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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
05 Dez, 2019 - 12:29

A escola do futuro: o que nos espera?

Mónica Carvalho

Novos métodos de ensino, novas tecnologias e novos conteúdos: será esta a base da escola do futuro. Saiba mais.

escola do futuro

É inevitável pensar em como será o futuro a diversos níveis, como, por exemplo, como será a escola do futuro e em que medida o ensino será alterado? As mudanças no mundo não podem passar despercebidas no ensino, até porque é a escola que prepara os cidadãos de amanhã. Mas de que forma isso irá acontecer?

A primeira sala de aula do futuro portuguesa foi criada em 2014, na Escola Secundária D. Manuel Martins, em Setúbal. Trata-se de uma sala com cinco espaços para criar, investigar, apresentar, partilhar e desenvolver, que permitem que os alunos aprendam num ambiente mais dinâmico.

Atualmente, existem em Portugal 34 salas, em 30 agrupamentos, em escolas, escolas profissionais, colégios, centros de formação e uma no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

O projeto chama-se Future Teacher E-ducation Lab, é promovido pela European School Net (ESN) e resulta numa sala de aula onde, além das mesas e cadeiras também podem existir sofás ou poufs. Em vez do ensino transmissivo, procura-se ensinar com espaços de interação, de projeto, de investigação.

Como será composta a escola do futuro?

ensino futuro

Protagonistas e materiais poderão ser os mesmos, mas terão, necessariamente, que sofrer ajustes para dar as respostas necessárias à escola do futuro.

  • Professor: será sobretudo um mentor, dado que a maior parte dos conteúdos será partilhado através de meios de inteligência artificial;
  • Escola: não será apenas um espaço de aprendizagem, mas também o local onde haverá estúdios para diversas tarefas e espaços coletivos de trabalho;
  • Máquinas: cada vez mais evoluídas, assumindo papéis cada vez mais relevantes na aprendizagem;
  • Big Data: o que o aluno faz no dia a dia ficará registado na cloud e em bases de dados, estando constantemente disponíveis e atualizadas;
  • Conteúdos: serão fracionados em unidades independentes, depois recombinadas em programas personalizados para cada aluno e adaptáveis ao longo da aprendizagem;
  • A nova sala de aula terá mais do que zona de alunos e zona do professor:
    • Apresentar: espaço informal para apresentar conteúdos produzidos pelos alunos, com ecrã HD ou quadros interativos;
    • Investigar: será uma área de atividades práticas e experiências, onde existem diversos materiais, como equipamento de laboratório, sensores, robôs, material para construir modelos, impressora e scanner 3D;
    • Interagir: possui uma disposição diferente da sala de aula atual e possui elementos que aumentam a interatividade;
    • Criar: não se limitam a escutar o professor, antes passam a dominar tecnologias de comunicação para fazer apresentações em vídeo, áudio, slides, outros formatos, dado que terão disponível vários recursos, nomeadamente câmaras, equipamento de áudio, computador, programas de edição;
    • Desenvolver: será uma área de estudo individual num ambiente relaxado, para potenciar a criatividade e concentração;
    • Colaborar: zona específica para trabalhos em grupo, com acesso a diversas tecnologias.

Centros de estudo do futuro

O ensino não se limita ao que acontece numa sala de aula, antes é o conjunto da educação fora desse espaço e da dedicação que cada aluno lhe dá. Nesse sentido, os centros de estudo e apoio assumem um papel fulcral para criar a escola do futuro.

Conheça alguns exemplos.

tecnologia do futuro

Assembly

“Cada aluno é único. Assim é também o seu percurso de aprendizagem.” É este o mote do centro que se autoproclama como “incubadora de competências em formato de atividades extra-curriculares”. Destina-se a jovens dos 10 aos 17 anos e visa a tecnologia como nova forma de ensino e literacia.

Tal deve-se ao facto de a tecnologia e as competências digitais fazerem cada vez mais parte do presente e apresentarem-se como uma vantagem competitiva, logo quanto mais e melhor forem dominadas, melhor.

A metodologia da Assembly permite que cada aluno defina trimestralmente o seu percurso de aprendizagem, escolhendo uma unidade tecnológica (12h) e outra vocacional (12h), que se reflete em 2 horas de formação semanais, durante 12 semanas.

Assim, estimula-se a individualização, num project-based learning, que estimula também a criatividade, a capacidade de resolução de problemas, a autoconfiança e o pensamento crítico. Para tal, as salas de aula do futuro da Assembly estão divididas em quatro zonas funcionais:

  • Investigate & Develop: equipada com 1 computador por aluno;
  • Build & Control: equipada para robótica e mecatrónica;
  • Create & Edit: equipada com um estúdio de vídeo;
  • Present & Share: equipada com sistema de projeção e disposição em auditório.

Happy Code

Este centro de estudos oferece ensino especializado em programação, para crianças dos 6 aos 17 anos, por acreditar que o estudo desta área permite o “desenvolvimento de uma série de competências essenciais no mundo contemporâneo, formando pessoas mais preparadas para os desafios da era digital.”

Adeptos do conceito STEAM – Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, na Happy Code, os jovens podem aperfeiçoar os conhecimentos digitais e tecnológicos de diversas formas:

  • Cursos regulares: um currículo completo e contínuo de tecnologia e programação, as aulas têm frequência semanal, ao longo do ano letivo;
  • Bootcamps de férias: funcionam durante as férias escolares, em programas de meio dia ou programas de dia completo, que combinam ensino de tecnologia e programação com atividades lúdico-desportivas;
  • Aulas curriculares: disponíveis nas escolas através de parcerias com a Happy Code;
  • Workshops personalizados: com escolas, empresas, associações e demais entidades interessadas.

A Happy Code possui escolas por todo o país: Açores; Algarve e Alentejo; Almada, Barreiro, Seixal e Setúbal; Cascais; Coimbra e Leiria; Lisboa – Campo de Ourique; Lisboa – Lumiar; Lisboa – Oriente; Loures, Vila Franca de Xira, Montijo e Santarém; Matosinhos, Maia, Póvoa de Varzim e Vila do Conde; Oeiras; Porto, Vila Nova de Gaia e Gondomar; e Sintra.

Shark Coders

A Shark Coders é uma escola de programação, jogos e robótica, cujo público-alvo são os jovens entre os 6 e os 17 anos.

O objetivo deste espaço é garantir a “literacia do futuro”, através do ensino lúdico da tecnologia, nas escolas do Porto, Vila Real, Almada e Coimbra.

Possui uma metodologia de ensino exclusiva, inovadora e lúdica, que visa preparar o futuro da nossa sociedade, de uma forma divertida. Nesse sentido, a missão dos fundadores da Shark Coders é “dar poder às crianças e jovens através da tecnologia, desenvolvendo capacidades para que deixem de ser consumidoras de tecnologia e passarem a ser criadoras de soluções tecnológicas que possam resolver problemas do seu dia-a-dia.”

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