Teresa Campos
Teresa Campos
24 Ago, 2022 - 11:06

Emergência obstétrica: o que está em causa para salvar mãe e bebé

Teresa Campos

Tem-se falado muito ultimamente de emergência obstétrica. Saiba o que está clinicamente causa para a grávida e para o feto.

Emergência obstétrica

Nos últimos tempos, muito se tem falado acerca de emergência obstétrica, devido aos constrangimentos que se têm sentido em muitas urgências hospitalares de norte a sul do país. Contudo, nem sempre aquilo que pode parecer uma emergência obstétrica o é realmente.

Portanto, há que perceber exatamente o que é considerado uma emergência obstétrica e aquilo que não carece de observação médica, pelo menos em contexto de urgência hospitalar.

O que é uma emergência obstétrica?

Entende-se que se está perante uma emergência obstétrica sempre que há risco de vida quer para a gestante, quer para o feto e só uma intervenção hospitalar urgente pode ajudar a reverter a situação.

Alguns exemplos de emergências obstétricas são:

  • o prolapso do cordão umbilical;
  • a rutura uterina;
  • a hiperestimulação uterina;
  • a hipotensão materna, após analgesia epidural;
  • a retenção de cabeça última, após parto pélvico;
  • a distocia de ombros;
  • a hemorragia pós-parto;
  • a crise eclâmptica.

Sinais de que é uma emergência obstétrica

Naturalmente que para uma gestante, sobretudo de primeira viagem, nem sempre é fácil distinguir um simples incómodo da gravidez de uma emergência obstétrica. Por isso, há alguns sinais que devem ser tidos em atenção, pois podem ser sinal de que se deve deslocar a uma urgência hospitalar.

Eis alguns desses sinais de alerta:

  • Perda de sangue vermelho vivo e/ou líquido transparente abundante pela vagina;
  • Diminuição significativa dos movimentos fetais;
  • Contrações com intervalos inferiores a 10 minutos e que se tornam cada vez mais frequentes;
  • Dor forte e persistente no fundo da barriga, na vagina, na região lombar ou na cabeça que não passa, mesmo após toma de paracetamol;
  • Dor forte e persistente na região do estômago que não passa, mesmo após toma de antiácido;
  • Vómitos persistentes, sobretudo após as refeições;
  • Tensão arterial alta (máxima superior ou igual a 140 mmHg ou mínima superior ou
  • igual a 90 mmHg), sobretudo após descanso;
  • Problemas oftálmicos, como visão turva ou com manchas pretas;
  • Prurido generalizado, sobretudo nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés.

Sinais de que não é uma emergência

Da mesma forma, há sintomas que podem carecer de uma observação clínica, mas não em contexto de urgência, por não constituírem uma emergência obstétrica. É este o caso de sinais de alerta tais como:

  • Febre, arrepios, suores, cansaço, dores de cabeça ou musculares que não aliviem com a toma de paracetamol e descanso;
  • Ardor ao urinar, vontade de urinar muitas vezes, corrimento vaginal com prurido, ardor ou cheiro intenso.

Saber identificar o que é uma emergência obstétrica e o que não é, é uma enorme mais-valia, já que não só nos permite obter ajuda urgente e especializada quando precisamos, como também prescindir dela, quando tal não é necessário.

Desta maneira, é mais fácil evitar o congestionamento das urgências hospitalares com casos que não configuram uma emergência obstétrica. Além disso, se estiver grávida e tiver dúvidas sobre algum sintoma que esteja a registar, pode sempre contactar a linha Saúde 24 (808 24 24 24).

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