Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
13 Jun, 2026 - 13:00

20 marchas, 16 casamentos e milhares de sardinhas: assim é o Santo António de Lisboa

Cláudia Pereira

Festas de Santo António em Lisboa: arraiais em bairros históricos, marchas populares e os famosos casamentos.

Lisboa acorda hoje com ressaca de sardinhas e cheiro a manjerico. O dia 13 de junho é feriado municipal na capital, mas quem dormiu cedo perdeu o melhor: a festa do padroeiro de Lisboa acontece mesmo na véspera, quando a Avenida da Liberdade se transforma num palco a céu aberto e os bairros históricos não dormem.

Santo António nasceu em Lisboa por volta de 1195, ali mesmo junto à Sé, no que hoje é a Igreja de Santo António. Foi para Itália, tornou-se frade franciscano e ficou para a história como o patrono das coisas perdidas e o santo casamenteiro. Mas em Lisboa é simplesmente “o nosso santo”, e a sua festa é, sem discussão, a maior celebração popular da cidade.

As Marchas Populares: 90 anos de rivalidade de bairro

As Marchas Populares de Lisboa existem desde 1932 e são o espectáculo mais extraordinário que a cidade produz inteiramente por si mesma. Cada bairro passa meses a ensaiar, a costurar os fatos e a compor a música com que desce a Avenida da Liberdade. A rivalidade é séria.

As 20 marchas concorrentes, uma por bairro histórico, desceram a Avenida a partir das 21h00 de ontem, com cerca de 80 a 100 marchantes cada. O tema desta edição de 2026 é “Somos Lisboa, Somos Europa”. A Avenida da Liberdade ficou fechada ao trânsito desde as 18h00 do dia 12, com várias ruas em Alfama e Mouraria apenas pedonais durante os arraiais. Quem ainda não foi: a festa nos bairros prolonga-se pelo dia de hoje.

Os Casamentos de Santo António: 16 casais, uma tradição de 1958

Ontem de manhã, antes das marchas, Lisboa casou. As marchas populares desceram a Avenida da Liberdade no momento mais alto das Festas de Lisboa, depois de Santo António ter “abençoado” 16 casamentos, cinco numa cerimónia civil, às 11h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, e 11 numa cerimónia religiosa na Sé de Lisboa, a partir das 14h00.

A tradição nasceu em 1958, com o nome Noivas de Santo António, e juntou 36 casais na primeira edição. Desde o regresso da iniciativa pela Câmara Municipal em 1997, já se realizaram 431 casamentos, 296 religiosos e 135 civis. Em 2026 chegou à 28.ª edição no formato atual.

Este ano, os 16 casais representam 11 freguesias da cidade, com seis nacionalidades e idades entre os 27 e os 51 anos. A EGEAC recebeu 41 candidaturas, o número mais elevado das últimas quatro edições, sinal de que a tradição não perde força.

Os arraiais: onde ir hoje

A festa não acabou. Os arraiais continuam hoje nos bairros, e é hoje, no próprio dia de Santo António, que muitos escolhem passear com calma, sem a confusão da véspera.

Para tradição pura, Alfama e Graça são os mais autênticos. Para uma atmosfera multicultural e alternativa, Mouraria no Largo da Rosa. Para vistas e concertos com nomes conhecidos, o Arraial da Misericórdia no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Para um ambiente jovem e animado, a Bica e o Bairro Alto.

Leva calçado cómodo, a calçada portuguesa não perdoa e vá cedo se quiser lugar à mesa. As sardinhas esgotam mais depressa do que parece.

O manjerico: o presente obrigatório

Não há Santo António sem manjerico. A tradição manda comprar um manjerico com bandeirinha rimada e oferecê-lo ao acompanhante. Vendem-se em praticamente todos os arraiais e mercados da cidade durante junho. O aroma, forte, inconfundível é hoje o cheiro oficial de Lisboa.

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