É uma marca que tem um dom raro e que é o de criar automóveis que nos fazem sonhar ainda antes de os vermos em movimento. O novo Ferrari Amalfi, sucessor espiritual do Roma, é um desses casos, um modelo que, embora posicionado como a nova porta de entrada no universo da marca de Maranello, não cede um milímetro naquilo que realmente importa: beleza, emoção e desempenho.
Inspirado na sublime Costa Amalfitana, o novo coupé 2+2 nasce com a missão de reinterpretar o conceito de gran turismo.
Fá-lo com uma linguagem de design profundamente italiana, simultaneamente escultural e fluida, mas também com uma evolução técnica que o torna um produto mais completo e refinado do que o modelo que substitui.
O Amalfi é, sem dúvida, um Ferrari pensado para quem não quer apenas conduzir. É para quem deseja viver cada viagem com alma.
Ferrari Amalfi: estética e personalidade ousada
Visualmente, o Amalfi impressiona pela pureza das suas linhas. O capot longo e elegante esconde uma mecânica de proporções generosas, enquanto a traseira curta e robusta transmite o equilíbrio perfeito entre força e elegância.
Há um novo desenho na grelha dianteira, ou melhor, na ausência dela, substituída por um painel liso com múltiplas aberturas que otimizam o fluxo de ar e que integram discretamente o radar do sistema ADAS.
É uma decisão estética ousada, mas que resulta num visual limpo e sofisticado, digno da linguagem moderna da Ferrari.
A traseira reforça a sua identidade com um spoiler ativo que se ajusta em três níveis distintos, oferecendo até 110 quilos de apoio aerodinâmico a alta velocidade, um número que impressiona tanto quanto a sua integração discreta no design.

Motor V8 biturbo
No coração deste Ferrari está um motor V8 biturbo de 3,9 litros, mais especificamente 3 854 cm³, uma versão profundamente trabalhada do já conhecido bloco da família F154.
A potência máxima de 640 cv às 7500 rpm e um binário de 760 Nm garantem prestações de cortar a respiração: dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,3 segundos e dos 0 aos 200 km/h em escassos 9 segundos.
Mas, como é tradição na marca, a experiência não se limita à força bruta. O motor, com cambota plana e turbocompressores de baixa inércia, foi calibrado para oferecer uma resposta imediata ao acelerador, proporcionando uma ligação quase telepática entre condutor e máquina.
Toda essa potência é transmitida ao eixo traseiro por meio de uma caixa automática de dupla embraiagem com oito relações, herdada diretamente do SF90, e afinada para oferecer passagens quase instantâneas.
A direção eletricamente assistida foi também revista para oferecer mais precisão sem comprometer a sensação de controlo.
E com um peso total inferior ao do Roma, o Amalfi apresenta uma relação peso-potência de 2,29 kg por cavalo, o que o coloca no território dos superdesportivos, mesmo sendo um gran turismo com ambições de conforto.
Interior bem definido
O habitáculo é outro dos pontos altos desta nova proposta. A Ferrari manteve a sua filosofia de cockpit duplo, com espaços bem definidos para condutor e passageiro, mas introduziu melhorias significativas em ergonomia e interação.
O volante integra os principais comandos tácteis, mas agora com um layout mais intuitivo e com um novo botão de ignição integrado.
O sistema de infotainment apresenta-se com três ecrãs: um painel de instrumentos digital, um ecrã central de 10,25 polegadas e um terceiro opcional diante do passageiro, todos ligados por um interface redesenhado que reduz a complexidade e melhora a fluidez da experiência.
Os materiais utilizados elevam o nível de requinte, com superfícies em couro costurado à mão, alumínio escovado e aplicações em fibra de carbono onde a função o exige.
Há também lugar a tecnologia prática: carregamento sem fios, compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, e um sistema de som Burmester para quem não se contenta apenas com a melodia do V8.

Suavidade e elegância
Na estrada, o Ferrari Amalfi revela-se um verdadeiro camaleão. Capaz de circular com a suavidade e elegância de um verdadeiro GT, transforma-se com um simples toque no modo de condução para revelar a sua faceta mais feroz.
A suspensão adaptativa e os sistemas eletrónicos de assistência (como o controlo vectorial de binário ou o ABS Evo com travagem “brake-by-wire”) trabalham em harmonia para proporcionar uma experiência de condução confiante, dinâmica e, acima de tudo, entusiasmante.
É certo que o Amalfi se posiciona como o Ferrari mais “acessível” do portefólio atual, com um preço base a rondar os 240 mil euros na Europa.
Mas essa é apenas uma questão relativa. Porque o que este novo modelo representa não é um compromisso, mas sim uma extensão da experiência Ferrari a um público que valoriza tanto o prazer da condução como a elegância quotidiana.
O Ferrari Amalfi não é apenas mais um GT. É uma carta de intenções da marca para uma nova geração de condutores apaixonados.