ebook
Ebook Finanças (s)em Crise
Um guia para tempos complicados
Elsa Santos
Elsa Santos
13 Abr, 2021 - 12:08

A importância da empatia no trabalho

Elsa Santos

A empatia no trabalho vai além do bom relacionamento de uma equipa. Em tempos de pandemia, esta é, essencialmente, uma questão de saúde e de futuro.

colegas a demonstrar empatia no trabalho

No atual contexto, a empatia no trabalho ganha uma importância cada vez maior. É preciso adotar uma nova postura para superar o distanciamento social e garantir que, mesmo longe, os colaboradores de uma empresa se mantém ligados, a trabalhar em equipa e produtivos.

Para além, ou antes, disso dar prioridade à empatia no trabalho é uma questão de saúde.

A COVID-19 trouxe mudanças repentinas nas rotinas, nas formas de trabalhar, nas expectativas e nas relações. Desafios sem precedentes para profissionais dos mais distintos setores de atividade.

Mais do que nunca, tem de se valorizar o bem-estar, a saúde mental, a capacidade de manter o equilíbrio e tudo o que permita contornar os (muitos) obstáculos.

A empatia no trabalho ganha, então, um papel determinante no futuro.

Tudo o que deve saber sobre empatia no trabalho

Da definição do termo à sua promoção em contexto laboral, apresentamos-lhe o essencial sobre empatia no trabalho.

Definição

É uma forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa.

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria outra pessoa, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. É tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar o que sente outro indivíduo.

Está intimamente ligada ao altruísmo (amor e interesse pelo próximo) e à capacidade de ajudar.

A empatia também permite compreender melhor o comportamento alheio em determinadas circunstâncias e a forma como outra pessoa toma as decisões.

Benefícios no local de trabalho

Assim como acontece no contexto social, de um modo geral, a empatia no trabalho é um fator determinante para o bem estar e bom relacionamento dos elementos de uma equipa, com reflexo no sucesso de uma empresa.

A empatia está diretamente relacionada com a motivação, o desempenho e a produtividade. Quando líderes e gestores agem de forma empática, o relacionamento torna-se mais estreito, melhorando o ambiente como um todo.

Assim, lideranças aliadas às suas equipas gerem melhor e, por consequência, alcançam resultados mais positivos.

COVID-19 e a empatia no trabalho

A pandemia da COVID-19 já conseguiu mostrar que o bem-estar, físico, mental e financeiro, é uma questão crítica e que, por isso, requer toda a atenção e cuidado, em especial no que ao trabalho diz respeito.

De acordo com o estudo 2020 State of Workplace Empathy, da Businessolver, a combinação de empatia e benefícios constitui a chave para os empregadores apoiarem a saúde mental dos seus trabalhadores.

A organização americana refere que profissionais em todos os setores e grupos demográficos estão a enfrentar uma pressão sem precedentes no que respeita à sua saúde mental. É precisamente aí, na saúde mental, que tudo se centra e na qual a empatia assume um papel determinante.

Do isolamento social à incerteza económica, passando pelo risco de infeção por um vírus perigoso (potencialmente mortífero) entre os diversos setores de atividade os efeitos da crise pandémica apresentam semelhanças e diferenças. Especial destaque para os profissionais da linha da frente.

São várias as conclusões relevantes daquela que é a quinta edição do estudo anual State of Workplace Empathy:

  • Mais de 90% dos empregadores, profissionais de Recursos Humanos e CEOs disseram que a empatia é importante, todos os anos, desde 2017. Todos reconhecem a empatia no trabalho como um fator relevante para a saúde mental, e com efeitos expressivos na liderança e na produtividade;
  • 72% dos CEOs reconhecem que o estado da empatia no local de trabalho precisa de evoluir;
  • 73%, a maior percentagem de sempre, dos empregadores disse que a empatia pode ser aprendida;
  • 76% das empresas inquiridas afirma que a empatia permite uma maior produtividade;
  • 93% dos CEOs dizem que as empresas devem fazer mais para atender ao bem-estar geral e às necessidades de seus colaboradores.

A empatia no trabalho não só é importante como deve ser mais trabalhada.

Como garantir a empatia no trabalho

Há ações que as entidades empregadoras podem adotar para promover a empatia no trabalho. Apresentamos 5 princípios a seguir.

colegas de trabalho a cumprimentarem-se pelos bons resultados
1

Escutar os colaboradores

A capacidade de escutar efetivamente (mais do que ouvir) e estabelecer uma comunicação aberta é essencial para criar empatia no trabalho. Quando um colaborador percebe que pode dizer o que sente sem medo de julgamentos, ele amplia a confiança em relação ao seu líder e também à empresa.

A entidade empregadora deve incentivar a equipa ao diálogo e ouvir com atenção o que cada um tem para dizer, levando tudo em consideração, mesmo os menores anseios.

E mesmo a distância, é possível.

2

Reconhecer o valor das perguntas

Exercitar a empatia no trabalho não significa apenas ser um bom ouvinte. É preciso também fazer as perguntas certas para chegar à raiz do problema. Mas, porquê e como fazer isso?

Quando um líder questiona um colaborador, demonstra estar interessado no que ele diz, sente e/ou precisa. Assim, na hora de escolher as palavras, deve ser o mais específico possível, evitando perguntas genéricas.

3

Não fazer suposições

Comunicar é essencial. Não suponha que algo está a correr menos bem pela razão A, sem perceber o que de facto está a acontecer. Na origem de um problema ou mau resultado pode estar a razão B, muito diferente da suposta.

De uma forma mais simples:

Um/a trabalhador/a está mais quieto/a ou irritadiço/a do que o normal? Antes de julgar e fazer suposições, procure entender o que está na origem desse comportamento.

Ele/a pode estar a passar por problemas em casa ou, simplesmente, com dificuldades para se organizar em regime de teletrabalho (e com crianças a cargo).

Pergunte diretamente à pessoa o que está a acontecer e respeite o seu momento. Coloque-se no seu lugar e perceba o que pode fazer para minimizar ou solucionar o problema. Isso é empatia no trabalho.

4

Mostrar interesse pelas necessidades da equipa

A entidade patronal ouviu o/a trabalhador/a e fez perguntas coerentes. No entanto, de nada irá adiantar se o interesse pelos sentimentos e necessidades do/a colaborador/a não for genuíno.

Um líder deve absorver o que os elementos da sua equipa dizem e contribuir de alguma maneira para que se sintam melhores e mais satisfeitos. Num tempo carregado de mudanças e obstáculos, fale abertamente de saúde mental, reconhecendo o seu valor como base de tudo.

Promova práticas laborais como flexibilização de horário, melhores condições físicas ou materiais no local ou aos que estão em teletrabalho, assim como a prática de atividades como a meditação ou o ioga.

Como empresa, deve assumir a responsabilidade social, antes de mais, de olhar para os seus trabalhadores, identificar e colmatar, sempre que possível, as necessidades.

5

Reconhecer o esforço

Uma outra maneira de desenvolver a empatia no trabalho é adotar ações de reconhecimento para colaboradores.

Qualquer profissional gosta de ver o seu esforço reconhecido. Pode ser através do pagamento de um bónus, dias das descanso, ou mesmo progressão de carreira, por exemplo, entre outras possibilidades. Isso vai contribuir, inevitavelmente, para a aumentar a satisfação, a motivação e, logo, a produtividade.

À medida que o mundo continua a lutar contra as principais mudanças sociais e a incerteza económica associada, a saúde e o bem-estar lutam contra pressões que se haviam perdido há gerações. No entanto, outras coisas ganham e podem começar com a empatia no trabalho.

Segundo o Center for Building a Culture of Empathy – Centro Para a Construção de uma Cultura de Empatia,

vivemos numa época em que praticar empatia, agir, criar mudanças e construir confiança são mais importantes do que nunca.

Este líder do movimento de empatia global, procura procura levar a sua ação mais longe, comunicando em diversos meios, nomeadamente a Internet, com cursos e vídeos online, através dos quais é possível saber tudo sobre o tema.

Veja também

Aviso Legal

O Ekonomista disponibiliza e atualiza informação, não presta serviços de aconselhamento fiscal, jurídico ou financeiro. O Ekonomista não é proprietário nem responsável pelos produtos e serviços de terceiros apresentados, por conseguinte não será responsável por quaisquer perdas ou danos que possam resultar de quaisquer imprecisões ou omissões. A informação está atualizada até à data apresentada na página e é prestada de forma geral e abstrata, tratando-se de textos meramente informativos, pelo que não constitui qualquer garantia nem dispensa a assistência profissional qualificada. Se pretender sugerir uma atualização, por favor, envie-nos a sua sugestão para: [email protected].