Miguel Pinto
Miguel Pinto
05 Mai, 2026 - 14:00

Três dias a saber a cereja: a festa do Fundão que não vai perder

Miguel Pinto

São três dias em junho de gastronomia, música e tradição na Serra da Gardunha, em Alcongosta, coração do país da cereja.

cereja do fundão

Todos os anos, no início de junho, a pequena aldeia de Alcongosta, no concelho do Fundão, transforma-se num palco a céu aberto dedicado a um dos frutos mais icónicos de Portugal, a Cereja do Fundão.

A festa, que reúne dezenas de milhar de visitantes ao longo do fim de semana, é muito mais do que uma feira gastronómica.

É uma afirmação de identidade regional, um brinde à agricultura de montanha e uma das mais genuínas celebrações populares da Beira Interior.

A tradição de cultivar cerejeiras nas encostas da Serra da Gardunha remonta a séculos, mas é nas últimas décadas que a Cereja do Fundão ganhou projeção nacional e internacional, tornando-se um produto de referência, reconhecido pela sua qualidade superior, tamanho, doçura e cor intensa.

A festa é, ao mesmo tempo, o momento de colheita e de festa, os dois na mesma semana, o que lhe confere uma autenticidade difícil de replicar.

Festa da Cereja: um fim de semana delicioso

A edição de 2026 da Festa da Cereja está marcada para os dias 12, 13 e 14 de junho, em Alcongosta, no Fundão. O evento decorre habitualmente no primeiro fim de semana de junho, alinhado com o pico da época de colheita, quando os cerejais da Serra da Gardunha estão no seu melhor momento.

Alcongosta fica a cerca de 10 quilómetros do centro do Fundão, uma vila facilmente acessível pela A23 (Autoestrada da Beira Interior).

O que fazer na Festa da Cereja?

O programa da Festa da Cereja é generoso e pensado para todos, famílias com crianças, apreciadores de gastronomia, amantes de música ao vivo ou simplesmente quem quer passar um fim de semana diferente em contacto com a natureza e a cultura da Beira Interior.

Gastronomia e produtos locais

cerejas

A cereja é, naturalmente, a protagonista absoluta. Nas tasquinhas e bancas espalhadas pela aldeia encontra produtos como doces artesanais, licores, pastéis, bombons, geleias e muito mais, todos à base de cereja do Fundão.

Além da fruta em natureza (ideal para comprar diretamente ao produtor), há espaço para cozinha tradicional da região, live cooking com chefes convidados e workshops gastronómicos.

Concertos e animação

Cada edição conta com um cartaz musical que mistura nomes consagrados da música portuguesa com grupos locais e regionais.

Ao longo dos três dias, o palco principal recebe concertos noturnos de grande formato, enquanto as ruas ficam animadas com grupos de bombos, cantares, fanfarras e teatro de rua.

Atividades ao ar livre

  • Visitas guiadas aos pomares e cerejais da Serra da Gardunha, para perceber de perto como se cultiva e colhe a cereja
  • Comboio Turístico da Cereja, um passeio imperdível para famílias, que percorre a paisagem dos cerejais a bordo de um comboio histórico
  • Passeios de balão de ar quente sobre os cerejais, uma perspetiva única sobre a Serra da Gardunha
  • Passeio pedestre “Na Rota da Cereja”, que parte da Praça do Município do Fundão e atravessa trilhos de montanha entre cerejeiras
  • Exposições de arte, fotografia e artesanato local, com destaque para workshops em técnicas tradicionais da região
  • Espaço infantil junto à Igreja Matriz de Alcongosta, com atividades para os mais novos ao longo de todo o dia
  • Possibilidade de reservar cestas de piquenique para desfrutar da paisagem dos cerejais em família.

A Cereja do Fundão: porquê tanta fama?

cacho de cereja

Não é por acaso que a Cereja do Fundão é considerada uma das melhores do mundo. As condições únicas da Serra da Gardunha (altitude entre 500 e 1000 metros, solo de granito e xisto, amplitude térmica elevada entre o dia e a noite e um microclima favorável), criam as condições ideais.

É aqui que cresce um fruto com características excecionais: grande, firme, doce, com uma cor vermelho-escura profunda e uma vida pós-colheita superior à média.

A produção de cereja é um dos pilares económicos do concelho, movimentando milhões de euros por ano e sustentando centenas de famílias.

A festa é, assim, também uma homenagem a esses agricultores e a um modo de vida que resiste e prospera na montanha.

Para quem nunca esteve presente, a aldeia de Alcongosta é pequena, mas transforma-se de forma impressionante nos três dias de festa.

As ruas ganham vida, os aromas de cereja misturam-se com cheiros a grelhados e a madeira e a música de grupos de bombos e de bandas ressoa de toda a parte. É o tipo de experiência que dificilmente se esquece.

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