma torção ou inclinação invulgar da cabeça, podendo estar ou não associada a movimentos bruscos.
  • Distonias da face: Alguns dos exemplos mais comuns referem-se: a contrações musculares faciais que fazem pestanejar mais ou causam espasmos nos músculos dos olhos (blefaroespasmo); a espasmos da face (Síndrome de Meige); ou a contrações da mandíbula e/ou língua (distonia oromandibular).
  • Distonia das cordas vocais (disfonia espasmódica): Origina uma voz tensa ou rouca.
  • Distonias específicas de tarefa: Carateriza-se por contrações ou espasmos decorrentes do esforço físico, afetando normalmente as mãos ou os pés.
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Sintomas e causas

Como já ficou claro, os sintomas relacionados com esta doença vão depender do tipo de distonia em causa. Contudo, de um modo geral, esta patologia provoca sempre alguns tremores, contrações musculares, caibras e espasmos involuntários.

De acordo com a região do corpo atingida e a intensidade das manifestações, o doente pode sentir mais ou menos dificuldades em executar atividades básicas diárias, tais como tomar banho, vestir-se ou comer.

Já aflorámos este tópico, mas importa dizer que a distonia pode ter muitas causas, assim como também tem muitos tipos. Além da herança genética, esta doença pode surgir devido a uma lesão cerebral traumática, a uma infeção ou a um fármaco/substância química. Existem ainda as distonias associadas a um movimento repetitivo, muitas vezes ligado à atividade profissional do indivíduo.

Diagnóstico e tratamento

Para diagnosticar esta doença, é importante consultar um especialista em doenças do movimento e ser sujeito a um exame neurológico. Além disso, é importante que o médico considere outras informações, nomeadamente: quando começaram os sintomas; qual a região do corpo atingida; se as manifestações da doença foram repentinas ou progressivas; se há outros problemas de saúde associados, entre outras.

Para controlar os sintomas, é importante conseguir identificar a sua causa. Os fármacos (terapêutica oral ou administração de toxina botulínica) geralmente prescritos têm por objetivo atenuar as manifestações e os incómodos provocados por esta doença. Também pode ser recomendada fisioterapia e, em casos mais raros e específicos, ser aconselhada a cirurgia.

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